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sexta-feira, 21 de abril de 2017

1977-04-21 - COMEMORAR O 25 DE ABRIL - FEML

FEDERAÇÃO DOS ESTUDANTES MARXISTAS-LENINISTAS
ORGANIZAÇÃO DO PCTP/MRPP PARA A JUVENTUDE COMUNISTA ESTUDANTIL

COMEMORAR O 25 DE ABRIL    
É POLÍTICA DO IMPERIALISMO E DO SOCIAL-IMPERIALISMO, DO DESEMPREGO, DA MISÉRIA E DA FOME!

      1 — O golpe militar do 25 de Abril surgiu como tentativa da burguesia travar o impetuoso movimento operário e popular. Basta relembrar as grandes greves da indústria electrónica de fins de 73; a greve da Tomé Feteira (limas) em Vieira de Leiria; as greves da Marinha Grande e numerosas lutas travadas por todas as fábricas, empresas e campos, levantando entre 73/74 cerca de 200.000 operários contra a exploração, a opressão e uma guerra colonial-imperialista imposta pelo sector da classe dominante enfeudado ao imperialismo americano.
Tal acontecimento deixou perplexos e maravilhados toda a casta de oportunistas emigrados nas margens do Sena e pelos cafés do Quartier-Latin, briosos "anti-fascistas", pois para eles a revolução era impossível e encontrava-se num refluxo longo e interminável.
É evidente que para quem se entrega a tal "forma de luta anti-fascista”, para não falar daqueles que mendigavam o eleitoralismo mais rasteiro e comezinho, os baixo-assinados como "forma superior de luta" e traiam e bufavam na Pide, o 25 de Abril não poderia ser um golpe como resposta da burguesia ao impetuoso movimento operário e popular tentando desviá-lo do seu objectivo central, o derrube dos exploradores do povo, e como tentativa do imperialismo e do social-imperialismo tentaram impor aos povos irmãos de África e Timor, soluções neo-coloniais como o conseguiram no caso de Angola (social-imperialismo) e tentam a todo o custo em Timor-Leste, através dos lacaios indonésios a soldo do imperialismo americano.
      2 - O 25 de Abril não trouxe nem a Liberdade, nem a Democracia nem a Independência Nacional, tão almejada pelo nosso povo. Trouxe sim a intensificação da exploração, da opressão e do desemprego como forma da burguesia tentar resolver a crise à custa do povo dizendo-lhe para trabalhar mais, e que sempre fez toda a vida, para apertar o cinto ao mesmo tempo que alarga o cinturão dos fascistas e dos social-fascistas e das suas forças repressivas a GNR e a PSP.
      3 - A exploração intensificou-se.
Está patente aos olhos de todo o povo com o elevadíssimo custo de vida, o agravamento dos impostos, as medidas de austeridade, a desvalorização do escudo, ou cabazes da fome, os dias de trabalho para a nação, as nacionalizações "para o povo" indemnizando toda a corja de sugadores - vide a Lei de "Reforma Agrária" dos social-fascistas que para além de restituírem uma boa e a melhor parte da terra "os 50.000 pontos" aos latifundiários indemnizando-os ao mesmo tempo, ou seja, dando-lhes todas as hipóteses e mais algumas de recuperar e por a funcionar uma moderna empresa agrícola e combatendo o principio justo da "Terra a quem a trabalha". A actual lei que o governo dito socialista prepara afanosamente não é mais do que um aprofundamento desta mesma lei proposta pelo P"C"P por alturas do IV governo provisório.
Com o 25 de Abril para alem do nosso país continuar a ser uma coutada do imperialismo americano, deu-se uma maior redivisão pelos sub-imperialismos europeus e iniciou-se uma intensa penetração do social-imperialismo, arrogante como novos senhores que são, nos campos económico, político e cultural.
4 - A liberdade e a democracia não existiram e a opressão intensificou-se.
Com o 25 de Abril, sob a capa demagógica do "processo revolucionário em curso" (o assalto ao aparelho de estado por parte dos social-fascistas do P"C"P) intensificaram-se as prisões políticas ao mesmo tempo que se libertavam os fascistas e os pides. Só o nosso partido conheceu (e conhece agora a cargo da PSP) cerca de mil prisões às ordens do revolucionário Otelo e duma só assentada o "democrata" Jaime Neves sob ordens de Vareja Gomes, cacique do P"C"P, altura no C."R”, prendeu 432 camaradas nossos, no 28 de Maio de 75 data querida para qualquer fascista retinto.
5 - estudantes desta escola conheceram os cárceres de Alcoentre, Santarém, Pinheiro da Cruz e Caxias onde desde o cacete, as algemas e o isolamento e o gás lacrimogéneo tudo provaram em nome da democracia e da liberdade dos social-fascistas.
Logo após o 25 de Abril o tal Copcon reprimiu de chaimite as greves da TAP, TLP, CTT, Lisnave, etc. Desocupou pela força muitos moradores pobres, destruiu inclusive um bairro na Cova do Vapor (Trafaria).
Não se lembram os estudantes e o povo dos bandos social-fascistas, armados até aos dentes, assaltarem as reuniões democráticas (Direito, Técnico, Económicas, Cantinas) os sindicatos, os plenários de trabalhadores, etc., etc.?
Não foram os social-fascistas do P"C"P que preservou do ódio das massas a PSP e a GNR, apelidando-as de democráticas e para elas organizando comícios e bailaricos? Não foi o P"C"P que fez desaparecer os ficheiros da Pide quando assaltou a Comissão de Reactivação da Pide/DGS? enquanto o nosso partido exigia a publicação dos ficheiros e o desmantelamento da PSP/GNR.
Não foi o "Luta Popular" suspenso e multado em dezenas de contos por duas vezes por ordem do Spínola, general das flores, e lá posto pelos "briosos" capitães de Abril? O que agora assistimos não é mais do que uma consequência e aprofundar de toda uma política traidora aos interesses do povo, levada a cabo pelos social-fascistas e com a conivência de toda a série de grupelhos então chegados da lúmpen-emigração.
6 - O 25 de Abril não nos deu a Independência Nacional. Só a classe operária lutando e unindo todo o povo em torno de um programa democrático, aplicando o controlo operário sobre a produção, a distribuição e o consumo, pode expropriando o grande capital nacional e estrangeiro, apropriando-se da mais valia e desenvolvendo as forças produtivas é capaz de nos dar a Independência Nacional. Para isso necessita de um partido verdadeiramente revolucionário, como nós o pretendemos edificar, e que o partido o possa guiar e apontar o caminho unindo todo o povo e escorraçando os lacaios internos do imperialismo e do social-imperialismo.
O que nós verificámos do 25 de Abril para cá é que não só o nosso país continuou a ser uma coutada do imperialismo americano, como se aprofundou a divisão pelos sub-imperialismos europeus (A Europa Connosco - CEE), como por outro lado se abriu a penetração crescente do social-imperialismo nos campos económico, político e cultural através do P"C"P e com a conciliação de todos os sectores da burguesia e em particular o do actual governo dito socialista.
6 - Comemorar o 25 de Abril é dar o aval a toda a política demagógica, reaccionária, de opressão e exploração intensa sobre as massas.
Se a comissão de curso do 4º ano de Medicina está tão "interessada" em levantar o M.A. não é com "grandes festas" do 25 de Abril. O que ela deveria fazer é escorraçar os caciques social-fascistas que tem no seu seio, que para além de se terem destacado na repressão dos estudantes democratas (vide último plenário de luta contra o Dec. de Gestão, os quais foram os primeiros a trair) opuseram-se frontalmente à proposta de organização dos grupos de trabalho na Medicina Comunitária. Levantar o M.A. é levar para a frente eleições para a direcção da AE que a J"S", conciliadora e traidora aos interesses dos estudantes se encarregou de fechar a porta e desaparecer, abandonando os estudantes, que enganadamente a elegeram, à sua sorte.
7 - Apoiamos inteiramente a posição da comissão de curso do 3º ano, que demando-se das hostes social-fascistas, que controlam o resto das C.C. da nossa escola, apresentou a proposta de prazos para as eleições para a direcção da AE (que a última RIC aprovou) e que por outro lado convoca um colóquio subordinado ao tema "o significado político do 25 de Abril" com a presença de todas as organizações políticas com alguma expressão na nossa escola, no dia 26, 3a feira, às 15h na Aula Magna.
As divergências existem no seio do movimento estudantil sobre esta e todas as questões. Só lutando se atinge a unidade contra o fascismo e o social-fascismo. Aqueles que tão alto berram o seu "anti-fascismo" que apareçam. Nós estaremos lá prontos a travar a luta ideológica no seio das massas estudantis.
MORTE AO FASCISMO E AO SOCIAL-FASCISMO!
CONTRA O OPORTUNISMO E A DEMAGOGIA!
PELA UNIDADE DO MOVIMENTO ESTUDANTIL!
PELA DEMOCRACIA NA ESCOLA!

21/4/77
Célula Norman Béthune
Célula da FEM-L no HSM

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