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sexta-feira, 19 de maio de 2017

1977-05-19 - O Grito do Povo Nº 10 - II Série - OCMLP

A PROPÓSITO DO DISCURSO DE EANES
SÓ A MOBILIZAÇÃO DO POVO PODE CONDUZIR À SALVAÇÃO NACIONAL

O povo português vive uma situação em que a Liberdade e a Independência Nacional se encontram ameaçadas, em especial por aqueles que desde o 25 de Novembro conseguiram já recuperar alento no sentido de lançarem novas tentativas de assalto ao poder — os social-fascistas cunhalistas, que hoje se esforçam desesperadamente por impedir as tarefas patrióticas de recuperação económica e a consolidação das instituições democráticas.
Por isso, merece especial atenção o discurso proferido nas comemorações do 25 de Abril pelo Presidente da República, que apontou alguns dos passos importantes no caminho que há que trilhar para derrotar as forças anti-democráticas.
Ramalho Eanes focou principalmente a necessidade de vencer a crise. É sabido que os principais responsáveis pela sabotagem da economia nacional, os social-fascistas, se esforçam a todo o custo por conseguir o empobrecimento do país, para através da desagregação económica e da degradação das condições de vida do povo, intensificarem a digitação política demagógica necessária à concretização dos seus planos golpistas.
O PC e a Inter, numa repugnante campanha de demagogia, tentam convencer o povo de que a culpa das dificuldades existentes se deve à pretensa política de «recuperação capitalista» e «cedência à direita» do Governo PS.
Ora o discurso de Ramalho Eanes tem o mérito de apontar as verdadeira razões pelas quais existe de facto descrença do povo português face à actual situação. Focou justamente que o povo não está disposto a aceitar a fatalidade da crise, que está farto de promessas por cumprir, de continuar a ver adiadas as medidas de salvação nacional que se impõem, e que quer ver tomadas as medidas concretas e firmes em torno das quais se mobilizará, fazendo os sacrifícios necessários à sua aplicação, contra todos os adversários da Liberdade, da Independência e do Progresso.
Ao levantar a questão da necessidade da unidade das forças dispostas a empenhar-se na luta pela salvação nacional, o Presidente da República denunciou aqueles que, por conciliação ou por carreirismo insistem em colocar no mesmo pé o partido fascista de Cunhal e as forças democráticas que de- vem unir-se para a efectivação duma política de salvação nacional. É tempo de todos os adeptos, mais ou menos disfarçados, da «maioria de esquerda» ou de qualquer outro projecto pró-soviético, serem afastados de postos-chave onde se encontram a minar a construção da necessária unidade de todos os democratas e patriotas, anti-fascistas e anti-social-fascistas, em tomo das tarefas imediatas do povo português.
O Presidente da República denunciou também os que se fingem democratas na Assembleia da República e são golpistas reaccionários na realidade, aqueles que, como o PC e a UDP, agitam reivindicações demagógicas anti-patrióticas que se inserem nos planos do social-imperialismo russo, e devem ser consideradas como actos de sabotagem económica.
As palavras de Ramalho Eanes voltam-se não só contra os fascistas cunha- listas e os seus lacaios, mas também contra os que só atacam as forças golpistas de «paleio», recusando-se a avançar com audácia na resolução dos problemas concretos do povo português, e temendo mobilizá-lo.
Por isso, as suas palavras foram acolhidas com agrado pelo povo. Os trabalhadores não permitirão por certo que elas sejam recebidas de ânimo leve por aqueles a quem se destinaram, e nomeadamente pelos membros do Governo que, por cada dia de continuidade duma política de hesitação, conciliação e remendos, comprometem o avanço para a salvação nacional, e fazem o jogo dos inimigos da Liberdade e da Independência Nacional.
A própria legislação aprovada ao serviço dos objectivos da recuperação económica e da independência nacional não é suficiente, se não for acompanhada da mobilização consciente das massas populares para a aplicação efectiva dessas medidas, derrotando pela força do povo português as manobras dos que pretendem agravar a situação do povo para lhe imporem novas tiranias. O recente caso da violação sistemática da nossa zona económica exclusiva de 200 milhas marítimas mostra bem como as leis e os decretos não passam de papel, quando não são acompanhados de atitudes firmes perante as agressões à independência e à economia nacionais.
Para derrotar definitivamente os inimigos do povo, da pátria e da democracia, para ultrapassar a conciliação e a tibieza de numerosos governantes, só há um caminho: o de contar com a única força capaz de transformar a realidade na via do progresso e da superação da crise económica — a mobilização massiva dos trabalhadores portugueses, fartos de demagogia, conciliação e oportunismo.

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