Organizações e outros

Esta sessão tem por objectivo fornecer aos interessados, uma pequena história de algumas das pessoas e organizações que existiram durante este período histórico.
 Estas  entradas foram originalmente feitas pelo Professor José Manuel Lopes Cordeiro para o livro “A Guerra dos Cartazes”  em Abril de 2009. 
À medida que houver necessidade e nos for possível iremos introduzindo novos itens.

AAP-C
Associação da Amizade Portugal-China
No período imediatamente posterior ao 25 de Abril algumas das principais organizações marxistas-leninistas então existentes criaram associações de amizade com a República Popular da China. A AAP-C, promovida pelo MRPP, foi fundada em 16 Maio 1974.

AAP-CUBA
Associação de Amizade Portugal–Cuba
Fundada em 26 de Julho de 1974 – data comemorativa dos 21 anos do frustrado assalto ao Quartel Moncada – por personalidades ligadas ao PCP, como Rogério Paulo, Alexandre Cabral e Ludgero Pinto Basto.

AAP-URSS
Associação de Amizade Portugal–URSS
Fundada em 5 de Junho de 1974, concedeu ao longo da sua actividade inúmeras bolsas de estudo para a URSS a fim de jovens portugueses ali seguirem cursos médios e superiores de formação profissional, organizando também visitas turísticas àquele país. Publicava a revista Paz e Amizade, tendo-se extinguido com o fim da URSS.

AD
Aliança Democrática
Coligação formada em 1979 pelo Partido Social-Democrata (PPD/PSD), pelo Centro Democrático Social (CDS) e pelo Partido Popular Monárquico (PPM). Teve Francisco Sá Carneiro como principal impulsionador, assim como os então dirigentes do CDS, Diogo Freitas do Amaral, e do PPM, Gonçalo Ribeiro Teles. Concorreu às eleições legislativas intercalares de 1979 e às eleições legislativas gerais de 1980 obtendo, respectivamente, os seguintes resultados: 45,26% (128 deputados) e 47,59% (134 deputados).
Convidada a formar Governo, liderado por Francisco Sá Carneiro (3/01/1980) este viria a cair, devido à morte do Primeiro-Ministro num acidente de aviação (4/12/1980). Em 1983, então liderada por Francisco Pinto Balsemão, acabou por se extinguir, após uma grave crise que a afectava já há algum tempo.

ADFA
Associação dos Deficientes das Forças Armadas
Fundada em 14 Maio 1974 por iniciativa de militares que sofreram lesões e ferimentos durante o período da Guerra Colonial. Ainda antes do 25 de Abril os deficientes militares procuraram obter apoio para a resolução dos seus problemas, o qual não só lhes era negado pelo regime fascista, como os impedia de se organizarem com aquele objectivo, em virtude da falta de liberdade de expressão e de associação então existentes. Deste modo, a fundação da ADFA a seguir ao 25 de Abril constituiu uma expressão da revolta de todos os que, tendo ficado deficientes em virtude da sua participação na guerra colonial, procuraram combater o seu abandono e marginalização, e lutar por uma efectiva reintegração social.

AFAP
Associação de Familiares dos Antifascistas Presos
Associação fundada após uma acção repressiva contra o MRPP desencadeada pelo Comando Operacional do Continente (COPCON) em 28 de Maio de 1975, que levou à ocupação e saque de todas as suas sedes na região de Lisboa e a prisão de 432 dos seus militantes e simpatizantes, incluindo o Secretário-geral Arnaldo Matos, os quais foram encarcerados em Caxias, Tires e Pinheiro da Cruz.

AOC / AOC – FND
Aliança Operário-Camponesa / AOC – Frente Nacional Democrática
Em Maio de 1974 surgiu o jornal A Voz do Trabalhador: jornal dos operários, dos camponeses, de todos os explorados de Portugal, que defendia a orientação política do Partido Comunista de Portugal (marxista-leninista), dirigido por Heduíno Gomes (“Vilar”). No II Encontro Nacional de A Voz do Trabalhador, realizado a 17 de Novembro de 1974, foi decidido criar a Aliança Operário-Camponesa (AOC), como partido político para participar nas eleições para a Assembleia Constituinte, passando A Voz do Trabalhador a constituir o seu órgão central. O seu símbolo era o martelo e a espiga, cruzados, em dourado, encimados por uma estrela vermelha. A evolução da situação política a nível nacional e internacional e a consequente necessidade de actualizar o programa político da AOC levou a que, no seu I Congresso, realizado no Porto em 15 de Fevereiro de 1976, fossem aprovadas novas bases programáticas, assim como uma alteração no nome do partido. Deste modo, passou a denominar-se AOC – Frente Nacional Democrática e, posteriormente, Frente Nacional Democrática – AOC [FND (AOC)], a fim de salientar o seu objectivo político principal, que era o de forjar a unidade nacional, unindo “as diferentes camadas populares e personalidades patrióticas (…) contra os seus inimigos externos e internos, particularmente o social-imperialismo russo e seus lacaios”. No I Congresso foi também decidido adoptar como novo símbolo o Castelo de Guimarães encimado por uma estrela vermelha, simbolizando o primeiro o começo da nacionalidade portuguesa, e a segunda o “carácter universal da luta do povo português, parte integrante da luta dos povos, países e nações oprimidas contra a ameaça das superpotências”. Foi ainda decidido publicar um novo órgão central, denominado A Padeira d’Aljubarrota. Em Março de 1975, a AOC viu a sua actividade política suspensa até à data das eleições para a Assembleia Constituinte, às quais não pôde concorrer – sendo nesse período proibida de desenvolver propaganda pública, incluindo a realização de comícios –, sob a falsa acusação de uma “sua possível participação ou influência nas manobras contra-revolucionárias que deram origem à contra-revolução de 11 de Março” (Decreto nº 137-E/75, de 17 de Março). As únicas eleições em que participou foram as Legislativas de 1976, tendo obtido 15.778 votos (0,3%). Em 1979 requereu alteração da denominação, sigla e símbolo, adoptando, respectivamente, os de Partido Trabalhista e de PT.

AP-A
Associação Portugal-Angola
Associação de amizade entre os dois países, fundada em 1977 e, pelo menos, em actividade até 1984, publicava o boletim informativo A Luta Continua.

APU
Aliança Povo Unido
Coligação político-eleitoral constituída por iniciativa do Partido Comunista Português em Janeiro de 1978, e integrando, para além daquele partido, o Movimento Democrático Português – Comissão Democrática Eleitoral (MDP-CDE) e, após 1983, o Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV). Activa politicamente entre 1978 e 1987, concorreu às eleições legislativas intercalares de 1979 e às eleições legislativas gerais de 1980, 1983 e 1985, tendo obtido, respectivamente, os seguintes resultados: 13,80% (47 deputados), 16,75% (41 deputados), 18,07% (44 deputados), e 15,49% (38 deputados).

ASDI
Associação Social Democrática Independente
Fundada em 12 de Abril de 1979 por alguns deputados dissidentes do PPD/PSD, entre os quais António de Sousa Franco (1942-2004), Joaquim Magalhães Mota (1935-2007) e Sérvulo Correia. Defendia uma democracia política, económica, social e cultural que promovesse a liberdade e a igualdade, tendo como referência os princípios do socialismo personalista e democrático. A 10 de Junho de 1980 integrou a Frente Republicana e Socialista, uma coligação eleitoral, conjuntamente com o Partido Socialista e a União de Esquerda Socialista Democrática (UEDS), a qual obteve 26,65% dos votos nas eleições para a Assembleia da República realizadas em 5 de Outubro desse ano.

CARP (M-L)
Comité de Apoio à Reconstrução do Partido (marxista-leninista)
Fundado em Itália, em 1973, em resultado de uma cisão no Comité Marxista-Leninista de Portugal (O Bolchevista), teve uma expressão muitíssimo reduzida em Portugal até ao 25 de Abril de 1974. Inicialmente publicava o jornal Longa Marcha. Em Julho de 1974, após ter registado a adesão de vários ex-presos políticos, como Francisco Martins Rodrigues, assim como de elementos vindos de outras organizações, funde-se com um pequeno grupo que editava o jornal Luta Comunista (resultante de uma cisão d’O Comunista em 1972), mantendo a sua denominação mas mudando o nome do seu órgão central para Luta Comunista. O novo CARP (m-l) será uma das três organizações que em 16 de Dezembro de 1974 irão criar a União Democrática Popular (UDP). Em Abril de 1975 cessará a sua actividade, em virtude de se ter fundido com aquelas mesmas organizações – os Comités Comunistas Revolucionários (marxistas-leninistas) [(CCR (m-l)] e a Unidade Revolucionária Marxista-Leninista (URML) – dando origem à Organização para a Reconstrução do Partido Comunista (marxista-leninista) [ORPC (m-l)].

CDS
Centro Democrático Social
Fundado em Junho de 1974, como partido de inspiração democrata-cristã, embora também aberto a conservadores e liberais. Estiveram na sua fundação várias personalidades ligadas, directa ou indirectamente, ao regime do Estado Novo – como Diogo Freitas do Amaral, Adelino Amaro da Costa (1943-1980), ou Valentim Xavier Pintado –, razão pela qual, durante o período imediatamente após o 25 de Abril foi vítima das grandes tensões sociais que então marcaram a sociedade portuguesa, tendo a mais significativa constituído o boicote à realização do seu I Congresso, no Porto, em 25 de Janeiro de 1975. Foi um dos signatários do primeiro Pacto MFA-Partidos, que viabilizou as eleições Constituintes de 1975, vindo a assinar também o segundo. Contudo, não participou em nenhum dos governos provisórios (1974-1976), e em 1976 foi o único partido representado na Assembleia Constituinte a votar contra a aprovação da Constituição. Integrou diversos governos, sempre através de coligações, com o Partido Socialista, em 1978, e com o PPD/PSD e o PPM – na Aliança Democrática –, entre 1979 e 1981. Em Dezembro de 1980, perdeu Adelino Amaro da Costa, um dos seus principais dirigentes e então Ministro da Defesa Nacional, desaparecido no mesmo acidente de aviação que vitimou Francisco Sá Carneiro.

CEEC
Centro de Estudos Educação e Cultura
Fundado no Porto, em 1976, com o objectivo principal de promover a alfabetização, publicou o boletim Por uma Cultura Popular.

CGTP–IN
Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses – Intersindical Nacional
Aproveitando algumas medidas de descompressão do sector sindical, timidamente ensaiadas pelo regime marcelista, foi fundada a 1 de Outubro de 1970 por iniciativa do Sindicato Nacional dos Caixeiros do Distrito de Lisboa, do Sindicato Nacional do Pessoal da Indústria dos Lanifícios do Distrito de Lisboa, do Sindicato Nacional dos Técnicos e Operários Metalúrgicos do Distrito de Lisboa e do Sindicato dos Empregados Bancários do Distrito de Lisboa. Até ao 25 de Abril de 1974 manteve-se na clandestinidade, desenvolvendo uma actuação discreta, sendo o aspecto mais significativo deste período a aprovação do seu Programa Básico, no qual se reivindicava a liberdade sindical, o direito de livre negociação e o direito à greve. Logo após o 25 de Abril, o Partido Comunista Português – que tinha estado na origem da Intersindical – liderou o processo de ocupação das sedes dos antigos sindicatos corporativos, ao mesmo tempo que criava um aparelho de dirigentes e quadros sindicais, o que lhe proporcionou – assim como à Intersindical, por ele controlada – uma influência maioritária no seio do movimento sindical. Em Maio de 1974, e inserida na estratégia do PCP – que então procurava dotar-se da indispensável credibilidade que lhe permitisse apresentar-se como um “partido de poder” –, a Intersindical desenvolveu uma intensa actividade na tentativa de sufocar o movimento grevista então espontaneamente desencadeado. Logo a 23 de Maio, publicou o primeiro de uma série de comunicados e declarações chamando a atenção para as “greves inoportunas” que, segundo afirmava, eram “encorajadas pela reacção”, tendo organizado em Lisboa, a 1 de Junho, uma insólita manifestação “contra a onda grevista”. A 11 de Março de 1975 apoiou as medidas de nacionalização da banca e dos seguros, e no mês seguinte, promoveu as manifestações que levaram à promulgação da lei que consagrava a unicidade sindical (D. L. nº 215-A/75, de 30 de Abril). Em 1977, o Congresso da Intersindical, denominado “de todos os sindicatos”, marcou a ruptura com os sindicalistas do Movimento Autónomo de Intervenção Sindical – “Carta Aberta”, criado no ano anterior por iniciativa do Partido Socialista. Neste Congresso a Intersindical adoptou o seu actual nome, Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses – Intersindical Nacional. Em 12 de Fevereiro de 1982, a CGTP promoveu a primeira Greve Geral, depois do 25 de Abril, para protestar contra a política do governo da Aliança Democrática.

CM
Comissões de Moradores
Organizações populares de moradores que surgiram após o 25 de Abril, por todo o país e de uma forma mais ou menos espontânea, lutando por melhores condições de habitação, tendo estado particularmente activas no período de 1974/75.

CMLP
Comité Marxista-Leninista Português
Fundado em 1964, por Francisco Martins Rodrigues (1927-2008) e outros militantes comunistas que tinham rompido com o PCP, em virtude de discordarem do alinhamento da direcção daquele partido com as teses do PCUS, contra as do PC da China, no debate que então estava a decorrer no seio do movimento comunista internacional. O CMLP procurou sistematizar as divergências que o separavam do PCP através da publicação, no seu órgão central Revolução Popular, de um conjunto de artigos teóricos que sintetizavam os aspectos essenciais da sua estratégia e táctica, os quais, até ao 25 de Abril, constituíram o principal capital teórico da corrente marxista-leninista. Em Agosto de 1970, no denominado V Congresso, transformou-se no Partido Comunista de Portugal (marxista-leninista) [PCP (m-l)], o qual, no entanto, veio a sofrer uma divisão em Março de 1974, tendo os dois grupos daí resultantes disputado a denominação e a sigla da organização. Em Abril de 1975, um desses grupos negou a validade do V Congresso e, em conformidade, voltou a denominar-se CMLP.

CMP
Conselho Mundial da Paz
Fundado em 1949 no rescaldo da II Guerra Mundial, e integrado na estratégia de luta pela paz então prosseguida pela União Soviética. Dispõe de “comités nacionais” em dezenas de países. O antigo Presidente da República, Francisco da Costa Gomes (1914-2001), foi vice-presidente e presidente do respectivo Comité Português, desde 13 de Maio de 1977 até à sua morte, tendo sido também membro activo da organização “Generais pela Paz”.

CNSPP
Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos
Constituída nos finais de 1969, aproveitando as promessas caetanistas de “abertura política” assim como a possibilidade proporcionada pelo artigo 199.º do Código Civil, que previa a existência de “comissões constituídas para realizar qualquer plano de socorro ou beneficência”, tinha como objectivos: “1. Chamar a atenção do Governo e do País para os graves problemas ligados à situação dos presos políticos em Portugal, focando, com base em factos incontroversos, as flagrantes e repetidas injustiças cometidas à sombra da legislação aplicável aos presos políticos; 2. Proclamar a necessidade de se por cobro a essa situação, por forma a tornar realidade as medidas de protecção dos indivíduos e a libertação dos presos políticos, fazendo apelo aos sentimentos de solidariedade e a responsabilidade de todos os cidadãos; 3. Auxiliar por todas as formas legais os presos e as suas famílias, de modo que sejam minorados, através duma acção solidária, os sofrimentos morais e materiais causados por uma legislação injusta e agravada por um tratamento desumano”.

COPCON
Comando Operacional do Continente
Estrutura de comando militar criada a 12 de Julho de 1974, pelo Movimento das Forças Armadas (MFA), com o objectivo de dispor de uma força militar de elite capaz de defender o seu Programa. Foi seu comandante-adjunto, até ao 25 de Novembro de 1975, o major Otelo Saraiva de Carvalho, o qual, para desempenhar aquele cargo, foi graduado em brigadeiro. Estavam-lhe subordinadas várias unidades operacionais, entre as quais os comandos, paraquedistas, fuzileiros, polícia militar, Infantaria de Queluz e o Regimento de Artilharia de Lisboa (RALIS). Teve um papel de destaque durante o PREC (Processo Revolucionário em Curso), apoiando as movimentações de trabalhadores, assim como as ocupações de casas e de terras, tendo desempenhado também uma acção importante aquando do 28 de Setembro e do 11 de Março. A 12 de Agosto de 1975 apresentou o denominado “Documento do COPCON”, redigido por vários dos seus oficiais, entre os quais Mário Tomé, que contaram com a colaboração do PRP/BR, MES e UDP. A sua sede era no Forte do Alto do Duque, em Lisboa. Foi dissolvido a 26 de Novembro de 1975, na sequência da tentativa de golpe militar ocorrida no dia anterior.

CPAFP
Comité Português de Apoio à Frente Polisário
Fundado no início da década de 80, período em que a sua actividade foi mais notada, com o objectivo de apoiar a Frente Polisário, um movimento político e militar que luta pela independência do Saara Ocidental, antigo Sahara Espanhol ou Rio de Oro, actualmente sob domínio de Marrocos, visando instituir a República Árabe Saaraui Democrática.

CPPC
Conselho Português para a Paz e Cooperação
Embora a sua actividade se tenha iniciado logo após o 25 de Abril, só formalizou a sua constituição em 24 de Abril de 1976. Considera-se herdeiro do movimento a favor da Paz, surgido em Portugal no início da década de 50. Tanto num como noutro caso, teve como principal impulsionador o Partido Comunista Português, em cuja estratégia desde o primeiro momento se integrou, tanto a nível nacional como internacional. Integra o Conselho Mundial da Paz, fundado em 1949-50 no rescaldo da II Guerra Mundial e no âmbito de um vigoroso movimento em favor da paz, do desarmamento e da segurança global, que tinha então na União Soviética o seu principal defensor.

CR
Conselho da Revolução
Órgão político supremo do Movimento das Forças Armadas (MFA), criado na sequência do 11 de Março de 1975, substituindo a Junta de Salvação Nacional e o Conselho de Estado e assumindo as suas funções.
Consignado na Constituição de 1976, embora com poderes muito reduzidos, veio a ser extinto a 14 de Julho de 1982, pela Assembleia da República, com votos contra do PCP e MDP e com a contestação de alguns dos seus membros, que consideraram ter sido violada a plataforma MFA-Partidos.

CRED
Comité Revolucionário de Estudantes de Direito
Constituído, em 1975, na Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa, substituiu durante um curto período de tempo a AAFDL – Associação Académica da Faculdade de Direito de Lisboa. Era dirigido pela FEML – Federação dos Estudantes Marxistas-Leninistas, ligada ao MRPP, onde pontificavam Alexandrino de Sousa (1954-1975) e J. M. Durão Barroso.

CRTSM
Conselhos Revolucionários de Trabalhadores, Soldados e Marinheiros
Fundados no início de 1975, por iniciativa do Partido Revolucionário do Proletariado, pretendiam constituir uma espécie de sovietes nas fábricas e nos quartéis, embora nunca tivessem tido grande influência não obstante os dois congressos que chegaram a realizar.

CT
Comissões de Trabalhadores
Organizações de trabalhadores que surgiram após o 25 de Abril de uma forma mais ou menos espontânea por todo o país, como forma de organização de trabalhadores nomeadamente dentro de empresas, à margem dos sindicatos. Estas estruturas vão-se progressivamente organizando e hierarquizado desde o nível local ao nível nacional, tendo sido constituído, em Julho de 1975, um Secretariado Nacional (Provisório) das Comissões de Trabalhadores.

CUNHAL, Álvaro Barreirinhas (Coimbra, 10/11/1913 – Lisboa, 13/06/2005)
Dirigente histórico do Partido Comunista Português (PCP). Entrou para a Federação das Juventudes Comunistas Portuguesas (FJCP) nos finais de 1934, quando era estudante da Faculdade de Direito de Lisboa. Em Abril do ano seguinte passou a integrar o Secretariado da FJCP, desempenhando o cargo de secretário-político. Participou no VI Congresso da Internacional Juvenil Comunista, realizado em Moscovo em Setembro-Outubro de 1935. Desde esse ano que, como secretário-político da FJCP, participava nas reuniões do Comité Central (CC) do PCP, tendo sido em 1936 cooptado para aquele organismo, que pouco depois lhe confiou uma missão em Espanha, onde foi surpreendido pelo deflagrar da Guerra Civil.
Preso pela primeira vez em Julho de 1937, foi libertado onze meses depois, tendo retomado a actividade política e os estudos. Passou a integrar o Secretariado do CC em meados de 1939, mas em Dezembro desse ano foi obrigado a cumprir o serviço militar, na Companhia Disciplinar de Penamacor, embora por pouco tempo, pois foi dispensado por motivos de saúde. Nesta época, para além das publicações partidárias, escreveu em vários jornais e revistas, entre os quais O Diabo, o Sol Nascente e a Vértice.
Novamente preso em Maio de 1940, quando estava prestes a concluir o quarto ano foi, naquela condição, que defendeu na Faculdade de Direito de Lisboa, sob escolta policial, a tese de licenciatura, sobre a realidade social do aborto. Avaliada por um júri composto por Marcelo Caetano (1906-1980), Paulo Cunha (1908-1986) e Manuel Cavaleiro de Ferreira (1911-1992) – figuras destacadas do regime salazarista – que, embora discordando da despenalização do aborto, lhe atribuíram a classificação de “Bom com distinção”, tendo Cunhal terminado o curso com a média de 16 valores. Libertado em Novembro de 1940, encontrou o PCP a atravessar um profundo processo de reorganização, iniciado pouco tempo antes por um grupo de militantes liderado por Júlio de Melo Fogaça (1907-1980) – a maior parte deles regressados do Tarrafal –, à margem das estruturas existentes do partido, e ao qual, após uma compreensível hesitação, virá a aderir cabalmente em meados de 1941. Entretanto, trabalhou como regente de estudos no Colégio Moderno, a convite de João Soares (1878-1970), funções que desempenhará até aos finais de 1941, quando entrou para a clandestinidade. Cooptado para o Secretariado do CC em Setembro de 1942, passou a desempenhar um papel decisivo no processo de reestruturação ainda em curso no partido, impondo métodos seguros de defesa – a reorganização de 1940/41 não tinha resolvido por completo as insuficiências que estes apresentavam –, criando um sólido núcleo de revolucionários profissionais, uma direcção colectiva e estável, garantindo a regularidade da imprensa e procurando restabelecer as ligações com o Movimento Comunista Internacional. Ou seja, criou uma nova identidade ao partido, para além de uma sólida estrutura organizativa, que não só lhe permitiu aguentar uma repressão feroz, como transformá-lo na força política mais importante da oposição, durante o restante período do Estado Novo. Como membro do Secretariado, Cunhal desempenhará um papel de relevo na condução das grandes greves operárias desencadeadas no início dos anos 40 na região de Lisboa, particularmente a de Julho/Agosto de 1943. No III Congresso do PCP (I Congresso ilegal), realizado em Novembro desse ano, no Monte do Estoril, apresentou o Informe Político do CC intitulado “A Unidade da Nação Portuguesa na luta pelo pão, pela liberdade e pela independência”, e no IV Congresso, realizado em Julho de 1946 na Lousã – no qual derrotou a linha da “política de transição”, defendida por Fogaça – voltou a apresentar o Informe Político do CC – “O Caminho para o Derrubamento do Fascismo” –, que marcou a estratégia do PCP para as décadas seguintes. Em 1947, efectuou uma viagem clandestina à URSS, Jugoslávia, Checoslováquia e França, com o objectivo de reatar as relações do PCP com o Partido Comunista da União Soviética (PCUS) e o Movimento Comunista Internacional, interrompidas desde 1939. A 25 de Março de 1949, Álvaro Cunhal foi preso pela terceira vez, numa casa clandestina do Luso, juntamente com Militão Ribeiro (1896-1950) e Sofia de Oliveira Ferreira. No seu julgamento, em Maio do ano seguinte, desferiu um forte ataque ao regime salazarista, acabando por ser condenado a dois anos de prisão maior, seguidos de oito anos de degredo ou, em alternativa, doze anos de degredo e um ano de “medidas de segurança”, um eufemismo utilizado pelo regime ao abrigo do qual poderia mantê-lo indefinidamente preso. Em 1953 desenvolveu-se um movimento internacional de solidariedade pela sua libertação, que contou com a participação de inúmeros intelectuais como Jorge Amado (1912-2001) e Pablo Neruda (1904-1973). Até à famosa fuga do Forte de Peniche, em Janeiro de 1960, Cunhal passou quase onze anos encarcerado, tendo sido mantido incomunicável durante catorze meses e passado oito em completo isolamento. Após a fuga, ainda permaneceu em Portugal cerca de dois anos, na clandestinidade.
Em 1961, numa reunião do CC, foi eleito Secretário-geral do PCP – cargo que se encontrava vago desde a morte de Bento Gonçalves (1902-1942) –, tendo também criticado o denominado “desvio de direita”, que orientara a actividade do partido durante os últimos anos da sua prisão em Peniche. Em 1962, por razões de segurança, o PCP enviou-o para o exterior, estabelecendo-se primeiro em Moscovo, e depois em Paris, onde viveu clandestino até ao final do seu exílio. Aquando do conflito sino-soviético, em 1960/62, apoiou as posições do PCUS liderado por Nikita Kruschchev (1894-1971) contra as do Partido Comunista da China, que em 1961 chegou a criticar abertamente, na tribuna do XXII Congresso do PCUS. Em Setembro de 1965, o VI Congresso do PCP, realizado em Kiev, na URSS, aprovou o Relatório “Rumo à Vitória - As Tarefas do Partido na Revolução Democrática e Nacional”, que tinha sido por ele apresentado ao CC, em Abril de 1964. A importância de Álvaro Cunhal junto do PCUS foi aumentando progressivamente ao longo da década de 60 – pelos seus próprios méritos e pelo bom relacionamento que sempre manteve com um dos mais influentes ideólogos soviéticos, Mikhail Suslov (1902-1982) –, comprovada pelo facto de, em 1968, ter presidido à Conferência dos Partidos Comunistas da Europa Ocidental, na qual se revelou um dos mais firmes apoiantes da invasão da então Checoslováquia pelos tanques do Pacto de Varsóvia, ocorrida em Agosto desse ano. Regressado a Portugal a 30 de Abril de 1974, tomou posse como Ministro sem Pasta no I Governo Provisório no dia 15 de Maio de 1974, cargo que manteve nos II, III e IV Governos Provisórios. Eleito deputado à Assembleia Constituinte de 1975, renovou o seu mandato em todas as eleições legislativas realizadas até 1989, embora ocupando o lugar sempre por curtos períodos. Em 1992 abandonou o cargo de Secretário-geral – sendo, contudo, eleito Presidente do Conselho Nacional, no XIV Congresso, realizado em Almada –, assim como o de membro do Conselho de Estado, que exercia desde 1982. Faleceu a 13 de Junho de 2005.

ELP
Exército de Libertação de Portugal
Organização de extrema-direita criada em 6 de Janeiro de 1975, em Espanha, por antigos elementos da PIDE/DGS, ex-membros da Legião Portuguesa, participantes no 28 de Setembro e membros da Maioria Silenciosa. Dispunha de uma componente militar, chefiada pelo capitão Francisco Van Uden, e de uma componente de informações, a cargo de Agostinho Barbieri Cardoso, ex-subdiretor-geral da PIDE/DGS, para além de um gabinete político dirigido por Soares Martinez e Almeida Araújo. O principal objectivo do ELP era lutar contra o processo político em curso em Portugal, tendo recorrido ao incêndio de sedes – nomeadamente do PCP –, e à colocação de bombas, como a que assassinou o Padre Max [Maximino de Sousa] – candidato independente da UDP pelo círculo eleitoral de Vila Real às eleições legislativas – em 2 de Abril de 1976, matando também a jovem estudante Maria de Lurdes Correia, e a que destruiu a Embaixada de Cuba, em 22 de Abril de 1976, matando dois funcionários diplomáticos.

ENDA
Encontro Nacional das Direcções Associativas
Falhada a tentativa de criar federações ou confederações de associações de estudantes, os ENDA continuam hoje, como em 1974, a ser o único espaço de coordenação do movimento associativo estudantil.

FAPIR
Frente de Artistas Populares e Intelectuais Revolucionários
Organização de carácter frentista para a área da cultura, lançada nos finais de 1974 pela União Democrática Popular, teve José Mário Branco como um dos seus principais impulsionadores.

FEC (M-L)
Frente Eleitoral de Comunistas (Marxistas-Leninistas)
Organização política criada pela OCMLP – Organização Comunista Marxista Leninista Portuguesa – em Dezembro de 1974, com vista à participação nas eleições para a Assembleia Constituinte, agrupando simpatizantes e militantes legais daquela Organização, uma vez que a mesma permanecia numa semi-clandestinidade. Realizou o seu I Congresso em 19 de Janeiro de 1975, na Nazaré – que a RTP se recusou a transmitir, apesar das reclamações então apresentadas –, onde foi aprovado o seu programa, que visava unir todos os que se dispunham “a participar numa acção política ao serviço da luta pela instauração do regime de democracia popular”. A utilização do seu símbolo – uma estrela de cinco pontas, tendo no seu interior a foice e o martelo –, foi proibida em Março de 1975, devido a uma reclamação do PCP, obstáculo que foi removido pela sua substituição por duas estrelas envolvendo cada uma a foice e o martelo.
Já durante a campanha eleitoral, foi proibida de utilizar a rádio e a TV durante cinco dias, acusada de “fazer uma campanha destrutiva, de ataque a personalidades e criar situações de revolta nas populações”.
Nas únicas eleições em que participou, para a Assembleia Constituinte, obteve 33.185 votos (0,58%). No seu II Congresso realizado em 25 de Outubro de 1976, adoptou a denominação e a sigla da Organização que a tinha promovido, OCMLP.

FEML
Federação de Estudantes Marxistas-Leninistas
Fundada em 1971, como “a organização própria e autónoma dos estudantes comunistas-maoistas portugueses, ligada por uma aliança militante à vanguarda em reorganização da classe operária, o MRPP”, desenvolveu uma intensa actividade de agitação e propaganda no movimento estudantil de Lisboa, influenciando as correntes associativas “Estar na Luta” e “Ousar Lutar, Ousar Vencer”. Na tarde de 12 de Outubro de 1972, durante um meeting contra a repressão, organizado no então Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras, em Lisboa, o estudante de Direito e seu militante, José António Ribeiro dos Santos (1946-1972), foi assassinado com dois tiros de pistola disparados à queima-roupa por um agente da PIDE que se tinha infiltrado na reunião, o qual feriu também o estudante José Lamego, igualmente militante da FEML. A seguir ao 25 de Abril, desempenhou um papel activo na Faculdade de Direito de Lisboa, onde contava com o maior número de militantes, entre os quais J. M. Durão Barroso. A 9 de Outubro de 1975, o seu dirigente Alexandrino de Sousa (1954-1975) foi assassinado num confronto com militantes da UDP. Publicou o jornal Guarda Vermelha.

FEPU
Frente Eleitoral Povo Unido
Coligação político-eleitoral constituída por iniciativa do Partido Comunista Português, em Setembro de 1976, tendo em vista concorrer às eleições autárquicas desse ano e integrando, para além do PCP, o Movimento Democrático Português – Comissão Democrática Eleitoral (MDP-CDE) e a Frente Socialista Popular (FSP).

FESTA DO AVANTE!
À semelhança do que já ocorria em França (desde 1930) e em Itália (desde 1945), com as festas dos jornais dos partidos comunistas daqueles países, também em Portugal, a partir de 1976, o PCP começou a organizar as festas anuais do seu órgão central. Considerada a “maior organização política e cultural realizada em Portugal”, realiza-se actualmente na Quinta da Atalaia (Amora, Seixal), após ter conhecido outras localizações, como a Feira Internacional de Lisboa (FIL) e o Alto da Ajuda.

FRAP
Frente Revolucionária Antifascista Patriótica
Organização revolucionária espanhola, de carácter frentista, fundada por iniciativa do Partido Comunista de Espanha (marxista-leninista) [PCE (m-l)], que recorreu à luta armada contra a ditadura de Franco.
A FRAP constituiu-se formalmente em 1973, embora as suas origens remontassem a Janeiro de 1971, quando foi aprovada a sua constituição, numa reunião em Paris realizada na casa do dramaturgo norte-americano Arthur Miller (1915-2005), amigo pessoal de Julio Álvarez del Vayo (1891-1975) – antigo ministro da II República Espanhola –, que nela residia. Álvarez del Vayo foi então eleito presidente da FRAP, cargo que desempenhou até ao seu falecimento. Após o 25 de Abril, vários dirigentes da FRAP passaram temporadas em Portugal, tendo desenvolvido contactos com várias organizações, particularmente a UDP, assim como acções conjuntas, entre as quais se conta o assalto e destruição da embaixada de Espanha, em 27 de Setembro de 1975.

FREITAS DO AMARAL, Diogo Pinto de (Póvoa de Varzim, 21/07/1941 – )
Fundador do Centro Democrático Social (CDS) em Junho de 1974, foi seu presidente até 1982, e de novo entre 1988 e 1991. Deputado à Assembleia Constituinte em 1975, e à Assembleia da República de 1976 a 1983, assim como de 1992 a 1993, foi Vice-Primeiro-Ministro (1980-82), Ministro dos Negócios Estrangeiros (1980) e Ministro da Defesa Nacional (1981-82) nos governos da Aliança Democrática. Foi ainda presidente da União Europeia das Democracias Cristãs (1981-83) e presidente da 50ª Assembleia Geral da ONU (1995-96). Após o acidente de Camarate, que vitimou o Primeiro-Ministro Francisco Sá Carneiro em Dezembro de 1980, desempenhou o cargo de Primeiro-Ministro interino durante um mês. Candidato às eleições presidenciais de 1986, com o apoio do PSD e do CDS, obteve 48,8% dos votos, os quais foram contudo insuficientes para ultrapassar a votação obtida por Mário Soares, apoiado pelo PS.

FREP
Federação Revolucionária dos Estudantes Portugueses
Fundada em 7 de Novembro de 1974, a partir dos “Comités Ribeiro dos Santos“, os quais tinham sido criados nos finais de 1973 “no decurso do processo de luta em solidariedade com os operários da TAP”, que tinham desencadeado uma greve brutalmente reprimida em Junho daquele ano, procurava agrupar os estudantes portugueses em torno das palavras de ordem do MRPP para o sector estudantil. Publicou o jornal 12 de Outubro, cujo título constituía uma homenagem ao estudante José António Ribeiro dos Santos (1946-1972), assassinado pela PIDE em 12 de Outubro de 1972. A sua actividade cessou a partir de 1976.

FRS
Frente Republicana e Socialista
Coligação político-eleitoral fundada em 10 de Junho de 1980, agrupando o Partido Socialista, a União da Esquerda para a Democracia Socialista e a Acção Social Democrata Independente, com o objectivo de concorrer às eleições para a Assembleia da República de 5 de Outubro desse ano, nas quais obteve 1.606.198 votos (26,65%).

FSP
Frente Socialista Popular
Fundada em 9 de Janeiro de 1975, com base no Movimento Socialista Popular (MSP), um grupo autónomo liderado por Manuel Serra que integrou o Partido Socialista até ao seu I Congresso, realizado em Dezembro de 1974, onde as suas posições foram derrotadas. Integrou a Frente de Unidade Revolucionária (FUR) e, depois, a Frente Eleitoral Povo Unido (FEPU), juntamente com o PCP e o MDP/CDE, nas eleições autárquicas de 1976. Apoiou a candidatura de Otelo Saraiva de Carvalho à Presidência da República.
Concorreu ainda a outros dois actos eleitorais: para a Assembleia Constituinte de 1975 e para a Assembleia da República em 1976 tendo obtido, respectivamente, 66.307 votos (1,16%) e 42.162 (0,77%).

FUR
Frente de Unidade Revolucionária
Fundada a 2 de Setembro de 1975, após a saída do PCP da Frente Unida Popular (FUP), a qual tinha sido constituída numa reunião realizada a 25 de Agosto no Centro de Sociologia Militar, integrando o PCP – que, pouco depois, a abandonou –, a FSP, o MDP/CDE, a LCI, a LUAR, o MES, o PRP/BR, a Organização 1º de Maio (efemeramente), assim como duas correntes do MFA, a dos oficiais chamados “revolucionários” e os denominados “progressistas”. O seu objectivo era o de imprimir uma direcção unificada ao processo revolucionário então em curso, que permitisse o seu avanço. Desempenhou um papel activo nas movimentações político-militares que antecederam o 25 de Novembro, tendo-se extinguido imediatamente a seguir ao fracassado golpe.

GDUPs
Grupos Dinamizadores de Unidade Popular
Constituídos em 1976 pela UDP, MES, FSP e PRP, para apoiarem a candidatura de Otelo Saraiva de Carvalho à Presidência da República, transformaram-se em partido político em 25 de Outubro desse ano.
Durante a sua existência concorreram apenas às eleições Autárquicas de 1976, tendo-se extinguido no ano seguinte.

O GRITO DO POVO
Jornal comunista que começou a ser editado no Porto em Dezembro de 1971, passando a órgão da Organização Comunista Marxista-Leninista Portuguesa (OCMLP) a partir do nº 10, de Março de 1973. Com a integração de grande parte dos militantes da OCMLP no Partido Comunista Português (Reconstruído), em Abril de 1976, encerrou-se a sua 1ª série, voltando a editar-se após a reconstituição da OCMLP, em Outubro daquele ano. A sua publicação terminou em Maio de 1987, com o nº 71 da 3ª série, após a dissolução da OCMLP ocorrida no mês anterior.

LAPA
Liga de Acção Patriótica dos Açores
Organização efémera criada em Lisboa para combater a Frente de Libertação dos Açores (FLA) e outras forças que em 1975 reclamavam a independência dos Açores.

LCI
Liga Comunista Internacionalista
Fundada em Dezembro de 1973 numa Conferência organizada em S. Bernardino (Peniche) pelos Grupos de Acção Comunista (GACs), de tendência trotskista e que tinham sido criados no ano anterior, solicita de imediato a sua adesão à IV Internacional, que a reconhece como a sua organização simpatizante em Portugal. Assistiram à Conferência dois delegados da IV Internacional, Michael Löwy, filósofo brasileiro radicado em França, e Paco Robs, então responsável dos contactos da LCR francesa com o Estado Espanhol, tendo sido eleitos para o seu Comité Central, entre outros, João Cabral Fernandes por Lisboa, e Francisco Sardo pelo Porto. Durante o “Verão Quente” de 1975, foi uma das organizações que integraram a FUR (Frente de Unidade Revolucionária), tendo também lançado os SUV – Soldados Unidos Vencerão –, nos quais desempenham papel de destaque, entre outros, Ferreira Fernandes e Manuel Resende. Nas eleições de 1976 para a Presidência da República apresentou, juntamente com o Partido Revolucionário dos Trabalhadores (PRT), um candidato próprio, que acabou por desistir, vindo a apoiar o candidato do PCP, Octávio Pato (1925-1999). Em 1978 fundiu-se com o PRT formando o Partido Socialista Revolucionário (PSR) e criando um novo jornal, o Combate Operário, que substituiu o Luta Proletária.
Nas eleições para a Assembleia Constituinte de 1975, a que concorreu apenas em cinco círculos eleitorais, obteve 10.835 votos (0,19%). Nas eleições para a Assembleia da República, em 1976, conseguiu 16.269 votos (0,30%), e nas de 1979, já como PSR, 36.978 votos (0,62%), tendo aumentado para 60.496 votos (1,00%) nas eleições intercalares de 1979.

LUAR
Liga de Unidade e Acção Revolucionária
Fundada em Paris por Hermínio da Palma Inácio, a 19 de Junho de 1967, após o bem sucedido assalto à sucursal do Banco de Portugal na Figueira da Foz, ocorrida a 17 de Maio desse ano, e por aquele dirigido. Virada essencialmente para a acção directa e sem grandes preocupações teóricas  só em Junho de 1973 publicou no exterior o primeiro número do jornal Fronteira –, procurava fragilizar o regime fascista através de iniciativas espectaculares que, embora constituíssem uma demonstração de coragem individual, não deixavam de apresentar um carácter aventureiro, que a LUAR pagou caro, com a prisão dos seus militantes e a destruição da sua estrutura organizativa, como sucedeu por diversas vezes. Em Agosto de 1968, numa outra operação que envolvia mais de cinquenta pessoas, Palma Inácio entrou no país com um grupo armado, com o objectivo de ocupar temporariamente a Covilhã, mas foi acidentalmente detido em Moncorvo e a operação ficou sem efeito. Evadido da cadeia da PIDE no Porto, em 1969, Palma Inácio projectou em 1972 uma nova acção que envolvia o rapto de altas individualidades do regime, as quais seriam trocadas por presos políticos. A operação falhou, sendo Palma Inácio preso em Novembro de 1973 e a organização completamente desarticulada. No exterior, a resposta da LUAR à prisão do seu dirigente, que só foi libertado na sequência do 25 de Abril, foi a ocupação temporária do Consulado de Portugal em Roterdão, o qual já em 1971 tinha sido alvo de uma acção da organização, na qual conseguiu obter passaportes, bilhetes de identidade, licenças militares, carimbos e outra documentação destinada a facilitar a actividade antifascista. Nos primeiros anos após o 25 de Abril, a LUAR integrou a corrente da extrema-esquerda, nunca tendo participado em qualquer acto eleitoral. Com a cisão de grande parte dos seus militantes, em torno de Fernando Pereira Marques, ficou muito debilitada, acabando por se extinguir com a consolidação do novo regime, tendo Palma Inácio, assim como Pereira Marques, aderido ao Partido Socialista.

MAIORIA SILENCIOSA
Designação pela qual ficou conhecida, em Setembro de 1974, a tentativa de organização, por sectores da extrema-direita, de uma manifestação de apoio ao então Presidente da República, general Spínola, com o objectivo de reforçar a sua influência política e, consequentemente, impedir o desenvolvimento do processo de descolonização.

MARN
Movimento de Agricultores Rendeiros do Norte
Organização de carácter frentista, lançada pelo PCP a seguir ao 25 de Abril, veio a integrar-se na Confederação Nacional da Agricultura (CNA), criada no “Encontro das Organizações da Lavoura e dos Agricultores do Minho, Douro, Trás-os-Montes, Beiras e Delegações de outras Províncias”, realizado a 26 de Fevereiro de 1978, em Coimbra.

MATOS, Arnaldo (Santa Cruz, Madeira, 24/02/1939)
Dirigente histórico do Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses/Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado (PCTP/MRPP), e seu secretário-geral entre 1970 e 1979, quando abandonou voluntariamente aquele cargo, passando a dedicar-se à advocacia. Natural da vila de Santa Cruz, uma zona rural da Madeira, onde efectuou a instrução primária ao mesmo tempo que, dadas as dificuldades materiais da família, auxiliava o pai no pequeno estabelecimento comercial que este possuía. Com pouco tempo para estudar e sem possibilidades de frequentar o Liceu do Funchal, efectuou o antigo 5º ano estudando em casa ao mesmo tempo que continuava a trabalhar. Completou o antigo curso complementar no Liceu do Funchal em 1958, o agitado ano das eleições presidenciais, tendo então criado juntamente com os colegas um movimento de apoio ao General Humberto Delgado (1906-1965), sendo incumbido de escrever o respectivo Manifesto. Inscreveu-se, depois, na Faculdade Direito de Coimbra, mas em 1961 foi incluído nos mil e quinhentos estudantes enviados para Mafra, a fim de irem combater, como oficiais milicianos, na guerra colonial que entretanto se tinha desencadeado em Angola. Integrado numa companhia de Caçadores Especiais, foi mobilizado para Macau, onde estabeleceu uma relação próxima com Ramalho Eanes – de quem era alferes –, a qual viria a retomar durante o período pós-25 de Abril. A estadia em Macau foi fundamental para consolidar a sua formação política, pois o facto de a censura ser praticamente inexistente naquela antiga colónia proporcionou-lhe o acesso a literatura marxista, nomeadamente à oriunda da vizinha República Popular da China, numa época em que se vivia o auge do conflito sino-soviético. Transferido em 1964 para Moçambique, após o início da guerra naquela colónia, regressou a Portugal no ano seguinte inscrevendo-se na Faculdade de Direito de Lisboa, a fim de concluir o curso, embora sempre a trabalhar. Em 1968 participou na fundação da Esquerda Democrática Estudantil (EDE), criada na sequência da primeira manifestação em Portugal contra a Guerra do Vietname, a qual intervirá nas lutas estudantis de 1969 em Lisboa, assim como na campanha eleitoral para a Assembleia Nacional, realizada nesse ano, apelando à não participação nas eleições. Ainda em 1969, à frente de uma lista com o lema “Ao Trabalho”, e que se apresentava “contra a burocracia [e] contra o hermetismo”, conquistou a Associação Académica da Faculdade de Direito de Lisboa, derrotando a lista apoiada pelo PCP. A 18 de Setembro de 1970, numa casa da Estradado Poço do Chão, em Benfica, Lisboa, fundou o Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado (MRPP), de orientação maoísta, juntamente com Fernando Rosas, João Machado e Vidaúl Froes Ferreira, tendo sido eleito secretário-geral. Durante algum tempo, conseguiu manter uma vida dupla, a de dirigente partidário e a de advogado numa empresa multinacional, a SHELL, tendo sido no entanto obrigado a passar à clandestinidade a fim de não ser preso pela PIDE/DGS. Graças a um seu conhecimento da Faculdade de Direito – o major Aventino Teixeira, que tinha sido colocado na Escola Prática de Administração Militar (EPAM), no Lumiar, em Lisboa, e se dispusera então a estudar Direito –, Arnaldo Matos conseguiu encontrar o que se pode considerar o “esconderijo ideal” para quem era procurado pela PIDE/DGS: o quartel. A seguir ao 25 de Abril, como o MRPP se manteve numa semi-clandestinidade, era apresentado como “delegado do Comité Lenine” (designação do Comité Central). Em 28 de Maio de 1975 será um dos 432 militantes do MRPP presos, após o assalto às suas sedes por tropas do Comando Operacional do Continente (COPCON). Será na sequência destes acontecimentos que o MRPP passará a apresentá-lo como “Grande Dirigente e Educador da Classe Operária” – exigindo a sua libertação –, denominação que sempre afirmou repudiar, não obstante permitisse a sua utilização na imprensa partidária. A evasão, em 11 de Julho de 1975, do Hospital Militar Principal, à Estrela, para onde tinha sido transferido – tendo, contudo, o MRPP asseverado que fora “libertado pelo povo” –, ocorreu pouco depois de, um pouco por todo o país, terem surgido os célebres murais do MRPP, onde predominavam o amarelo e o vermelho, alguns dos quais reclamavam a sua libertação. Logo após a sua evasão, o MRPP organizou o maior comício da sua história, a 18 de Julho, no Campo Pequeno, no qual Arnaldo Matos avançou com as célebres palavras de ordem “A Revolução tem de avançar a todo o vapor” e “A vossa tarefa é tomar o poder, será que ides hesitar?”, que marcaram o ambiente político da época. Em 26 de Dezembro de 1976 o MRPP transformou-se no Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses (PCTP), num Congresso realizado em Lisboa, tendo Arnaldo Matos mantido o cargo de secretário-geral, que no entanto abandonará em 25 de Maio de 1979. A sua demissão fundamentava-se no facto de que embora formalmente fosse o secretário-geral, não eram “nem as concepções teóricas, nem a ideologia, nem a linha política, nem a táctica, nem as concepções de organização” que defendia, as que geralmente se aplicavam “no conjunto do Partido e no fundamental da sua actividade”. A partir de então, considerou-se apenas um militante comunista, que temporariamente não se podia dedicar à vida do partido, vindo no entanto a afirmar recentemente que regressará à actividade político-partidária logo que lhe seja possível.

MDJ
Movimento Democrático de Juventude
Organização de  juvenil do Movimento Democrático Português/Comissão Democrática Eleitoral (MDP/CDE) fundada após o 25 de Abril.

MDLP
Movimento Democrático de Libertação de Portugal
Organização de extrema-direita fundada em Junho de 1975 pelo General Spínola, no exílio, a fim de lutar contra o processo político que Portugal estava então a atravessar. Cessou a actividade após o 25 de Novembro de 1975, tendo Spínola regressado a Portugal e reintegrado nas Forças Armadas, vindo mais tarde a ser promovido ao posto de marechal (1981) durante o mandato presidencial de Ramalho Eanes.

MDM
Movimento Democrático de Mulheres
Associação de mulheres para a defesa dos seus direitos, foi fundada a partir das Comissões Eleitorais de Mulheres, criadas em 1968 no seio do movimento de oposição ao regime fascista, influenciado pelo PCP. Após as eleições para a Assembleia Nacional, realizadas no ano seguinte, as Comissões transformaram-se no Movimento Democrático de Mulheres. Não obstante a repressão então existente, o MDM comemorou em 1969 o 8 de Março, o que constituiu a primeira celebração pública desta data em Portugal.
Desde o seu início, integrou a Federação Democrática Internacional das Mulheres (FDMI), através do qual denunciou a situação das mulheres e do povo português sob o regime fascista. A 21 de Outubro de 1973, realizou o seu 1º Congresso Nacional, em Almada, cujas conclusões ressaltavam a defesa do direito ao planeamento familiar e ao aborto em condições que salvaguardassem a saúde da mulher. Legalizada após o 25 de Abril de 1974, participou em diversas acções de defesa dos direitos das mulheres, como igualdade de salário, protecção da maternidade, interrupção voluntária da maternidade, entre outras. É, actualmente, o movimento feminista mais antigo do país.

MDP/CDE
Movimento Democrático Português/Comissão Democrática Eleitoral
Fundado em 1969, então apenas com a denominação de Comissão Democrática Eleitoral (CDE), como coligação eleitoral da oposição ao regime fascista para concorrer às eleições para a Assembleia Nacional, realizadas em 26 de Outubro desse ano. Em 1973 participou no Congresso da Oposição Democrática, realizado em Aveiro. Depois do 25 de Abril, transformou-se em partido – no Outono desse ano –, tendo participado em todos os Governos Provisórios, com excepção do VI. Concorreu sozinho às eleições para a Assembleia Constituinte de 1975 – tendo obtido 236.318 votos (4,14%) e eleito 5 deputados –, e em todas as eleições realizadas a partir de 1976, em coligação com o PCP. Em 1987, em dissidência com aquele partido, já não participou na coligação eleitoral CDU, acabando por dar lugar, em 1994, ao movimento Política XXI, uma das organizações que esteve na fundação do Bloco de Esquerda.

MES
Movimento de Esquerda Socialista
Fundado em Maio de 1974, as suas origens remontam ao período da campanha eleitoral de 1969, quando um grupo de militantes do catolicismo progressista, intelectuais de diversos sectores e quadros do associativismo estudantil abandonaram a CDE, passando a actuar organizadamente, embora sem qualquer denominação partidária. No seu I Congresso, em Dezembro de 1974, a aprovação de uma linha radical levou ao abandono de um conjunto de militantes, entre os quais Jorge Sampaio, que vieram pouco depois a formar o grupo “Intervenção Socialista”, também conhecido por GIS. Foi uma das principais forças políticas animadoras da FUR, tendo tido uma participação expressiva entre os oficiais milicianos que prestavam serviço militar no período do denominado “Verão Quente” de 1975, os quais influenciaram algumas das posições políticas do Movimento das Forças Armadas (MFA). Concorreu às eleições para a Assembleia Constituinte, em 1975, e para a Assembleia da República, em 1976, tendo obtido, respectivamente, 58.248 votos (1,02%), e 31.332 votos (0,57%), nunca elegendo qualquer deputado. Nas eleições intercalares de Dezembro de 1979 apelou ao voto no PS ou na APU. Logo após o seu IV Congresso, realizado a 8 de Julho de 1979, iniciou um processo de autocrítica das posições políticas assumidas durante o período revolucionário, vindo a dissolver-se em 7 de Novembro de 1981, num jantar/festa realizado no pavilhão sobrevivente da Exposição do Mundo Português, em Lisboa. Alguns dos seus quadros viriam a ingressar, posteriormente, no PS, entre os quais Jorge Sampaio, Eduardo Ferro Rodrigues, Augusto Mateus e Alberto Martins. Entre as suas publicações, contam-se os jornais Esquerda Socialista, Poder Popular e Acção Sindical em 1974, Informação Militante em 1975 e A Luta Continua em 1976.

MFA
Movimento das Forças Armadas
Grupo de oficiais, na sua maioria capitães, responsável pelo golpe militar que pôs fim ao regime do Estado Novo, em 25 de Abril de 1974. As operações militares desencadeadas na madrugada daquele dia foram dirigidas no terreno por diversos capitães, entre os quais Salgueiro Maia (1944-1992), que comandou tropas vindas da Escola Prática de Cavalaria de Santarém. No quartel da Pontinha, centro de comando do MFA, as operações foram dirigidas pelo major Otelo Saraiva de Carvalho, considerado o principal estratega do golpe.

MIRN / MIRN – PDP
Movimento Independente para a Reconstrução Nacional / Movimento Independente para a Reconstrução Nacional – Partido da Direita Portuguesa.
Associação política de extrema-direita fundada em Setembro de 1976 pelo General Kaúlza de Arriaga (1915-2004), o qual foi seu presidente. Em 1979 transformou-se em Partido da Direita Portuguesa (PDP). Concorreu somente a um acto eleitoral, para a Assembleia da República nas eleições de 1980, em coligação com o Partido da Democracia Cristã e a Frente Nacional, nas quais obteve 23.819 votos (0,4%), vindo a extinguir-se pouco depois.

MJT
Movimento da Juventude Trabalhadora
Organização criada pelo PCP para a juventude trabalhadora aquando da campanha eleitoral de 1969, manteve-se na clandestinidade até ao 25 de Abril de 1974. No seu núcleo inicial contava-se um significativa percentagem de jovens metalúrgicos, dada a mobilização sindical então existente neste sector, que se traduziu na conquista do respectivo sindicato, nas eleições desse ano para a respectiva direção.
Nesta época, teve uma particular expressão no distrito do Porto. Com a criação da União da Juventude Comunista (UJC), logo a seguir à realização do VII Congresso (Extraordinário) do PCP, em 20 de Outubro de 1974, colocou-se a questão de manter, ou não, o MJT. Este ainda prosseguirá durante mais algum tempo, mas foi lentamente desaparecendo uma vez que a UJC proporcionava um melhor enquadramento para a concretização dos seus objectivos, transitando os seus militantes para aquela organização. Publicou, a partir do 25 de Abril de 1974, o jornal Jovem Trabalhador.

MOVIMENTO ALFA – BRIGADAS ESTUDANTIS DE TRABALHO E ALFABETIZAÇÃO
Grupos de estudantes constituídos com o objectivo de alfabetizar populações em diferentes pontos do país, e contribuir para a melhoria das suas condições de vida. Conheceram um grande impulso com a institucionalização do Serviço Cívico Estudantil a partir de Maio de 1975, e durante o ano lectivo de 1975/76, em virtude da suspensão da entrada no ensino Superior, durante esse ano, ter ocupado grande parte dos candidatos ao mesmo.

MOVIMENTO 25 DE ABRIL – BOLETIM INFORMATIVO DAS FORÇAS ARMADAS
Jornal editado pela Comissão Coordenadora do Programa do Movimento das Forças Armadas, publicou-se entre Setembro de 1974 e Agosto de 1975.

MPAC
Movimento Popular Anti-Colonial
Fundado em Janeiro de 1973, a partir dos Comités de Luta Anti-Colonial (CLACs), criados pelo MRPP no início de 1971, o que permitiu uma clara distinção com os outros CLACs, ligados ao PCP (m-l) e a outras organizações da mesma área ideológica. Até aos finais de 1972, os CLACs publicaram cinco números do seu jornal central, o qual, com a fundação do MPAC, passou a denominar-se O Anti-Colonialista.

MRPP / PCTP – MRPP
Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado / Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses.
As origens do MRPP remontam a Fevereiro de 1968 quando, no rescaldo de uma manifestação estudantil contra a Guerra do Vietname realizada defronte da Embaixada dos EUA em Lisboa, foi constituída a EDE – Esquerda Democrática Estudantil, que actuava no meio estudantil universitário da capital. Em 18 de Setembro de 1970 a EDE transformou-se no Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado (MRPP), numa reunião em que participaram Arnaldo Matos, João Machado, Fernando Rosas e Vidaúl Froes Ferreira, tendo o primeiro sido eleito secretário-geral. Antes do 25 de Abril o MRPP desenvolveu uma intensa actividade de agitação e propaganda no movimento estudantil da capital e junto do operariado das cinturas industriais de Lisboa, embora a sua base de apoio fosse predominantemente estudantil, e apenas na região de Lisboa exercesse alguma influência em certos sectores do operariado.
Após o 25 de Abril, e particularmente durante o denominado “Verão Quente”, manteve e reforçou a sua actividade de propaganda, ficando-se-lhe a dever alguns dos mais célebres murais então surgidos nas paredes de Lisboa, onde o amarelo e o vermelho constituíam as cores dominantes. Devido às posições anti-colonialistas que o MRPP manteve após o 25 de Abril, exigindo o fim imediato da guerra colonial e apelando para que “nem mais um só soldado” fosse mobilizado para as colónias – chegando a impedir o embarque de uma unidade militar para África –, José Luís Saldanha Sanches, então director-interino do seu órgão central, Luta Popular, foi preso a 7 de Junho de 1974 e encarcerado no Forte de Elvas. Em Março de 1975, o MRPP viu a sua actividade política suspensa até à data das eleições para a Assembleia Constituinte – às quais não pôde concorrer, sendo nesse período proibido de desenvolver propaganda pública, incluindo a realização de comícios –, sob a falsa acusação de uma “sua possível participação ou influência nas manobras contra-revolucionárias que deram origem à contra-revolução de 11 de Março” (Decreto nº 137-E/75, de 17 de Março). Em 28 de Maio de 1975 as sedes do MRPP da região de Lisboa foram ocupadas pelo Comando Operacional do Continente (COPCON) e presos 432 dos seus militantes, incluindo o secretário-geral Arnaldo Matos, e Fernando Rosas, Danilo Matos e Carlos Santos, membros do Comité Lenine (designação do Comité Central), os quais foram encarcerados em Caxias, Tires e Pinheiro da Cruz. Em Setembro de 1975, Arnaldo Matos lançou o “Apelo à esquerda” – a fim de os militantes do MRPP combaterem a “linha negra” existente no seu seio –, o qual, pouco depois, levou à saída de J. L. Saldanha Sanches e Maria José Morgado. Considerando o PCP um partido social-fascista e agente do social-imperialismo, o MRPP procurou combater as posições políticas deste partido, nomeadamente no campo sindical, tendo conseguido nessa época, através de uma política de alianças com outras forças políticas entre as quais o PS, conquistar à Intersindical as direcções de alguns sindicatos. O MRPP opôs-se ao 25 de Novembro, considerando-o uma “aventura social-fascista”, e durante o estado de sítio publicou o Luta Popular, que então era diário. Em 26 de Dezembro de 1976 o MRPP transformou-se em Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses (PCTP), passando a utilizar a sigla PCTP/MRPP. Entretanto, após a sua demissão em 25 de Maio de 1979, Arnaldo Matos foi substituído no cargo de secretário-geral, sendo o mesmo ocupado actualmente pelo operário electricista e sindicalista no Metropolitano de Lisboa, Luís Franco, embora a sua personalidade mais conhecida seja o advogado António Garcia Pereira, candidato do PCTP/MRPP à Presidência da República em 2001 e em 2006, assim como a outros cargos públicos. Com excepção das eleições para a Assembleia Constituinte, o PCTP/MRPP participou em todos os actos eleitorais para a Assembleia da República desde então realizados, sem nunca eleger qualquer deputado. Até ao início dos anos 80 obteve os seguintes resultados: 1976: 36.200 votos (0,66%), intercalar de 1979: 53.268 votos (0,89%), 1980: 35.409 votos (0,59%), e 1983: 20.995 votos (0,37%).

MURPI
Movimento Unitário de Reformados Pensionistas e Idosos
Fundado em 27 de Maio de 1978, numa Conferência Nacional realizada em Lisboa, com o objectivo de traduzir, num movimento colectivo, os centros de convívio, as associações e comissões de reformados, que se foram desenvolvendo no pós-25 de Abril. Em 1994, transformou-se em Confederação Nacional dos Reformados, pensionistas e Idosos/MURPI.

8 DE MARÇO – DIA INTERNACIONAL DA MULHER
A origem histórica da celebração do dia 8 de Março como Dia Internacional da Mulher data de 1910, quando a comunista alemã Clara Zetkin (1857–1933) lançou um apelo à luta do proletariado mundial contra o perigo de guerra imperialista, na I Conferência Internacional da Mulher Socialista, realizada em Copenhaga, e propôs que o 8 de Março fosse assinalado em todo o mundo como o dia da mulher trabalhadora, tendo presente a dramática luta de 8 de Março de 1857 das operárias têxteis de Nova Iorque.
Estas lutavam pela redução da jornada diária de trabalho, de 16 para 10 horas, e por um salário igual ao dos homens, dado que recebiam apenas um terço do auferido por aqueles. As grevistas fecharam-se na fábrica onde, entretanto, deflagrou um incêndio, tendo morrido queimadas cento e vinte e nove operárias. Desde 1975, o Dia Internacional da Mulher é patrocinado pela Organização das Nações Unidas.

OCMLP
Organização Comunista Marxista-Leninista Portuguesa
Constituída nos finais de 1972, como resultado da integração do grupo organizado no exterior em torno do jornal O Comunista (fundado em Paris em 1968) na organização que, no interior do país, publicava o jornal O Grito do Povo (fundada no Porto nos finais de 1969). A OCMLP foi a principal força política que organizou e dirigiu a manifestação popular de boicote ao congresso que o CDS tentou realizar no Palácio de Cristal do Porto em 25 de Janeiro de 1975, assim como as grandes manifestações de 8 de Março, no Porto e em S. João da Madeira, pelo direito ao trabalho. As transformações políticas decorrentes dos acontecimentos do 11 de Março de 1975, provocando uma alteração da correlação de forças e o consequente aumento da influência do PCP no aparelho de Estado, incluindo no sector das Forças Armadas, levaram a OCMLP a alterar progressivamente a sua linha política, passando a colocar a tónica principal na defesa da democracia e da independência nacional. Em Agosto de 1975 a OCMLP aceitou integrar, juntamente com a ORPC (m-l) e o CMLP uma Comissão Organizadora para a Reconstrução do Partido Comunista, iniciando-se a partir de então um processo de discussão com vista à concretização daquele objectivo. A agudização da situação política registada durante aquele período, colocando o país numa situação de pré-guerra civil – contra a qual a OCMLP desenvolveu uma intensa campanha –, agravou as divergências políticas e ideológicas que já então se manifestavam entre a OCMLP e as outras duas organizações, nomeadamente quanto ao perigo representado pelo social-imperialismo – que a OCMLP considerava ser o mais perigoso –, as quais acabaram por se manifestar insanáveis. A clarificação da linha da OCMLP no sentido de combater o que considerava constituir a ameaça do social-fascismo e do social-imperialismo, em consonância com a orientação que o Partido Comunista da China então defendia, e a posição de condenar o 25 de Novembro como um golpe perpetrado pelo PCP e seus aliados – e no qual a UDP chegou a colaborar, tendo alguns dos seus destacados militantes passado a noite de 25 de Novembro a erguer trincheiras para defender as posições dos militares sublevados –, levou as outras duas organizações a apresentarem, a 1 de Dezembro de 1975, um ultimato à OCMLP que defendia a realização imediata do Congresso de reconstrução do partido, relegando para um momento posterior a definição da linha política e ideológica que este deveria adoptar. Esta situação levou à realização da II Conferência Nacional da OCMLP que, na sua 2ª Sessão deliberou reiniciar as conversações com o PCP (R) – entretanto constituído, em 28 de Dezembro de 1975 –, as quais acabaram por conduzir à integração de grande parte dos seus militantes naquele partido, em Abril de 1976. Os militantes que recusaram a integração irão, na sua maioria, reorganizar a OCMLP em Outubro de 1976, a qual se manteve em actividade até Abril de 1987, quando se dissolveu, numa Conferência Consultiva então realizada. A fim de participar nas eleições para a Assembleia Constituinte, a OCMLP lançou a Frente Eleitoral de Comunistas (marxistas-leninistas) [FEC (m-l)], tendo obtido 33.185 votos (0,58%). Já como OCMLP, concorreu às eleições para a Assembleia da República em 1979, 1980 e 1983, tendo obtido, respectivamente, os seguintes resultados: 3.433 votos (0,06%), 3.913 votos (0,06%), e 6.113 votos (0,11%), os quais traduziam claramente a debilidade que a OCMLP conheceu após a integração da maioria dos seus militantes no PCP (R) em 1976, situação da qual nunca chegou verdadeiramente a recompor-se.

ORPC (M-L)
Organização para a Reconstrução do Partido Comunista (marxista-leninista)
Fundada em Maio de 1975, em resultado da unificação do CARP (m-l), URML e CCR (m-l) veio a extinguir-se em Dezembro de 1975, após a fusão com o CMLP, no congresso que deu origem ao PCP (R). Editou o jornal Causa Operária e teve como órgão teórico a revista Revolução Proletária.

OUT
Organização Unitária de Trabalhadores
Fundada em 1978, com base numa cisão no PRP, veio mais tarde a legalizar-se como Força de Unidade Popular (FUP), tendo o major Otelo Saraiva de Carvalho como seu principal dirigente. Como OUT, manteve-se em actividade até 1982.

PATO, Octávio (Vila Franca de Xira, 1/4/1925 – Lisboa, 19/2/1999)
Destacado dirigente do PCP, foi membro da comissão central da MUD Juvenil, do qual foi um dos principais impulsionadores. Em 1949, foi eleito para o Comité Central do PCP como membro suplente, passando a efectivo em 1951. Preso pela PIDE em Dezembro de 1961, foi barbaramente torturado  a chegando a ser espancado durante o próprio julgamento, no Tribunal Plenário de Lisboa –, tendo sido condenado a 8 anos e meio de cadeia, com “mediadas de segurança”. Libertado em 1970, após um movimento de solidariedade nacional e internacional, passou de novo à clandestinidade, sendo pouco tempo depois chamado ao Secretariado e à Comissão Executiva do PCP. Depois do 25 de Abril, foi deputado e Presidente do Grupo Parlamentar do PCP na Assembleia Constituinte, em 1975, e deputado da Assembleia da República de 1976 a 1991. No PCP, foi membro da Comissão Central de Controlo e Quadros de 1988 a 1992, membro da Comissão Política de 1974 a 1988 e do Secretariado do Comité Central de 1974 até ao fim da sua vida. Foi ainda candidato à Presidência da República em 1976, tendo ficado em quarto e último lugar, com 365.586 votos (7,59%).

PCP (M-L)
Partido Comunista de Portugal (marxista-leninista)
Fundado em Paris, num Congresso realizado em Agosto de 1970, com base na transformação do CMLP, que considerava ter cumprido o seu papel de reunião das condições necessárias à reconstituição do Partido Comunista, o PCP (m-l) desenvolveu nesta época a sua principal actividade essencialmente no seio do movimento estudantil – através da União dos Estudantes Comunistas (marxistas-leninistas) [UEC (m-l)] – e, no exterior, junto da emigração, através da publicação do jornal O Salto, do trabalho em associações de emigrantes como a Liga Portuguesa do Ensino e Cultura Popular e o Movimento dos Trabalhadores Portugueses Emigrados, que promoveu os I Jogos Florais Portugueses na Emigração em Junho de 1973. Divergências políticas e organizativas entre vários membros do comité central, quer entre os que se encontravam no exterior [entre os quais Heduíno dos Santos Gomes (“Vilar”)], quer entre alguns destes e o elemento que se encontrava no interior [António Francisco da Fonseca Janeiro (“Mendes”)], manifestadas ao longo dos anos de 1972 e 1973, desembocaram numa aguda crise interna que levou à realização precipitada em Paris de uma Conferência, em Março de 1974, convocada por “Vilar” e sem participação de representantes do interior, da qual resultou a expulsão dos restantes membros do comité central. A reacção destes desencadeou uma crise generalizada, com reflexos nas várias organizações que o PCP (m-l) influenciava, com ataques de parte a parte e a edição de comunicados e publicações em que se denunciavam mutuamente. O 25 de Abril permitiu a vinda para Portugal da grande maioria da organização do exterior, incluindo os dirigentes de ambas as facções, sendo o PCP (m-l) dirigido por “Vilar” o que permanecerá no panorama político português, acabando o outro por se dissolver em Abril de 1975, negando a validade do Congresso de 1970 e voltando a denominar-se CMLP, ao mesmo tempo que se inseria num movimento pela reconstrução do partido com outras organizações congéneres. A seguir ao 25 de Abril o PCP (m-l) dirigido por “Vilar” rapidamente se diferenciou das outras organizações marxistas-leninistas ao considerar o social-fascismo e o social-imperialismo como os inimigos principais, o que o levou a adoptar uma orientação que visava aliar-se a todas as forças políticas que combatessem a influência dos seus representantes em Portugal. O PCP (m-l) foi a única organização marxista-leninista a ser reconhecida pelo Partido Comunista da China como “partido irmão”, desde 1975, tendo os seus dirigentes visitado a R. P. da China por diversas vezes. Em 1979 criou o Partido Trabalhista, tendo-se dissolvido em Março do ano seguinte, no VIII Congresso, então realizado.
Um pequeno grupo de militantes que recusavam o “Projecto Trabalhista” constituiu então a Organização Pró-Partido dos Trabalhadores de Portugal, a qual teve contudo uma existência efémera, o mesmo se verificando com o referido Partido Trabalhista, cuja actividade cessou praticamente à nascença.

PCP
Partido Comunista Português
Fundado a 6 de Março de 1921, como Secção Portuguesa da Internacional Comunista (IC), é o partido político activo mais antigo de Portugal. Durante os primeiros anos, teve dificuldade em criar uma estrutura orgânica estável, situação que se reflectiu na sua capacidade para influenciar o operariado, então dominado pelo anarquismo e o anarco-sindicalismo. Com falta de quadros, sem uma clara linha política nem uma intervenção consequente, cedo emergiram no seu seio disputas pessoais, para além de divergências insanáveis, motivadas pelas diferentes interpretações sobre a orientação a seguir. Estas diziam respeito à aplicação das resoluções adoptadas no IV Congresso da IC, onde uma delegação do PCP tinha participado. Para a sua resolução foi necessário convocar uma conferência de militantes, realizada a 4 de Março de 1923, da qual saiu um novo Comité Central (CC), que suspendeu a actividade do PCP até à intervenção da IC. Em Agosto de 1923, Jules Humbert-Droz (1891-1971) – o delegado enviado pela IC para resolver os problemas da sua Secção Portuguesa – decidiu apoiar o grupo de José Carlos Rates (1879-1945) e convocar o I Congresso do PCP para 12 de Novembro desse ano. No entanto, Rates, que tinha sido eleito secretário-geral pouco antes desse Congresso – pela primeira vez na história do PCP – abandonará o partido em 1925 em troca de um lugar bem remunerado como redactor d’O Século, tendo aderido em 1931 à União Nacional e ao regime do Estado Novo. Apesar de ter obtido alguns pequenos sucessos a nível organizativo, nomeadamente no Porto, a persistência das dificuldades conduziram à convocação do II Congresso do PCP, para 29 e 30 de Maio de 1926. Interrompido em consequência do golpe militar, o Congresso lançou, mesmo assim, um apelo à unidade operária perante a ameaça do fascismo, mas no ano seguinte o PCP será obrigado a passar à clandestinidade em virtude da repressão então instalada no país. Por iniciativa do operário do Arsenal Bento Gonçalves (1902-1942) será então convocada a Conferência de Abril de 1929, que reorganizará o PCP, elegendo um novo CC – sendo Bento eleito secretário-geral –, adoptando normas leninistas de organização e iniciando um sério trabalho de ligação ao operariado, iniciando-se também a partir de 15 de Fevereiro de 1931 a publicação do Avante!, o novo órgão central. O PCP participará na fracassada greve geral revolucionária do 18 de Janeiro de 1934, que só registou um efémero sucesso na Marinha Grande, onde o partido organizou e dirigiu os acontecimentos. O agravamento da repressão levou à prisão de inúmeros dirigentes e militantes do PCP, entre os quais Bento Gonçalves, em 11 de Novembro de 1935, pouco depois de ter regressado do VII Congresso da Internacional Comunista, em Moscovo, o qual foi enviado para o Campo de Concentração do Tarrafal, onde veio a morrer em 11 de Setembro de 1942. Com uma estrutura clandestina frágil, o PCP não consegue conservar uma Direcção estável, sofrendo sucessivos golpes por parte da repressão, o que motiva o corte de relações em 1939 por parte da IC, em virtude da Direcção do partido não lhe merecer confiança, situação que traduz bem a grave crise então instalada. A amnistia dos Centenários, em 1940, trouxe do Tarrafal e de Angra um conjunto de destacados militantes comunistas, que de imediato se lançaram na reorganização do PCP, seguindo instruções de Bento Gonçalves, tendo criado uma nova organização partidária e um novo CC, à margem dos existentes. Até 1945 permaneceu uma situação em que existiam dois partidos com o mesmo nome, dois CC’s, assim como dois Avante!, vindo no entanto os reorganizadores a permanecer no panorama político nacional, em virtude da desagregação dos seus antagonistas. No processo de reorganização de 1940/41 desempenharam um papel fundamental Júlio Fogaça (1907-1980), José Gregório (1908-1961), Militão Ribeiro (1896-1950), Joaquim Pires Jorge (1907-1984), Manuel Guedes (1909-1983), Sérgio Vilarigues (1904-2007), Pedro Soares (1915-1975), Américo de Sousa, aos quais se juntaram Álvaro Cunhal – libertado em Novembro de 1940 – e António Dias Lourenço, entre outros. O PCP é reorganizado em moldes leninistas, passando a dispor de um sólido núcleo de militantes profissionais, uma direcção colectiva e estável, disciplina firme e rigor conspirativo, ao mesmo tempo que era garantida a regularidade da imprensa. A reorganização culmina com a realização do III Congresso (I Congresso ilegal), em Novembro de 1943, no Monte do Estoril, no qual são analisadas as grandes greves operárias desencadeadas no início dos anos 40 na região de Lisboa, particularmente a de Julho/Agosto de 1943. No seguimento do Congresso, tanto o número de militantes como a influência política do PCP na sociedade portuguesa crescem substancialmente, o que facilitou a criação do Movimento de Unidade Nacional Antifascista (MUNAF), em Dezembro de 1943 – que procurava agrupar todos os sectores da oposição –, e o lançamento dos Grupos Antifascistas de Combate (GACs), no início do ano seguinte, uma tentativa de organizar uma acção armada contra o fascismo.
Com o fim da II Guerra Mundial e sob a influência do enorme prestígio que a URSS tinha granjeado, criam-se excelentes condições para o alargamento da actividade do PCP, não obstante a feroz repressão a que continuava submetido. O regime passa à defensiva, permitindo a constituição em Outubro de 1945 de uma organização oposicionista legal, o Movimento de Unidade Democrática (MUD) – e, em Julho de 1946, o MUD Juvenil –, nos quais o PCP irá exercer uma enorme influência. Com a amnistia, então decretada, regressam do Tarrafal inúmeros quadros do partido, que vê também as suas fileiras crescerem rapidamente vivendo então o seu período de maior influência política até ao final do fascismo.
Em Julho de 1946, na Lousã, realiza-se o IV Congresso, no qual é derrotada a linha da “política de transição” – que tinha tido origem na Organização Comunista Prisional do Tarrafal (OCPT), em 1944, e fora defendida, principalmente, por Fogaça –, tendo Cunhal apresentado o Informe Político do CC – “O Caminho para o Derrubamento do Fascismo” –, o qual marcou a estratégia do PCP para as décadas seguintes. Em 1947, após uma viagem clandestina de Cunhal à URSS foram reatadas as relações com o Partido Comunista da União Soviética (PCUS) e o Movimento Comunista Internacional (MCI), interrompidas desde 1939. A 25 de Março de 1949, a repressão desfere um tremendo golpe no PCP, ao prender Álvaro Cunhal numa casa clandestina do Luso, juntamente com Militão Ribeiro e Sofia Ferreira. A realização do XX Congresso do PCUS em Fevereiro de 1956, com a aprovação das novas teses de “coexistência pacífica”, possibilidade de “transição pacífica e parlamentar ao socialismo”, “crítica ao culto de personalidade”, tiveram pleno acolhimento no PCP, como se veio a comprovar no V Congresso, realizado em Setembro de 1957, no Estoril, quando Júlio Fogaça, agora o seu principal dirigente e autor do Relatório Político então apresentado, defendeu a possibilidade de um “entendimento entre o proletariado e a burguesia não monopolista” e aceitando a tese da possibilidade da passagem do capitalismo para o socialismo por via pacífica. As eleições presidenciais de 1958 e o entusiasmo popular com que foi recebida a candidatura do General Humberto Delgado (1906-1965) levaram o PCP a apoiá-lo, desistindo do seu candidato Arlindo Vicente (1906-1977). A evasão da Cadeia do Forte de Peniche, em 3 de Janeiro de 1960, de Álvaro Cunhal e outros destacados dirigentes comunistas, para além de constituir um êxito espectacular, veio permitir a crítica ao “desvio de direita” dos anos 1956-1959. A tarefa será realizada por Cunhal – eleito secretário-geral em Março de 1961 –, que então avançará com o objectivo do “levantamento nacional” para derrubar o fascismo, embora em breve tenha de se concentrar num outro “desvio” por ele considerado “esquerdista”, resultante dos ecos internos da cisão no MCI, entre o PCUS e o Partido Comunista da China. Na reunião do CC realizada em Moscovo em Agosto de 1963, Francisco Martins Rodrigues (1927-2008), membro do Comité Executivo, questionou a linha política do PCP, manifestando as suas divergências, que sintetizou em três questões principais: “a via para o levantamento nacional e a questão da luta armada”, “a direcção proletária da revolução e a política da unidade nacional anti-fascista”, e a “linha do movimento comunista internacional e a luta contra o imperialismo e o revisionismo”. Isolado naquela reunião do CC, Martins Rodrigues em breve abandonará o PCP, fundando a Frente de Acção Popular (FAP), em Janeiro de 1964, e o Comité Marxista-Leninista Português (CMLP), em Abril do mesmo ano. Em Setembro de 1965, o VI Congresso do PCP, realizado em Kiev, na URSS, aprovou o Relatório “Rumo à Vitória - As Tarefas do Partido na Revolução Democrática e Nacional”, que tinha sido apresentado ao CC por Álvaro Cunhal, em Abril de 1964, o qual consagrava a nova orientação do PCP consubstanciada na linha da “revolução democrática e nacional”. Entretanto, em 1961, tinha-se desencadeado a guerra colonial, à qual o PCP se opôs, reconhecendo aos povos das colónias o direito à imediata independência, embora defendesse que os seus militantes a deveriam fazer, apenas admitindo as deserções desde que “organizadas, em grupo e no terreno”. Em Outubro de 1970, criou a Acção Revolucionária Armada (ARA), que realizou várias acções de sabotagem do esforço de guerra, suspendendo contudo a actividade a partir do 1º de Maio de 1973. Após o 25 de Abril de 1974, o sobretudo no período entre o 11 de Março e o 25 de Novembro de 1975 – por exemplo, na questão da unicidade sindical, no programa de nacionalizações e na reforma agrária –, defendendo uma “aliança entre o povo e o MFA”. O PCP participou nos seis Governos Provisórios, no período 1974-76, assim como em todas as eleições realizadas desde o 25 de Abril.

PCP (R) / PC (R)
Partido Comunista Português (Reconstruído) / Partido Comunista (Reconstruído)
Fundado no denominado Congresso de Reconstrução do Partido, realizado em 28 de Dezembro de 1975, a partir da fusão da ORPC (m-l) e do CMLP. Em Abril do ano seguinte integraram-se nas suas fileiras grande parte dos militantes da OCMLP. Naquele Congresso, José Caiado, um operário de Alhos Vedros, foi eleito 1º Secretário do Comité Central, sendo também eleitos para o Secretariado, Francisco Martins Rodrigues, António Carriço e Frederico de Carvalho. Todo o processo que levou à constituição do PCP (R) foi fortemente influenciado por Diógenes Arruda (“Vinhas”) (1914-1979), um dirigente histórico do Partido Comunista do Brasil, exilado em Paris, mas que no início de 1976 se instalará em Lisboa, passando a participar nas reuniões do Comité Central. Será ele o responsável pelo lançamento, a partir de Abril desse ano, do “processo de revolucionarização e proletarização”, que resultará na promoção a 1º Secretário de José Martins, um operário electricista, e que conduzirá ao afastamento de Francisco Martins Rodrigues, e outros militantes, de postos de Direcção. Será também por influência de Arruda que o PCP (R) passará a alinhar definitivamente com as posições políticas do Partido do Trabalho da Albânia (PTA), contra as do Partido Comunista da China, tendo uma delegação do PTA participado num comício realizado em 18 de Abril de 1977, na Praça de Touros do Campo Pequeno, por ocasião do seu II Congresso, o qual consagrará também a linha do “25 de Abril do Povo” e Eduardo Pires como novo líder. A partir de 1977 o PCP (R) começará a registar sucessivos abandonos e deserções de militantes e, na sequência do seu III Congresso, realizado em Março de 1979, conhecerá uma das suas maiores cisões, na sequência da expulsão de quatro dirigentes sob a acusação de “fraccionismo” e “direitismo”.
Com estes, solidarizar-se-ão António Carriço e João Carlos Espada (então director da Voz do Povo), que também abandonarão o PCP (R), sendo acompanhados por algumas centenas de militantes, incluindo quase todo o sector estudantil e a maioria dos redactores da Voz do Povo, fundando então uma efémera organização denominada “Unidade Comunista”. O III Congresso adoptará também a nova denominação de Partido Comunista (Reconstruído) [PC (R)], passando José Alves a exercer o cargo de 1º Secretário, embora Eduardo Pires conservasse a sua influência. No seu IV Congresso, em Março de 1983, será a vez de Francisco Martins Rodrigues (1927-2008) abandonar o PC (R), que classificou como “centrista”, constituindo no ano seguinte a Organização Comunista “Política Operária” com os militantes que o acompanharam. A debilidade do PC (R) é então evidente, traduzida pelos resultados eleitorais da UDP nas eleições legislativas de 1983, nas quais participou coligada com um partido trotskista, o Partido Socialista Revolucionário, embora no seu V Congresso, de 1986, o PC(R) tivesse reafirmado o apoio ao Partido do Trabalho da Albânia. O VI Congresso, em Junho de 1992, no qual a Albânia, assim como o stalinismo, serão criticados, aprovará a sua dissolução e transformação na associação política “Comunistas pela Democracia e Progresso” (CDP) – dirigida por Luís Fazenda –, a qual terá no entanto uma vida efémera, integrando-se na UDP em 1995. O PC (R) concorreu a dois actos eleitorais para a Assembleia da República, em 1985 e 1987, tendo obtido, respectivamente, 12.749 votos (0,22%), e 18.544 votos (0,33%).

PDC
Partido de Democracia Cristã
Fundado em 23 de Maio de 1974 por um grupo de personalidades ligadas à direita tradicional, entre as quais o major José Sanches Osório – seu Secretário-geral a partir de Janeiro de 1975 –, em resultado de uma dissidência ocorrida após a fusão do Partido Cristão Social Democrata (PCSD) com o Partido Democrático Popular Cristão (PDPC), ambos surgidos logo após o 25 de Abril de 1974. Inscrito no Supremo Tribunal de Justiça em 13 de Fevereiro de 1975, viu a sua actividade política suspensa até à data das eleições para a Assembleia Constituinte – às quais não pôde concorrer, sendo nesse período proibido de desenvolver propaganda pública, incluindo a realização de comícios –, sob a acusação de uma sua possível participação nos acontecimentos do 11 de Março de 1975. Concorreu às eleições para a Assembleia da República de 1976, intercalares de 1979, 1983, 1985 e 1987 tendo obtido, respectivamente, 29.874 votos (0,54%), 72.514 votos (1,21%), 39.180 votos (0,69%), 41.831 votos (0,72%) e 31.667 votos (0,56%). Nas eleições legislativas de 1980 integrou uma coligação com o MIRN/PDP e a FN. Praticamente sem actividade política desde os finais da década de 80, foi extinto em 20 de Agosto de 2004, por não apresentar as suas contas durante três anos consecutivos. Publicou o jornal Presença Democrática.

PINTASILGO, Maria de Lourdes (Abrantes, 18/1/1930 – Lisboa, 10/7/2004)
Licenciada em Engenharia Químico-Industrial, em 1953, pelo Instituto Superior Técnico. Foi presidente da Juventude Universitária Católica Feminina, entre 1952 e 1956, e dirigente da Pax Romana – Movimento Internacional dos Estudantes Católicos, entre 1956 e 1958. Procuradora à Câmara Corporativa entre 1965 e 1974, depois do 25 de Abril integrou os II e III Governos Provisórios, como Ministra dos Assuntos Sociais. Foi candidata à Presidência da República Portuguesa em 1986, ano em que fundou o Movimento para o Aprofundamento da Democracia, embaixadora na UNESCO e deputada do Partido Socialista ao Parlamento Europeu, em 1987. Publicou algumas obras sobre o papel da Igreja Católica na sociedade, e sobre a intervenção política das mulheres. Foi a única mulher que desempenhou o cargo de Primeiro-ministro em Portugal, tendo chefiado o V Governo Constitucional, de 31 de Julho a 27 de Dezembro de 1979.

PPD / PPD – PSD
Partido Popular Democrático / Partido Popular Democrático – Partido Social Democrata
Fundado em 6 de Maio de 1974 por Francisco Sá Carneiro (1934-1980), Francisco Pinto Balsemão e Joaquim Magalhães Mota (1935-2007), sob o lema “social-democracia para Portugal”. Na sua origem esteve a denominada “Ala Liberal” da Assembleia Nacional do período anterior ao 25 de Abril, à qual se juntaram elementos provenientes da SEDES, da CDE, da CEUD, assim como alguns católicos e republicanos históricos. O PPD participou, tal como o PS, em cinco Governos provisórios, tendo sido o segundo partido mais votado nas eleições para a Assembleia Constituinte. Ganhou as primeiras eleições regionais dos Açores e da Madeira. Em 1975, em virtude da ausência no estrangeiro do seu líder carismático, Francisco Sá Carneiro, por motivos de saúde, foi dirigido por Emídio Guerreiro (1899-2005), um histórico militante da oposição ao regime do Estado Novo. Ainda nesse ano, conheceu um dos muitos períodos agitados que desde então marcaram a sua existência, registando uma importante cisão no II Congresso, realizado em Aveiro, em 6 e 7 de Dezembro de 1975, protagonizada por Emídio Guerreiro, Jorge Sá Borges e Carlos Mota Pinto (1936-1985), Vasco Graça Moura, Miguel Veiga, Carlos Macedo (1938- ), José Augusto Seabra (1939-2004), entre outros opositores a Sá Carneiro – entretanto regressado –, que a 8 de Fevereiro de 1976 criaram o Movimento Social-Democrata (MSD). Em 1976, juntamente com o PS e o CDS, apoiou a candidatura vitoriosa do General Ramalho Eanes à Presidência da República. Frustrando a possibilidade dos dissidentes do PPD transformarem o MSD em Partido, usando a denominação “Social-Democrata”, Sá Carneiro propõe em Setembro de 1976 a alteração do nome do PPD para PPD/PSD, embora desde então os seus militantes utilizem apenas a designação Partido Social Democrata, com a excepção de Santana Lopes que sempre insistiu em usar a dupla denominação. Em 1977, Sá Carneiro abandonou a liderança do Partido, por considerar a orientação política da sua Direcção demasiado conciliadora com o PS e com o Presidente da República Ramalho Eanes, preconizando a formação de um bloco alternativo que clarificasse a vida política do país, ainda submetida às disposições do Conselho da Revolução. Entre os finais de 1977 e o início de 1978, o PSD foi liderado por António de Sousa Franco, que no entanto renunciaria ao cargo por falta de condições para o exercer. Sá Carneiro, entretanto de novo regressado, incrementa os ataques ao PS, ao poder político-militar e ao que considerava serem as ambiguidades do Presidente da República, críticas que se acentuam quando Eanes inicia a fase dos Governos de “iniciativa presidencial”, em 1978-79. A actuação do líder provocou, no entanto, nova cisão no Partido, com o abandono de 37 dos então 73 deputados do PSD, que juntamente com outros militantes tinham subscrito o documento “PSD: Opções Inadiáveis”, promovido por Pinto Balsemão, ao qual aderiram Marques Mendes, António Sousa Franco (1942-2004), Artur Cunha Leal, entre outros. Poucos meses depois, o PSD celebrou com o CDS e o PPM o acordo que criou a Aliança Democrática (AD), a qual viria a alcançar a maioria absoluta, pela primeira vez na história eleitoral do pós-25 de Abril, nas eleições legislativas de 1979 – que conduziriam Sá Carneiro à chefia do VI Governo Constitucional –, repetindo essa maioria nas de Outubro de 1980. Em Dezembro de 1980 o PSD sofreu um golpe brutal com a morte de Sá Carneiro num acidente de aviação, ocorrido durante a campanha eleitoral para a Presidência da República, na qual apoiava o General Soares Carneiro contra o General Ramalho Eanes.
Francisco Pinto Balsemão assumiria então a liderança do Partido, assim como a chefia do Governo, de 1980 a 1983. Após as fugazes lideranças de Nuno Rodrigues dos Santos (1910-1984), em 1983-1984, e de Carlos Mota Pinto (1936-1985), em 1984-1985, começou a desenhar-se a ascensão de Cavaco Silva que pouco depois sairia vitorioso do XII Congresso, realizado na Figueira da Foz em 17 e 19 de Maio de 1985, assim como das eleições legislativas realizadas em Outubro desse ano, inaugurando um novo período na história do PSD.

PRP – BR
Partido Revolucionário do Proletariado – Brigadas Revolucionárias
Fundado em Setembro de 1973, num congresso convocado pelas Brigadas Revolucionárias (BR), as quais tinham surgido dois anos antes na sequência de uma cisão registada na Frente Patriótica de Libertação Nacional (FPLN), sedeada em Argel, as quais passaram então a constituir o seu braço armado.
A destruição da base secreta da NATO no Pinhal do Arneiro (Fonte da Telha, Setúbal) em 7 de Novembro de 1971, marcou o início de uma série de acções armadas e de propaganda contra o regime fascista que as BR desencadearam até ao 25 de Abril. Durante esse período, realizaram algumas acções bem sucedidas, provocando sabotagens e destruições em instalações militares e em organismos oficiais, para além de assaltos a instalações bancárias com o objectivo de conseguirem fundos para financiamento da sua actividade. Recorreram também a acções de propaganda através do rebentamento de petardos, como a que acompanhou uma largada, no Rossio e em Alcântara, de dois porcos simbolicamente vestidos de almirante, a fim de denunciarem a eleição presidencial do Almirante Américo Tomás (1894-1987), em Julho de 1972. Após o 25 de Abril o PRP passou a desenvolver uma actividade política, suspendendo as acções armadas, embora tivesse recusado participar nas eleições para a Assembleia Constituinte em 1975 – que classificava de burguesas –, contrapondo o slogan “A arma é o voto do povo”. Os seus principais dirigentes, Carlos Antunes e Isabel do Carmo, exerceram uma influência considerável nalguns militares do Comando Operacional do Continente (COPCON), como Otelo Saraiva de Carvalho, e nas propostas que este então apresentou, sintetizadas no denominado “Documento do COPCON”. Em Setembro de 1975 integrou a Frente de Unidade Revolucionária (FUR), juntamente com outros partidos de extrema-esquerda, tendo também dinamizado a organização dos Soldados Unidos Vencerão (SUV). Após a campanha eleitoral de 1976 para a Presidência da República – na qual apoiou a candidatura de Otelo Saraiva de Carvalho –, sofreu uma cisão que veio a dar origem à Organização Unitária de Trabalhadores (OUT), acabando o PRP por se extinguir.

PRT
Partido Revolucionário dos Trabalhadores
Fundado em 31 de Janeiro de 1975, de orientação trotskista (minoria da IV Internacional), veio a fundir-se com a Liga Comunista Internacionalista (LCI) em 1978, dando origem ao Partido Socialista Revolucionário (PSR). Participou nas eleições para a Assembleia da República de 1976, tendo obtido 5.171 votos (0,09%). Publicou o jornal Combate Socialista.

PS
Partido Socialista
Fundado em 19 de Abril de 1973 na cidade alemã de Bad Münstereifel, a partir da Acção Socialista Portuguesa (ASP), que tinha sido criada em 1964 e admitida na Internacional Socialista em 1972. A transformação da ASP em Partido Socialista (PS) não constituiu uma decisão consensual, tendo sido aprovada com 20 votos a favor e 7 contra. Após o 25 de Abril, embora continuasse a apresentar-se como um partido de “inspiração marxista” – no programa inicial, afirmava-se mesmo como um partido marxista –, foi adoptando um conjunto de posições moderadas, nomeadamente depois do 11 de Março de 1975, vindo a converter-se – após os discursos de Mário Soares nos comícios organizados pelo PS a 18 de Julho, no Porto (Estádio das Antas), e no dia seguinte em Lisboa (Fonte Luminosa) –, numa espécie de frente que aglutinou todos os sectores e forças políticas que se opunham à influência do PCP no aparelho de Estado, assim como do sector do MFA que com ele colaborava. O PS ganhou as eleições de 1975 para a Assembleia Constituinte, obtendo 2.162.972 votos (37,87%) e elegendo 116 deputados, assim como as eleições de 1976 para a Assembleia da República, obtendo 1.912.921 votos (34,89%) e elegendo 107 deputados. Após ter perdido as eleições intercalares e 1979 para a Aliança Democrática (AD), fez no ano seguinte uma aliança eleitoral – a Frente Republicana e Socialista (FRS) – com a Associação Social-Democrata Independente (ASDI) e a União da Esquerda para a Democracia Socialista (UEDS), a qual, contudo, não conseguiu vencer as eleições legislativas desse ano. Resultado que se inverteu em 1983, apesar de ter concorrido sozinho, tendo obtido 2.061.309 votos (36,11%) elegendo 101 deputados, vindo contudo a coligar-se com o Partido Social Democrata (PSD) no denominado Bloco Central, constituindo um governo que preparou a entrada de Portugal na então Comunidade Económica Europeia (CEE), a 1 de Janeiro de 1986.

PUP
Partido de Unidade Popular
Em Julho de 1974 surgiu o jornal A Verdade, que seguia a orientação política do Partido Comunista de Portugal (marxista-leninista), dirigido por António Janeiro (“Mendes”), uma das duas facções em que aquele partido se tinha dividido, sendo a outra dirigida por Heduíno Gomes (“Vilar”). Em Dezembro de 1974, o PCP (m-l) (“Mendes”) decidiu criar o Partido de Unidade Popular (PUP), como força política legal para participar nas eleições para a Assembleia Constituinte, passando A Verdade a constituir o seu órgão de expressão. A progressiva constatação dos militantes do PCP (m-l) (“Mendes”) que, na realidade, não se tinham cumprido as condições que no Congresso realizado em 1970 justificaram a transformação do CMLP em PCP (m-l) – concretizando-se, então, o objectivo de reconstituir o Partido Comunista –, provocaram o desencadeamento no seu seio de um movimento crítico por parte desses militantes que, colocando em causa o congresso reconstitutivo, os levou em Abril de 1975 a defenderem a original solução de regresso à denominação pré-congresso de 1970, e a inserirem-se na corrente que, em Dezembro desse ano, conduzirá à formação do PCP (R). O PUP, que após as eleições para a Assembleia Constituinte já quase não desenvolvia qualquer actividade, acabou por se extinguir com a transformação do PCP (m-l) (“Mendes”) em CMLP. Naquelas eleições, as únicas em que participou, obteve 13.138 votos (0,23%). Inúmeras figuras da actual vida política e intelectual portuguesa integraram naquela época o PUP, entre os quais Esther Mucznik, José Pacheco Pereira, João Carlos Espada, António Costa Pinto e Nuno Crato.

5ª DIVISÃO (DO ESTADO-MAIOR GENERAL DAS FORÇAS ARMADAS – EMGFA)
Criada com o objectivo de desenvolver actividades de informação, propaganda e dinamização política e cultural, actuou fundamentalmente em consonância com o sector do MFA influenciado pelo PCP, tendo apoiado as posições de Vasco Gonçalves (1921-2005). Na Assembleia do MFA de 25 de Julho de 1975, Vasco Lourenço opôs-se a Vasco Gonçalves e criticou a actuação da 5ª Divisão do EMGFA. A 27 de Agosto, satisfazendo uma exigência do “Grupo dos Nove”, o Conselho da Revolução suspendeu a 5ª Divisão, que nesse dia foi ocupada pelo Regimento de Comandos da Amadora.

RAMALHO EANES, António dos Santos (Alcains, Castelo Branco, 25/01/1935 –)
De origens modestas, embora desafogadas, realizou os estudos secundários no Liceu de Castelo Branco.
De 1953 a 1956, efectuou o curso da Escola do Exército (actual Academia Militar), completando a sua formação com diversos cursos e estágios de especialização. Como oficial do Exército – arma de Infantaria – desempenhou comissões de serviço em Goa (1958-1960) e em Macau (1962), assim como em Moçambique (1964 e 1966-1968), Guiné-Bissau (1969-1971) e Angola (1974). Em 1973 teve a sua primeira intervenção política quando, juntamente com outros oficiais, organizou um protesto contra o denominado Congresso dos Combatentes do Ultramar. Aquando do 25 de Abril, em cujas reuniões preparatórias participou até aos finais de 1973, encontrava-se em serviço em Angola, onde prestava uma comissão de serviço desde Janeiro de 1974, e após ter regressado a Portugal em Julho, foi colocado na comissão ad hoc para os Meios de Comunicação Social, e depois como director de programas da RTP. Em Setembro desse ano foi nomeado Presidente do respectivo Conselho de Administração, cargo que ocupou até Março de 1975, quando se demitiu em virtude das acusações políticas que lhe foram dirigidas, nomeadamente a de alegada implicação no 11 de Março. No Verão de 1975 integrou o Grupo dos Nove, encabeçado pelo major Ernesto Melo Antunes (1933-1999), como coordenador do seu sector operacional, ficando encarregado de organizar o plano militar que veio a ser posto em prática em 25 de Novembro de 1975. Nomeado Chefe de Estado-Maior do Exército – para cujo desempenho foi graduado, em Dezembro de 1975, General de quatro estrelas –, foi escolhido pelo Conselho da Revolução para candidato às primeiras eleições presidenciais, de 27 de Junho 1976. A sua candidatura recolheu um vasto conjunto de apoios, do PS ao PPD, passando pelo CDS, MSD, MRPP, AOC, PCP (m-l) (cujo candidato, Macedo de Sousa, desistiu em seu favor), e ainda pela SEDES e a CAP, tendo sido o primeiro Presidente da República eleito por sufrágio universal e directo, com 2.967.137 votos (61,59%). Na sequência da crise política de Julho de 1978 e do impasse então instalado, procedeu à nomeação de governos da sua exclusiva confiança, denominados de “iniciativa presidencial”, solução em parte resultante das suas dificuldades de relacionamento com os líderes dos dois principais partidos. Candidato a um segundo mandato (1981-1986), foi apoiado pelo PS (apesar de Mário Soares, então seu secretário-geral, lhe ter retirado o apoio pessoal), ASDI, PCP (cujo candidato, Carlos Brito, desistiu em seu favor), MDP/CDE, PCTP/MRPP, entre outros, tendo sido eleito a 7 de Dezembro de 1980, à primeira volta, com 3.262.520 votos (56,44%). Será durante este mandato que se realizará a primeira revisão constitucional, da qual resultará a extinção, em 30 de Setembro de 1982, do Conselho da Revolução. Após o terminus do segundo mandato como Presidente da República, em Fevereiro de 1986, foi eleito Presidente do Partido Renovador Democrático (PRD), cargo que ocupou de 21 de Agosto de 1986 a 5 de Agosto de 1987. Exerce, actualmente, as funções de Conselheiro de Estado.

RPAC
Resistência Popular Anti-Colonial
Fundada em 1971, constituiu a organização do MRPP para o sector das forças armadas, tendo defendido, antes do 25 de Abril, a deserção com armas. Publicou o jornal Resistência.

RR
Rádio Renascença
Cadeia de rádio pertencente à Igreja Católica, cujas primeiras emissões se iniciaram em Junho de 1936. Em Maio de 1975 passou a ser controlada por uma parte dos seus trabalhadores, afectos a organizações de extrema-esquerda, passando a assumir-se como “Rádio Renascença ao serviço dos trabalhadores”, e a apoiar o “processo revolucionário em curso”. No entanto, a 7 de Novembro de 1975, o seu centro emissor localizado na Buraca, em Lisboa, foi destruído à bomba por tropas paraquedistas, por ordem do Conselho da Revolução, uma forma original de calar definitivamente os ocupantes, vindo a ser posteriormente devolvida à Igreja Católica.

SÁ CARNEIRO, Francisco Manuel Lumbrales de (Porto, 19/07/1934 – Camarate, 4/12/1980)
Dirigente histórico do Partido Social Democrata. Advogado de profissão, iniciou a sua actividade política aquando das eleições de 1969 para a Assembleia Nacional, nas listas da União Nacional, o partido único do regime do Estado Novo. Eleito deputado, em breve manifestou as suas divergências com o regime, propondo para debate temas que lhe eram incómodos, nomeadamente sobre a “Liberdade de Imprensa” (em 1970), “Direitos e Liberdades Humanas” (1969/71), “Da Liberdade Religiosa e da Necessidade em se fazer a Revisão da Concordata” (1969/71). Apresentou também um projecto de decreto-lei de alterações à Constituição (1970/71), juntamente com Mota Amaral, assim como uma proposta de criação de uma comissão que analisasse as queixas sobre a actuação da PIDE-DGS e as condições existentes na prisão de Caxias (Janeiro de 1972), na sequência de uma visita a presos políticos ali detidos. Um ano depois, apresentou um projecto-lei de amnistia para crimes políticos e infracções disciplinares da mesma natureza, que foi vetado pela Comissão de Política da Assembleia Nacional, não tendo sido sequer apresentado para discussão, o que o levou a resignar ao cargo de deputado com outros membros da “Ala Liberal”, o pequeno grupo de deputados com os quais pugnava por uma liberalização do regime. Afastado da política activa até ao 25 de Abril de 1974, fundará em Maio desse ano, juntamente com os ex-membros da “Ala Liberal” Francisco Pinto Balsemão e Joaquim Magalhães Mota (1935-2007), o Partido Popular Democrata (PPD) – que em Setembro de 1976 passará a denominar-se Partido Social-Democrata (PSD) –, sendo eleito para o cargo de secretário-geral. Ministro sem Pasta em diversos governos provisórios, foi eleito deputado à Assembleia Constituinte em 1975 assim como, no ano seguinte, para a Assembleia da República. Em Novembro de 1977, por considerar a orientação política da Direcção do PSD demasiado conciliadora com o PS e com o Presidente da República Ramalho Eanes, demitiu-se da liderança do partido, sendo contudo reeleito em Julho do ano seguinte, no VI Congresso do PSD, para desempenhar a mesma função, registando-se no entanto uma dissidência provocada pelos membros integrantes da corrente “PSD: Opções Inadiáveis”. Nos finais de 1979 criou a Aliança Democrática (AD), uma coligação entre o PSD, o CDS, o PPM e alguns independentes, que venceu as eleições legislativas desse ano com maioria absoluta. Nomeado Primeiro-Ministro em 3 de Janeiro de 1980, viria a falecer no exercício das suas funções, em circunstâncias trágicas e nunca inteiramente esclarecidas, quando o avião em que seguia se despenhou em Camarate, logo após a descolagem do aeroporto da Portela, quando se dirigia ao Porto para participar num comício de apoio ao candidato presidencial da AD.

SARAIVA DE CARVALHO, Otelo Nuno Romão (Lourenço Marques, 31/08/1936 –)
Oriundo de uma família da classe média, estudou em Lourenço Marques (actual Maputo), tendo concluído o sétimo ano do liceu em 1955. Frequentou a Academia Militar, cujo curso concluiu em 1959. Em Junho de 1961 foi enviado para Angola, como alferes do Quadro Permanente, tendo realizado uma segunda comissão naquela antiga colónia entre 1965 e 1967. Colocado como professor na Escola Central de Sargentos em Águeda, veio a realizar nova comissão de serviço na Guiné, entre 1970 e 1973. Foi um dos principais dinamizadores do movimento de contestação ao Decreto Lei nº 353/73, de 13 de Julho, que deu origem ao Movimento dos Capitães. Como responsável pelo sector operacional da Comissão Coordenadora do MFA dirigiu as operações do 25 de Abril, a partir do posto de comando clandestino instalado no Quartel da Pontinha. Integrou o Conselho da Revolução desde que este foi criado, a 14 de Março de 1975, até Dezembro de 1975. Graduado em brigadeiro, foi nomeado Comandante-adjunto do Comando Operacional do Continente (COPCON) e Comandante da Região Militar de Lisboa a 13 de Julho de 1974, cargos de que foi afastado após o fracassado golpe de 25 de Novembro de 1975, vindo a ser preso em Janeiro de 1976. Libertado condicionalmente dois meses mais tarde, foi candidato às eleições presidenciais de 1976, tendo conquistado o segundo lugar com 792.760 votos (16,46%)

SOARES, Mário Alberto Nobre Lopes (Lisboa, 7/12/1924 –)
Dirigente histórico do Partido Socialista, oposicionista ao regime do Estado Novo desde os tempos de estudante universitário. No Verão de 1942 entrou para a Federação das Juventudes Comunistas Portuguesas (FJCP), passando depois para o Partido Comunista Português (PCP), que abandonou nos finais de 1950. Integrou o MUNAF (Movimento de Unidade Nacional Anti-Fascista) em 1943, assim como o Movimento de Unidade Democrática (MUD) em 1946, do qual foi membro da sua Comissão Central, tendo sido fundador do MUD Juvenil, a cuja primeira Comissão Central também pertenceu. Em 1949, foi Secretário da Comissão Central da Candidatura do General Norton de Matos (1867-1955) à Presidência da República. Licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas em 1951, na Faculdade de Letras de Lisboa, e em 1957 em Direito, na Faculdade de Direito de Lisboa, a fim de exercer advocacia, uma vez que o regime salazarista o tinha proibido de exercer funções docentes. Em 1953 fundou a Resistência Republicana e Socialista, e em nome deste grupo foi convidado a entrar, em 1955, para o Directório Democrático-Social. Manteve-se sempre ligado às actividades da oposição democrática, tendo integrado em 1958, a Comissão da Candidatura do General Humberto Delgado (1906-1965) à Presidência da República, e defendido, como advogado, inúmeros presos políticos no Tribunal Plenário e no Tribunal Militar Especial. Várias vezes preso pela PIDE em virtude da sua actividade política, foi deportado sem julgamento para S. Tomé em 1968 e, em 1970, obrigado a exilar-se em França até ao 25 de Abril. Candidato a deputado pela Oposição Democrática nas eleições para a Assembleia Nacional de 1965 e de 1969 – nestas últimas, integrando a lista da Comissão Eleitoral de Unidade Democrática (CEUD). Fundador da Acção Socialista Portuguesa em 1964, e que em 1973, no Congresso realizado na Alemanha, se transformou em Partido Socialista, do qual foi eleito Secretário-Geral, cargo que exerceu durante quase treze anos. Após o 25 de Abril de 1974 regressou a Portugal, tendo chegado a Lisboa a 28 de Abril, e passados poucos dias foi enviado pela Junta de Salvação Nacional a várias capitais europeias a fim de obter o reconhecimento diplomático do novo regime. Ministro dos Negócios Estrangeiros nos I, II e III Governos Provisórios, e Ministro sem Pasta no IV, coube-lhe iniciar oficialmente o processo de descolonização, estabelecendo conversações com os líderes dos movimentos independentistas da Guiné-Bissau e de Moçambique. Durante o período que ficou conhecido por “Verão Quente”, em 1975, liderou o movimento de contestação à influência do PCP, e do sector do MFA que este influenciava, no aparelho de Estado. Primeiro-ministro no I e II Governos Constitucionais (1976-78), exerceu o cargo de Presidente da República entre 1986 e 1996. Em Março de 1977 iniciou o processo de adesão de Portugal à então Comunidade Económica Europeia (CEE) tendo subscrito, como primeiro-ministro do IX Governo Constitucional, o Tratado de Adesão do nosso país àquele organismo, em 12 de Julho de 1985.

SPARTACUS
Revista cultural fundada no exterior nas vésperas do 25 de Abril, recomeçou a sua publicação em Portugal em Setembro de 1974. Seguia a orientação política da Organização Comunista Marxista-Leninista Portuguesa (OCMLP) e publicou-se com regularidade até Junho de 1976 (nº 11), embora os seus dois últimos números tivessem já sido editados após a integração de grande parte da OCMLP no PCP (R).

SUV
Soldados Unidos Vencerão
Organização clandestina no interior das Forças Armadas, constituída em Agosto de 1975 pela Liga Comunista Internacionalista (LCI) – mas integrando também militantes de outras organizações de extrema-esquerda como o PRP e o MES –, contando-se entre os seus objectivos o de apoiar o brigadeiro Eurico Corvacho à frente da Região Militar do Norte. A sua apresentação pública foi feita numa conferência de imprensa realizada a 6 de Setembro, por indivíduos fardados, sem insígnias militares e usando capuzes na cabeça, tendo sido transmitida pela Rádio Televisão Portuguesa e pelo Rádio Clube Português. A 25 de Setembro organizaram a primeira manifestação de rua, em Lisboa, e a 6 de Outubro, no Porto, tendo sido apoiados desde o início pela Frente de Unidade Revolucionária (FUR), que então admitiu promover “a luta com todos os trabalhadores pela preparação de condições que permitam a destruição do Exército burguês e a criação do braço armado do poder dos trabalhadores – o Exército Popular Revolucionário”. Sofreu uma forte repressão após o 25 de Novembro, tendo sido expulsos das Forças Armadas muitos dos seus elementos, extinguindo-se pouco depois.

O TEMPO E O MODO
Revista fundada em 29 de Janeiro de 1963 por um grupo de intelectuais oriundos da oposição católica progressista. Inicialmente dirigida por António Alçada Baptista (1927-2008), estava ligada à Editora Moraes, da qual aquele era proprietário, e traduzia a influência que Emmanuel Mounier (1905-1950) e a revista francesa Esprit, de orientação personalista cristã, então exerciam em Portugal. Por essa razão adoptou como subtítulo “revista de pensamento e acção”, justificado deste modo por Pedro Tamen, no resumo do programa apresentado aquando do seu surgimento: “A acção começa na consciência. A consciência, pela acção, insere-se no tempo. Assim, a consciência atenta e virtuosa procurará o modo de influir no tempo. Por isso, se a consciência for atenta e virtuosa, assim o será o tempo e o modo”. Posteriormente, o seu corpo redactorial alargou-se a um conjunto de novos colaboradores vindos da denominada “oposição democrática”, como Mário Soares e Francisco Salgado Zenha (1923-1993) [membros da Acção Socialista Portuguesa (ASP)], a Mário Sottomayor Cardia (1941-2006) [então membro do Partido Comunista Português (PCP)] e a um grupo de jovens oriundos do movimento estudantil que tinham estado na criação do efémero Movimento de Acção Revolucionária (MAR). Estes últimos acabaram por assumir a orientação da revista, que a partir de 1967-68 perdeu as suas raízes personalistas e católicas e alargou a colaboração a outros sectores da oposição do regime salazarista. Na sequência destas transformações, que coincidiram com o início do período caetanista, a revista irá conhecer outra reviravolta a partir do nº 73, de Novembro de 1969, adoptando um novo formato e iniciando uma nova série, dirigida por João Bénard da Costa até 1972, e por Luís Matoso (como director interino) até ao 25 de Abril de 1974.
Durante esta nova série, a revista foi adoptando progressivamente uma orientação próxima da seguida pelo Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado (MRPP), defendida por novos colaboradores, como Amadeu Lopes Sabino, Arnaldo Matos e José Maria Martins Soares, o que levou à saída progressiva de grande parte do anterior núcleo redactorial. Neste último período antes do 25 de Abril, a revista conheceu uma intensificação da actividade da censura e da repressão, com buscas constantes à sua sede, autos de apreensão de livros e revistas, assim como a prisão de redactores. Não deixa contudo de ser surpreendente que, não obstante a censura, tenha conseguido publicar artigos abertamente defensores da orientação ideológica do MRPP como, por exemplo, “A base social do revisionismo” (nº 83, Outubro de 1970), para além de vários outros de idêntico teor, que se lhe seguiram. Logo após o 25 de Abril, e até ao último número publicado (nº 126, Setembro de 1977), assumiu abertamente a sua ligação ao MRPP, sendo dirigida por Guerreiro Jorge. Tanto a 1ª série de O Tempo e o Modo, como a Nova Série, encontram-se integralmente publicadas em DVD-ROM.

UCP
Unidade Colectiva de Produção
Constituídas a partir dos princípios de Outubro de 1975 na sequência do movimento pela Reforma Agrária, dirigido pelos Sindicatos de Trabalhadores Agrícolas e desencadeado entre os finais de 1974 e Dezembro de 1975, essencialmente no Alentejo, Ribatejo, parte da Beira Baixa, no distrito de Setúbal e nas freguesias do distrito de Faro confinantes com o distrito de Beja, eram colectivos de trabalhadores rurais que se organizavam em torno das herdades ocupadas, administrando em comum a terra e os meios de produção. As UCP vieram a ser consagradas pelo Decreto-Lei nº 406 – B/75, de 29 de Julho, tendo contribuído para o aumento da área cultivada e da produção, com o consequente melhoramento das condições de vida dos assalariados rurais daquelas regiões.

UCRP (M-L)
União Comunista para a Reconstituição do Partido (Marxista-Leninista)
Constituída em Abril de 1975, com base nos elementos que tinham integrado o Núcleo José de Sousa de O Comunista – afastado desta organização nos finais de 1972 quando a mesma se integrou no O Grito do Povo – veio a fundir-se com a União Comunista (marxista-leninista) [UC (m-l)] em Setembro de 1975, numa nova organização que manteve a denominação União Comunista para a Reconstituição do Partido (Marxista-Leninista) [URPC (m-l)]. Num congresso realizado em Janeiro de 1978 transformou-se em Partido Comunista (marxista-leninista) Português [PC(m-l)P]. Teve como órgão central o jornal O Comunista.

UDP
União Democrática Popular
Organização de carácter frentista fundada em 16 de Dezembro de 1974, por três organizações que se reivindicavam do marxismo-leninismo – CARP (m-l), CCR (m-l) e URML –, com vista à participação nas eleições para a Assembleia Constituinte, nas quais conseguirá eleger um deputado [obtendo 44.877 votos (0,79%)], o operário Américo Duarte, que substituiu o médico João Pulido Valente (1926-2003), entretanto afastado do exercício do cargo por ter visitado o banqueiro Jorge de Brito (1934-2006), seu amigo de infância, que se encontrava preso em Caxias na sequência do 11 de Março de 1975. Por sua vez, depois do 25 de Novembro de 1975, Américo Duarte será substituído pelo cantor Afonso Dias. Aquando do golpe do 25 de Novembro, a UDP manifestou uma posição de simpatia para com militares sublevados.
Embora não tivesse participado no mesmo, o major de cavalaria Mário Tomé – seu colaborador praticamente desde a fundação –, e o aspirante miliciano Albertino Bagagem, seu militante, que morreu nos confrontos então desencadeados, tiveram nele uma intervenção activa. Após a formação do PCP (R), no final de 1975, a UDP constituirá a sua organização frentista, alterando também o seu símbolo, o qual passará a ser uma roda dentada e uma enxada, com um estrela de cinco pontas num fundo vermelho, abandonando o anterior símbolo da foice e martelo com uma bandeira vermelha em forma de cachecol, então considerado “esquerdista” e inadequado para uma organização que pretendia apresentar o já referido carácter frentista. Em 1976, nas eleições para a Assembleia Legislativa elegeu como deputado Acácio Barreiros (1948-2004) [que obteve 91.690 votos (1,67%)], e nas eleições intercalares de 1979, igualmente para a Assembleia Legislativa, elegeu o major Mário Tomé, que obteve 130.842 votos (2,18%)]. Em 1976 foi uma das principais forças políticas que estiveram na base da criação dos GDUPs, um movimento de apoio à candidatura presidencial de Otelo Saraiva de Carvalho, que obteve uma votação  de 16,5%. Nas eleições legislativas de 1980 obteve 83.204 votos (1,38%), que lhe permitiram manter  o único deputado, mas em 1983, após ter registado várias vagas de deserções de militantes, que afectaram também o PCP (R), apresentou-se às eleições legislativas coligada com o Partido Socialista Revolucionário, não elegendo nenhum deputado, em resultado da sua pior votação de sempre [25.222 votos (0,44%)]. Só voltará a ter representação parlamentar em 1991, fruto de um acordo com o PCP que conduziu o agora major na reserva Mário Tomé de novo à Assembleia da República. Com base na estrutura da antiga União do Povo da Madeira (UPM) – uma organização popular ligada à OCMLP que passou a estar sob a direcção do PCP (R) após a integração parcial daquela organização neste Partido, denominando-se a partir de então UDP-Madeira –, conseguiu eleger deputados em todas as eleições realizadas naquele arquipélago, tendo obtido a sua máxima expressão em 1988 (três deputados). Em 1999 foi uma das organizações fundadoras do Bloco de Esquerda, e em Abril de 2005, no seu XVII Congresso, aprovou a sua passagem a associação política.

UEC
União dos Estudantes Comunistas
Fundada oficialmente a 21 de Janeiro de 1972, em Budapeste, na então República Popular de Hungria, numa reunião em que participaram Álvaro Cunhal (1913-2005), Carlos Brito e militantes do interior ligados ao sector estudantil. Ainda nesse mês, publicou a sua “Declaração” programática, redigida por Álvaro Cunhal. Foi dirigida por Zita Seabra, desde a sua constituição até alguns anos depois do 25 de Abril, embora outros militantes – como Sita Valles (1951-1977), que veio a ser assassinada nos acontecimentos  do 27 de Maio de 1977 em Angola – tivessem tido também um papel de destaque. Extinguiu-se a 10 de Novembro 1979, após a unificação com a União da Juventude Comunista (UJC), dando origem à Juventude Comunista Portuguesa (JCP). Editou o jornal UEC, com uma primeira série antes do 25 de Abril, e em 1976, a revista Linha Geral, entre outras publicações.

UEDS
União de Esquerda para a Democracia Socialista
Fundada em 1978, na denominada Convenção da Esquerda Socialista e Democrática, pela Associação de Cultura Socialista – Fraternidade Operária, e pelo Movimento Socialista Unificado (MSU) – uma efémera organização fundada em 1976 por ex-militantes do MES, da LUAR, FSP e do PS, entre os quais António Vitorino –, para além de alguns independentes, dissolveu-se em Abril de 1986, tendo alguns dos seus membros integrado então o PS, ou a ele regressado, como foi o caso de António Lopes Cardoso (1933-2000), o seu dirigente mais carismático. Nas eleições intercalares de 1979, para a Assembleia da República, obteve 43.325 votos (0,72%), e nas do ano seguinte, igualmente legislativas, concorreu integrada  na FRS. Na primeira volta das eleições presidenciais de 1986 os seus membros dividiram-se entre os candidatos Mário Soares e Maria de Lurdes Pintasilgo (1930–2004), tendo-se, no entanto, unido no apoio a Soares na segunda volta. Publicou o jornal Tribuna Socialista.

UJC
União da Juventude Comunista
Fundada em 26 de Fevereiro de 1975, extinguiu-se em 10 de Novembro de 1979, em resultado da sua fusão com a União dos Estudantes Comunistas (UEC), dando origem à Juventude Comunista Portuguesa  (JCP). Editou o mensário Juventude.

UJCR
União da Juventude Comunista Revolucionária
Fundada a 22 de Agosto de 1976, constituía a organização de juventude do PCP (R). Editou o jornal Juventude Revolucionária.

UJEC (M-L)
União da Juventude Estudantil Comunista (marxista-leninista)
Destacamento estudantil da OCMLP, fundada em Janeiro de 1975 a partir dos Comités Revolucionários de Estudantes Comunistas (CRECs), extinguiu-se a 3 de Maio de 1976, tendo os seus membros ingressado na União da Juventude Comunista Revolucionária (UJCR). Publicou o jornal Viva a Revolução, com uma 1ª série antes do 25 de Abril.

UMAR
União de Mulheres Antifascistas e Revolucionárias
Fundada em 12 de Setembro de 1976, por militantes da UDP, passou a denominar-se Movimento pela Emancipação Social das Mulheres, num Encontro Nacional realizado em 1989. Na segunda metade da década de 90, recuperou a sigla inicial, embora tivesse passado a designar-se União de Mulheres Alternativa e Resposta, conservando sempre o logótipo da época da fundação. Como Organização Não Governamental está representada no Conselho Consultivo da CIDM (Comissão para a Igualdade e Direitos das Mulheres) desde 1977.

UNEP
União Nacional dos Estudantes Portugueses
A constituição de uma União Nacional dos Estudantes Portugueses (UNEP) que congregasse todas as Associações de Estudantes, constituiu um objectivo perseguido pelas organizações estudantis ligadas ao PCP, pelo menos desde a crise académica de 1962. Nas vésperas do 25 de Abril, e reflectindo o aumento da influência que as organizações marxistas-leninistas estavam a registar no movimento estudantil  chegando a ultrapassar a implantação do PCP –, uma delas, a UEC (m-l), lançou um projecto  de criação de uma União dos Estudantes Portugueses que, no entanto, acabou por não se concretizar.
Depois do 25 de Abril, a UEC avançou na criação da UNEP, criando a Comissão Pró-União Nacional dos Estudantes Portugueses (CP-UNEP), a qual veio a perder influência, principalmente durante o ano de 1975, não chegando sequer a realizar o seu congresso de constituição, que esteve marcado para 25 de Novembro de 1975, tendo sido inviabilizado pela movimentação militar que ocorreu nesse dia.


2 comentários:

  1. shiiiiiiii MIGUINHO,,, o que para aqui vai,,,,,, vou passar a consultar- por fases - ABRAÇOOOO

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  2. Excelente trabalho. Uma "viagem" pela Revolução de Abril... Abraço!

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1972-06-28 - PELA REABERTURA INCONDICIONAL DAS AAEE DO TÉCNICO E DE ECONÓMICAS - Movimento Estudantil

PELA REABERTURA INCONDICIONAL DAS AAEE DO TÉCNICO E DE ECONÓMICAS 1. O SIGNIFICADO DE UMA LUTA A hera que atravessamos é grave e  ...

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