sexta-feira, 21 de abril de 2017

1977-04-21 - Improp º 03 - III Série - Movimento Estudantil

Improp 3
21- 4-77
associação de estudantes da faculdade de ciências de lisboa
  
LÓGICA
PELA DEFESA DO TRABALHO EM GRUPO

Os alunos da Cadeira de Lógica viram-se impossibilitados de a terminar no 1º Semestre devido ao prof. Armando Machado se recusar a aceitar testes em grupo.
Depois de se ter realizado uma reunião de cadeira, em que o prof. Armando Machado não apareceu, na qual foi marcado o teste e se reafirmou a posição de o fazer em grupo, o prof. afirmou numa aula, dois dias antes do teste, que este tinha de ser individual.
Face ao natural repúdio por parte dos estudantes, realizou-se uma reunião de cadeira em que foi decidido adiar o teste, uma vez que se manteve a posição de cumprir as decisões já tomadas em Assembleia Plenária e Reunião de Cadeira apesar do prof continuar a afirmar que não havendo teste individual não haveria avaliação.
Porquê esta posição arbitrária por parte do prof. Armando Machado?
Será que a sua presença na Comissão Nacional Interuniversitária de Reestruturação o leva a querer ir mais longe que o Cardia?
Depois de várias tentativas para se chegar a um acordo, realizou-se nova reunião de cadeira em que não se alterou a posição já tomada, apesar das tentativas de uma minoria que, como sempre, tentou desviar os estudantes das posições assumidas democraticamente.
Os estudantes reconheceram a importância que estava a tomar o caso da Lógica e as repercussões que poderia ter, a nível de todo o curso uma cedência à posição do prof. Armando Machado.
Este caso ultrapassa esta cadeira porque é a primeira vez que um prof. da Matemática declara numa reunião de cadeira que ião reconhece autoridade às Assembleias Plenárias.
No fundo o que está em jogo é a democracia interna da escola, são as conquistas alcançadas no campo pedagógico onde o trabalho em grupo tem um papel relevante.
Isto pode criar um precedente para os professores reaccionários desta escola fazerem o mesmo. Não se justifica que o prof. Armando Machado tome a vanguarda dos profs reaccionários quando até agora tem respeitado minimamente as decisões da Escola. Por isso é necessário o apoio de todos os anos à luta do 1º ano.
Não nos podemos mais deixar isolar na nossa cadeira, quando o prof. quer fazer desrespeitar as decisões da Escola! O caso da Lógica do 1º ano já não diz respeito apenas a este ano particular, mas a todos nós na Matemática ou não. E se é verdade, como dissemos atrás que este é o 1º caso no nosso curso, outros semelhantes têm ocorrido na Biologia ou na Física por exemplo onde os profs conseguiram por vezes impor a sua vontade arbitrária. E cada vez que isso aconteceu foram as posições reaccionárias que saíram fortalecidas, senão vejamos:
Quem está interessado em por em causa as decisões da A. Plenária e em fazer voltar à escola os velhos métodos de ensino?
Por isso, se queremos defender as nossas conquistas e continuar no caminho da transformação progressista do ensino, temos que acima de tudo juntar as nossas forças e lutarmos pela justa resolução dos nossos problemas: Para que na Matemática continuemos a garantir que as propostas sejam cumpridas na prática. Para que na Biologia e na Física os estudantes passem a controlar activamente a aplicação das decisões da Escola. Na RGA de quinta-feira que deverá apoiar inequivocamente a luta do 1º ano de Matemática, os estudantes saberão definir uma posição no sentido que as decisões democráticas, tanto da As. Plenária como das reuniões de cadeira, sejam rigorosamente cumpridas, sendo que a próxima Assembleia Plenária terá de adoptar as formas de luta conveniente.
TODOS A RGA!
PELA PARTICIPAÇÃO ACTIVA DE TODOS OS ESTUDANTES!

O NOSSO BALANÇO DA AVALIAÇÃO DE CONHECIMENTOS
Agora que Iniciamos o 2º semestre e quando têm lugar novas reuniões de cadeira para definir a avaliação, estamos na altura de fazer um balanço da avaliação no semestre passado, para assim, com base nos nossos erros e naquilo que correu mal, podermos fazer face às dificuldades futuras.
O balanço que apresentamos a seguir foi feito pela Comissão de Curso, no entanto é necessário que todos os estudantes se pronunciem sobre ele, discutindo-o e melhorando-o com a sua experiência.
No curso de Matemática, podemos afirmar que a avaliação de conhecimentos tem tido um carácter pedagógico, e não selectivo. Contudo, casos houve, em que por imposição de professores isto não se passou da melhor forma.
Pode-se apontar a cadeira de Geometria I, em que o professor Dionísio “lembrou-se” e dizer que quem fizesse teste individual não faria discussão oral. E logo houve quem acatas se esta proposta e vá de fazer o teste individual, para não fazer a discussão oral. Tudo isto levou a que quem fez o teste sozinho não fez a discussão, independentemente da nota que tivesse tido no teste, enquanto aqueles alunos que defendem o trabalho em grupo, mas na prática, tiveram que ir fazer a discussão, ficando assim em desigualdade de circunstâncias em relação aos outros.
Também em Álgebra I do 2º ano, se passaram algumas irregularidades. Os professores fizeram os testes com um grau de dificuldade bastante superior aos dos exercícios feitos na aula, tendo como resultado que grande parte dos alunos não passassem, devendo assim passar a última parte do semestre a "marrar" Álgebra, visto que se o não fizessem, poucas seriam as suas possibilidades de passarem na cadeira.
Mas o problema mais importante que existe até este momento na Matemática desde o 25 de Abril, e que põe em causa todo o trabalho em grupo feito até agora e com saldos bastantes positivos, é o que se está a passar na cadeira de Lógica. O professor desta cadeira, prof. Armando Machado tomou a posição de não fazer o teste, caso este fosse feito em grupo. Contra o professor estão os estudantes, firmes na sua posição de não aceitar a imposição deste professor.
Casos também houve, que numa mesma cadeira, o critério de classificação mudava de turma para turma, conforme o professor, o que levou a que alunos de uma turma que fizeram o trabalho, discussão sobre ele e toda a matéria, tudo isto com bom aproveitamento tivessem tido uma nota bastante inferior à de colegas seus que nem o trabalho todo fizeram, quanto mais discussão oral!
Todos estes caso levam-nos a afirmar que a avaliação de conhecimentos no nosso curso não correu da melhor forma, embora na grande maioria das cadeiras não tenha havido problemas, e se possa dizer que no geral este processo foi positivo. O que não podemos permitir é que factos como estes aconteçam mais, e muito menos que se generalizem. Para isso é necessária a vigilância de todos nós, para que no momento exacto saibamos dizer não a toda e qualquer tentativa de voltar aos métodos do 24 de Abril.

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