sexta-feira, 31 de outubro de 2014

1974-10-31 - Unidade Popular Nº 033 - PCP(ml) - Vilar

Editorial

Comemoremos a Revolução de Outubro de 1917

Faz no próximo dia 7 de Novembro, 57 anos que a gloriosa classe operária russa, dirigida por Lenin e Stalin, tomou o poder e instaurou a ditadura do proletariado.
As comemorações da Grande Revolução de Outubro têm lugar, este ano, no momento em que o partido revisionista de Cunhal lança uma grande ofensiva contra a classe operária a partir do seu 3º congresso. Esta ofensiva revisionista passa por fazer crer à classe operária que os actuais dirigentes russos são os continuadores da Revolução de Outubro de 1917. Deste modo, Cunhal, logo a seguir ao congresso revisionista, parte para Moscovo, fazendo crer que vai arranjar português junto da camarilha de Brejnev.
Nesta altura em que se aproxima a comemoração do aniversário da Revolução de Outubro, da revolução que abriu a classe operária de todo o mundo a luminosa via do socialismo, e dever dos comunistas portugueses, lado a lado com os comunistas de todo o mundo redobrar de esforços para desmascarar a traição revisionista levada a cabo pela camarilha de Krutchev e Brejnev e pelos seus lacaios em muitos partidos da classe operária.

1974-10-31 - Luta Popular Nº 0035 - MRPP

EDITORIAL
PREPARA-SE NOVA CRISE


A crise profunda que mina peia raiz o capitalismo português, prepara um novo e violento estertor social e politico. E a quarta crise económica e política que abala o sistema desde o 25 de Abril, golpe militar, ele próprio tentativa desesperada da burguesia para afastar a tempestade revolucionária que ronda o nosso pais. A quarta crise dentro da crise geral que de forma inelutável ataca e mina pela raiz o poder dos monopólios e do imperialismo. Como refere o n.º 29 do nosso jornal, “dentro da crise geral, dentro da agonia do capitalismo português, cada uma destas ondas de assalto é uma nova crise. E cada nova crise dentro da crise é mais profunda, conduz o proletariado
e o povo a pôr em causa, de forma cada vez mais clara, mais consciente e frontal, o capitalismo monopolista, as suas juntas e governos, os seus partidos lacaios, muito especialmente o partido do vende-operários Barreirinhas Cunhai”.
Em sucessivas vagas de luta, a classe operária e o povo desencadearam duros combates em Maio, primeiro, em Junho e Julho seguidamente — levando à queda do 1.° Governo Provisório, tendo em Agosto e Setembro o impetuoso movimento operário e democrático contra o poder dos monopólios e o fascismo levado â crise que culminou com o golpe e contra-golpe de 28 de Setembro. De cada uma dessas vezes o proletariado e as massas colheram uma riquíssima experiência e perderam muitas ilusões. De tal forma que cada nova crise dentro da crise põe com crescente clareza a questão da tomada do poder pelo povo, coloca cada vez mais abertamente o conjunto das reivindicações operárias, camponesas e populares em termos políticos revolucionários. No presente momento a situação é esta: não só as causas da crise mortal do capitalismo português não desapareceram, como se agravam dia a dia; não só a consciência política da classe operária não diminuiu, como, apesar das demagogias dos “28 de Setembros”, não deixou de amadurecer e reforçar-se.

1974-10-31 - ASJ - Aliança Socialista Juventude - COLEGAS E COMPANHEIROS:

COLEGAS E COMPANHEIROS:
 
O passado ano lectivo foi rico em experiências e lutas para todos nós.
As modificações a que assistimos após o 25 de Abril, o rebentar de uma onda de reivindicações levada avante com determinação pelas massas operárias e populares levou à conquista de liberdades democráticas, durante largos anos ignoradas. Também este processo abalou a escola e, os estudantes, geralmente uma das camadas mais combativas sob a repressão fascista, avançaram com reivindicações e lutas que culminaram com a greve por causa dos exames do ano passado.
Todo o trabalho político desenvolvido ao longo do ano passado antes que o processo que se seguiu ao 25 de Abril tivesse sucedido, defrontava com pesados obstáculos impostos pela severa repressão fascista. Daí que o clima de militarização da escola, de opressão autoritária que calcava a pés juntos a menor movimentação ainda que voltada para objectivos democráticos, nos impusesse uma actividade política adequada à facilmente constatável recuada consciencialização política dos estudantes, como única forma de garantirmos a sobrevivência de uma actuação sistemática.
Com a alteração da situação política, cria-se necessidades de reajustamento de estruturas e programa a essa mesma, situação.
O "Outubro" e alguns elementos do antigo "Luta" do Pedro V sublinhara assim a necessidade de uma organização juvenil, com programa político próprio, como única forma de continuarmos a avançar no cumprimento das perspectivas o que nos propúnhamos - UM ENSINO AO SERVIÇO DOS TRABALHADORES - UMA SOCIEDADE SOCIALISTA. Só agrupada na luta por esta programa poderá a  juventude avançar no apoio à luta revolucionária pela destruição da exploração capitalista.
Assim, os elementos do antigo Grupo “LUTA” do D. Pedro V e do OUTUBRO são solidários com a necessidade dessa organização de juventude materializada na criação da ALIANÇA SOCIALISTA DA JUVENTUDE.

1974-10-30 - COMUNICADO AOS ESTUDANTES PORTUGUESES! - UNEP

COMUNICADO AOS ESTUDANTES PORTUGUESES!
No momento em que se dão largos passos no processo de democratização do país, em que nas escolas se desenvolve a acção dos estudantes em torno da criação de novas Associações de Estudantes, e concretização da Reforma Geral e Democrática do Ensino, várias AAEE do país dirigem aos estudantes portugueses o seguinte comunicado.
Nasceram as AAEE do reconhecimento por parte dos estudantes de que os problemas comuns inerentes à actividade estudantil nos seus múltiplos aspectos sociais, pedagógicos e culturais, só poderiam ser resolvidos em conjunto.
Exercendo uma acção educativa nas massas estudantis, o movimento Associativo afirmou-se ao longo dos tempos, e através do trabalho concreto em escolas, a verdadeira frente unitária de massas a única, capaz de corresponder aos anseios dos estudantes, fazendo-os convergir na luta mais geral do nosso povo.
As AAEE são estruturas cujo principal fim é a defesa dos interesses dos estudantes, isto é, são a expressão organizada da sua vontade. Assim foram até ao 25 de Abril a mais importante frente de luta dos estudantes contra a ditadura fascista, assim são hoje as estruturas por meio das quais estes podem fazer ouvir a sua voz e intervir decididamente na vida política, colocando-se ao lado do povo português na construção de um Portugal verdadeiramente Democrático.


 

A Conferência de Julho teve grandes limitações ideológicas devido a estarmos numa fase de fusão entre duas organizações com muito pouca experiência colectiva acumulada. Pensamos contudo que a Conferência traçou uma linha justa no essencial quanto à via da reconstrução do
Partido. Seguindo a directiva da Conferência "Lutar pelo Partido — lutar pelas massas, a nossa actividade nestes meses foi dominada pelo esforço para derrotar o sectarismo e ligar-nos à prática da luta de classes.

Ligámo-nos às massas participando decididamente, apesar da nossa pequenez orgânica, na luta popular anti-colonial e
anti-fascista, no movimento grevista, sindical, etc., e lançando para a rua um jornal de massas. Ligámo-nos à corrente marxista-leninista travando conversações regulares, em espírito de franqueza e camaradagem, com diversas organizações ML e participando com elas em acções comuns anti-colonialistas e anti-fascistas.

Se hoje somos alguma coisa mais do que éramos há quatro meses foi graças a esta linha; e estamos convencidos de que ela não só nos ajudou a nós como ajudou a clarificar a situação na corrente ML.

Condenar essa linha, como fazem diversos camaradas, dentro e fora do CARP, que a classificam de "unitarista, "liberal”, centrista”, etc., é quanto a nós um erro que esquece a situação de que partimos.

Quando prevalecia o espírito de seita, o esforço principal tinha que ser concentrado na abertura para as massas e na aproximação ML, mesmo à custa duma atenuação momentânea da luta ideológica. "Não se endireita uma vara torta se não se fizer força em sentido contrário. A unidade tinha que se sobrepor à luta.

***

Mas justamente porque avançámos, precisamos agora de ideias novas para poder prosseguir. A linha da Conferência foi justa mas já não chega.

Nos últimos tempos, começaram a notar se sintomas de certa confusão nas nossas fileiras quanto à linha perante a corrente ML e a reconstrução do Partido, e esboçou-se uma certa luta de tendências no seio da organização: alguns camaradas, arrastados pelo balanço anti sectário, tendiam a esperar que a linha justa nos fosse indicada pelas outras organizações, viam as conversações e colaboração como
ausência de luta e não como uma forma de luta, viam a linha do CARP apenas como acabar com as guerras, não queriam que se atacasse nenhum grupo que usasse o rótulo de "marxista-leninista, reclamavam uma fusão rápida dos grupos e impacientavam se com o arrastar das conversações;
estavam a perder a vigilância e firmeza ideológica Outros camaradas, reagindo contra estes, começavam a pender de novo para o sectarismo, descobriam chagas incuráveis em todos os grupos menos no nosso, defendiam que avaássemos sozinhos para o Partido.

Em face disto, o Comité Central realizou diversas discussões e convocou em fins de Outubro uma reunião ampliada, por meio da qual alargou o debate sobre a reconstrução do Partido a um conjunto de camaradas responsáveis de vários sectores. Essa reunião ampliada foi muito útil ao esclarecimento das questões.

Ela mostrou que as questões que agora se nos põem são duma qualidade nova. Por exemplo: como avançar no trabalho
de massas? como definir uma linha política? como combater o revisionismo? Que defeitos principais tem tido o nosso trabalho? que desvio principal ameaça a corrente ML? que posição tomar perante os grupos provocatórios de falsos ML?

Estas questões precisam de resposta Entrámos numa fase em que, se insistíssemos em fazer prevalecer a unidade sobre a luta, descairíamos rapidamente para o espírito de conciliação, para o praticismo e a dissolução ideológica. A partir de agora é preciso sobrepor a luta à unidade.

Que espécie de luta? Luta ideológica numa base de princípios, sem quaisquer concessões ao sectarismo que sempre tende a reaparecer; mas luta firme e clara,
para separar o certo do errado. "Antes de nos unirmos e para nos unirmos, temos de nos demarcar”. (Lenine).

Haverá camaradas que interpretem isto como o fim do nosso esforço para a unidade dos ML. Podem estar tranquilos: não vamos voltar atrás, não vamos rejeitar os
passos dados, não vamos interromper as conversações, a colaboração ML e a busca de entendimento; vamos intensificar tudo isso. Queremos desenvolver a linha da Conferência e não negá-la, queremos apressar a reconstituição do Partido e não atrasá-la. E por isso mesmo, vamos usar o fogo da luta ideológica para atacar as
linhas erradas que se manifestam em todos os agrupamentos, incluindo o nosso, de forma a ajudar a corrente ML a concentrar as ideias justas e a rejeitar as ideias
erradas. Agora que nos vamos aproximando do Partido, devemos atacar com maior vigor tudo o que o possa enfraquecer ou atrasar.

***

Em números sucessivos do "Luta Comunista, vamos publicar o balanço dado pelo CC ao conjunto das discussões travadas em Outubro. Começamos hoje pela questão da luta contra o revisionismo e o trotskismo. Porque pusemos esta questão a abrir um debate sobre o movimento ML? Porque a nossa demarcação tem que começar pela demarcação para com o inimigo.
As nossas divergências nunca mais se resolveriam se não estivéssemos virados contra o inimigo, a lutar lado a lado contra ele. Por isso é justo dizer que a questão da luta contra o revisionismo e trotskismo não é uma questão alheia â reconstrução do Partido; faz parte dela. Para darmos
um sério impulso à reconstrução do Partido, a primeira coisa a fazer é corrigir tudo aquilo que ainda enfraquece a nossa luta contra o revisionismo e trotskismo.

O CC chama a atenção para a necessidade de se proceder ao estudo deste documento e dos que se vão seguir em reuniões especiais de cada célula, de modo a elevar a preparação ideológica dos colectivos de camaradas e tirar conclusões para o seu trabalho prático diário.

 


Toda a corrente ML nasceu na luta contra o revisionismo. Mas perguntamos: tem ela feito progressos sérios nessa
luta? Conseguiu já pôr de pé uma verdadeira guerra de massas contra o revisionismo? Sabemos que não.

Quanto a nós, isso deriva, entre outras razões, de ideias erradas sobre o que é o revisionismo e a forma de o combater.
Sob a aparente unanimidade anti-revisa escondem-se muitas ideias vacilantes que devem ser postas a claro e criticadas se queremos entrar nas massas e isolar os revisas.


Criticar o partido revisionista de Cunhal só pelo seu comportamento perante as lutas da classe operária e perante a situação política actual, denunciando-o como oportunista e reformista, é sem dúvida útil para o trabalho diário de agitação de massas mas fica só à superfície da questão, não chega de maneira nenhuma para basear uma posição marxista-leninista. Como sabemos, críticas de aparência muito radical mas de conteúdo burguês dirigem hot e a Cunhal organizações como o MES, o PRP, os trotskistas, etc. A crítica comunista a Cunhal tem que ir mais fundo.

E no entanto vulgar que na imprensa ML o partido de Cunhal seja ainda tratado no mesmo plano de qualquer outro
partido reformista. Que os órgãos oficiais da URML falem correntemente dos "reformistas do PC.P e PS” (
1), não os diferençando, que o chamado "PCPML” (facção Mendes) trate repetidamente os cunhalistas apenas como "oportunistas(2) - parece-nos não ser apenas descuido de linguagem mas revelar falta de vigilância perante o revisionismo. E uma falta de vigilância que encontramos também nas fileiras do CARP.

Se não soubermos pôr a claro a natureza interna do revisionismo, a sua natureza de classe, se não percebermos que a luta contra o revisionismo não é apenas uma questão de táctica, de linha política, mas uma questão de princípios que separa os comunistas de todas as outras
correntes - não conseguiremos derrotar o revisionismo porque não conseguiremos adoptar sequer uma posição revolucionária com pés e cabeça. Para combater eficazmente o revisionismo é preciso percebê-lo e para perceber é preciso passar-lhe da casca para o miolo, para ver o
que tem por dentro, aquilo que realmente é.


Na propaganda de várias organizações ML e de outras que usam esse rótulo, o partido de Cunhal é geralmente referido
como um partido que defende os interesses da pequena e média burguesia junto da classe operária.

Escrevem os camaradas da URML! Cunhal depois do 20° Congresso converteu o PCP em partido da pequena burguesia
(3), "MDP, PCP e PS que representam os interesses da pequena e média burguesia, os quais são, na verdade anti-monopolistas (4), "partido do reformismo pequeno-burguês ”(5). Os CCRML: "Cunhal subordina a luta operária aos interesses da burguesia liberal”(6). A OCMLP: "partido da burguesia descontente(7). O grupo Mendes: "democracia pequeno-burguesa de que Cunhal é o principal representante(8); "democratas pequeno-burgueses (revisionistas de Cunhal e grupos radicais)”). "Cunhal, agente especial dos pequenos empresários e dos sociais-imperialistas soviéticos”) 10).

Vejamos agora a opinião abalizada do "camarada Vilar”, o campeão anti-revisionista da nossa praça: o partido de Cunhal faz "a defesa clara dos interesses da pequena e média empresa” (11), "representa, por um lado os interesses da pequena e média burguesia interessada num sistema proteccionista dos seus interesses e, por outro lado, o social-imperialismo russo e a sua política de luta pela hegemonia mundial(12). Aparte a clareza invejável desta análise - os interesses da burguesia interessada na protecção dos seus interesses (!). - é ainda da pequena e média burguesia que se trata, para além do social-imperialismo russo, que Vilar nunca se esquece de mencionar; faça-se-lhe essa justiça.

Até mesmo os provocadores do MRPP se esqueceram de ser "inovadores” nesta matéria: "a fracção radical pequeno-burguesa dirigente do PC; representante político da pequena burguesia radical reformista(l3), "o revisionismo correctamente definido como a influência da ideologia pequeno-burguesa no seio da classe operária”(14).

Mas neste caso surge a pergunta: se o partido revisionista de Cunhal representa a pequena e média burguesia e até a democracia pequeno-burguesa, como se
compreende que o consideremos um inimigo principal do proletariado e da revolução e lhe chamemos social-fascista?
E só porque usa o rótulo de comunista e tem influência de massas, não será sectarismo considerar essa pequena e média burguesia como um inimigo tao perigoso e diabólico, capaz de se aliar ao social-imperialismo? não terá ela contradições com os monopólios e o imperialismo que possam ser exploradas pelo movimento operário? não será admissível
uma política de aliança com o partido revisionista em certas condições? Não haverá nesse partido pequeno-burguês sectores recuperáveis para a revolução?

As perguntas são evidentemente absurdas, mas é a elas que leva a classificação do partido de Cunhal como um partido da pequena e média burguesia,

3 - 0 revisionismo, destacamento especial da contra-revolução.

Pela nossa parte, seguindo os ensinamentos do movimento comunista internacional, dizemos: o partido de Cunhal
não é um partido da pequena e média burguesia, não é um partido reformista situado à esquerda dos socialistas, como ainda imaginam muitos operários, não ê uma força democrática vacilante.

Definimos o partido revisionista como o instrumento político de camadas privilegiadas geradas pelo capital monopolista e que a soldo deste procuram enganar, subjugar e derrotar o proletariado; essas camadas, a que na Conferência de Julho chamámos a semi-burguesia (aristocracia e burocracia operária, técnicos, quadros, intelectuais, etc.) não são o mesmo que à pequena e média burguesia, classes que o capital monopolista empurra para um lugar subalterno; são gerentes do capital monopolista e do seu Estado, são camadas em ascensão porque o seu
papel é cada vez mais determinante para a sustentação da ditadura do grande capital, são camadas com vitalidade e audácia suficientes para se encarregarem de sufocar a revolução ao serviço dos seus patrões e que ambicionam mesmo vir um dia a gerir em seu proveito uma economia
estatizada e planificada, segundo o modelo do capitalismo de Estado russo.

É certo que, misturados no revisionismo há sempre pequenos burgueses e ideologia pequeno-burguesa, mas aquilo que lhe dá a base social são estas camadas de lacaios do grande capital, corrompidos até à medula, habituados á mandar nos trabalhadores e a viver à custa deles, e que sonharam descobrir uma "via pacíficapara a revolução, que seja, impedi-la por todas as formas. O aparecimento destas camadas reaccionárias é uma característica da época do imperialismo, para que Lenine chamou a atenção já no princípio deste século, Depois da segunda guerra mundial, cresceram rapidamente e tomaram uma força muito maior nos países capitalistas, gerando a grande corrente do revisionismo moderno.

É só a partir desta análise que se pode compreender a actuação dos partidos revisas em todo o mundo e compreender
que o revisionismo é um inimigo mortal do proletariado, é o último baluarte da contra-revolução, é uma das características fundamentais do imperialismo.

Quem teima em confundir o revisionismo com correntes da pequena e, média burguesia perde completamente o norte na luta de classes. Quando se trata de revisionismo, há que olhar para o grande capital, não para o pequeno; há que olhar para o fascismo, não para a democracia pequeno-burguesa. Esta é a ideia fundamental que se deve ter presente, se não quisermos ir desarmados para o combate
anti-revisionista.

4 - Revisionismo e oportunismo

Os camaradas que ainda vêem no partido de Cunhal um agente da burguesia liberal estão atrasados uns vinte anos,
não distinguem a sua evolução, não distinguem o Cunhal revisionista do Cunhal oportunista. Alguns recusam mesmo terminantemente entrar em tais distinções, mas fazem mal. Começam por chamar revisionismo
a toda e qualquer forma de oportunismo e acabam rebaixando o inimigo revisa contra-revolucionário ao nível do oportunista pequeno-burguês. Parecendo uma atitude mais radical, acaba por resultar numa atitude moderada perante o revisionismo, que nos incapacita de lutar contra ele.

E certo que Cunhal e a sua camarilha nunca foram revolucionários. A diferença está em que nos anos 40 a sua falta de audácia levava-os a cair no oportunismo e a pôr o Partido e o movimento operário a reboque da burguesia liberal; pouco a pouco, o erro tornou-se num hábito desavergonhado; mais tarde, nos anos 60, o oportunismo acumulado apodrece, muda de qualidade e envenena todo o Partido.
Com o 20° Congresso, com o crescimento do capital monopolista e a penetração acelerada do imperialismo, com o crescimento das novas camadas da semi-burguesia, com a abertura da grande crise do regime por motivo das guerras coloniais Cunhal dá um grande passo em frente, deixa de se confinar ao papel de auxiliar dos liberais (cuja impotência política se torna dia a dia mais patente) e toma a seu cargo a tarefa de resolver a crise do capitalismo; é isso que significa a viragem de 1961-64, com o programa da
revolução democrática-nacional, a destruição final do Partido Comunista e a construção dum novo partido revisa.

Cunhal era um agente da burguesia liberal; passou a agente do capital monopolista. Era um oportunista; passou a
renegado contra-revolucionário. Eis a evolução que é preciso compreender para saber o inimigo que temos pela frente.

Evidentemente, Cunhal continua a falar com carinho dos pequenos e médios patrões, como fazia antigamente. Mas isso só por si não prova que ele os represente, tal como não representa o proletariado, apesar de falar em nome dele; ê
uma questão de demagogia, para arranjar uma base de apoio o mais larga possível. Cunhal hoje fala das pequenas e médias
empresas, tal qual como os banqueiros: oferece-lhes protecção”. A verdade é que Cunhal passou nestes últimos vinte anos de criado a patrão da burguesia liberal.

Conhecer este processo de degenerescência da camarilha cunhalista, estudar a história da luta entre as duas linhas no interior do Partido durante os 40 anos da sua existência, ver como um oportunismo "inofensivo’' pode vir a apodrecer em revisionismo são também tarefas importantes na luta pela reconstrução do Partido. Para isso, é preciso resolvermo-nos a tomar posse do passado do nosso Partido, usando como balizas para demarcar a nossa rota o exemplo negativo dos dois grupos renegados do marxismo-leninismo:
o MRPP negando que alguma vez tenha existido o Partido, o "PCPML” de Vilar usando sem vergonha a História do Partido como capital para as suas vigarices e chamariz para os incautos. Devemos adoptar uma atitude séria perante a história do Partido, usando a como escola para a actividade actual, aprendendo com a linha justa e criticando os erros. Estudando a maneira como nasceu o revisionismo aprenderemos a defender nos dele.

5 - 0 progressismo” dos revisas: social-fascismo

Visivelmente muitos camaradas não conseguem dar o passo que lhes falta para uma correcta classificação do revisionismo porque se sentem confundidos com as posições populares” "anti-fascistas e "progressistas” do partido de Cunhal e raciocinam assim: "Misturar o partido revisionista com os partidos reaccionários de direita, agentes dos monopólios e dos americanos é um contra-senso; o partido de Cunhal era ainda há pouco alvo da repressão fascista, não é um partido da direita; portanto, deve ser um partido pequeno burguês, vacilante, reformista.”

Estes camaradas ainda não perceberam o que é o social-fascismo; ainda não perceberam que o revisionismo moderno nasceu com a missão histórica de destruir por dentro o movimento revolucionário do proletariado e dos povos oprimidos, e que é isso que determina as suas características tão diferentes das dos partidos fascistas, encarregados de destruir a revolução a partir de fora. Numa época em que o imperialismo já não consegue só com
recurso aos métodos clássicos (guerra, fascismo, parlamento) conter o movimento ascendente da revolução, a burguesia precisava de gerar esta nova arma reaccionária, o revisionismo moderno, com a missão de estar presente junto do movimento revolucionário, não perder contacto com ele, marchar ao lado dele até aonde for preciso, para poder travá-lo, desorganizá-lo, dissolve-lo.

Evidentemente, isto não se consegue com linguagem fascista: não é com vinagre que se apanham moscas. O "progressismo” revisa consiste nisto mesmo: avançar com o movimento para o poder trair e, após cada traição, inventar uma desculpa e retomar a marcha ao lado do movimento
para o trair de novo e assim por diante. O
revisionista não é um revolucionário tímido; é um traidor à classe. Por isso, quando a revolução ameaça estalar apesar
de todas as suas traições, ele não hesita em entregar o assunto à repressão armada da burguesia. Isto é socialismo fingido e fascismo verdadeiro, é social-fascismo.

Para poder levar à prática uma linha social-fascista é preciso ter uma organização apropriada. Os revisas têm-na. Eles souberam construir, usando o aparelho do partido leninista que tomaram por dentro, uma máquina organizativa altamente centralizada e eficiente, que lhes permitis
estender a sua influência desagregadora a amplos sectores da classe operária e do povo, infiltrar-se nas organizações de massas, caluniar, espionar e reprimir a vanguarda revolucionária onde quer que ela se manifeste, e tudo isto sob slogans "comunistas”. Neste aspecto, os outros partidos burgueses são crianças ao pé dos cunhalistas.

O revisionismo é uma política de traidores, pagos pelos monopólios e pelo imperialismo para servir de polícias da classe operária. Quem não compreende isto não compreendeu ainda nada sobre o revisionismo e não consegue lutar contra
ele: ilude-se com as suas manobras, toma-as por "vacilações” e "correcções” e
passa o tempo à espera que saiam de lá finalmente os "comunistas enganados” (foi o que o chamado "PCPML” andou a fazer desde 1970 e não sabemos se ainda continua); toma os seus programas como intenções a cumprir, critica-lhes os "erros” e não vê que se trata de uma fachada demagógica burguesa; julga ver restos de
centralismo democrático onde só há centralização fascista virada contra a classe operária; adopta uma atitude hesitante perante o revisionismo porque no fundo não crê que ele seja um inimigo contra-revolucionário.


Ninguém duvida de que o partido de Cunhal é agente e servidor do social-imperialismo russo em Portugal; ele não o esconde.

Mas não esclarecemos nada sobre a natureza dos cunhalistas se os imaginarmos como um simples bando de espes ao serviço dos russos. Esta ideia, que o grupo Vilar espalha na sua imprensa, alertando freneticamente a burguesia sobre as maquinações de Cunhal, pode sem dúvida provocar o aplauso dos reaccionários mais broncos que continuam a ver em Cunhal, tal como há 30 anos, um perigoso comunista a soldo de Moscovo (15), mas não esclarece nada sobre o que é o revisionismo e como lutar contra ele.

Para compreender as relações de dependência que ligam o partido de Cunhal aos social-imperialistas, temos que observar mais de perto a natureza da classe que lhe serve de base: a aristocracia e burocracia operária, os técnicos, quadros, intelectuais, etc. Eles são uma espécie de classe-capataz da sociedade monopolista, vivem à custa da classe operária a quem fazem trabalhar, e portanto são inimigos ferozes da revolução proletária bem como os seus patrões capitalistas.
Mas há uma característica que os distingue do resto da burguesia: os seus privilégios são obtidos através dos ordenados com que os capitalistas pagam o seu serviço de vigilância e enquadramento dos trabalhadores; como assinalou Lenine, vivem dos sobejos dos super-lucros arrancados à classe operária e aos povos oprimidos; eles são portanto o único sector
da burguesia que explora sem empatar capital próprio.

E isso que explica a sua posição especial. Enquanto o capital monopolista, acossado pela ameaça da revolução, não
tem qualquer outra trincheira para onde recuar e está reduzido a defender com unhas e dentes a propriedade privada, fonte dos seus super-lucros, esta classe-capataz tem ainda um último recurso para sobreviver e manter os seus privilégios: o capitalismo de Estado. Quando para os
monopolistas tudo estiver perdido, os seus criados sonham começar vida nova como gerentes duma economia "nacionalizada” que lhes assegure o mesmo conforto e boa vida que hoje têm.

Por isso o revisionismo teve tão grande impulso nos países capitalistas após a transformação da URSS num país de capitalismo de Estado. Por todo o mundo capitalista, os chefes e quadros mais esclarecidos voltaram-se com entusiasmo e esperança para este novo tipo de sociedade de todo o povo”, para este "socialismo de rosto humano”, compreendendo que era este o seu paraíso: um regime “socialista que mantém os trabalhadores acorrentados e que assegura os privilégios da burocracia dirigente.

O revisionismo de Cunhal cresceu à sombra da nova burguesia burocrática que hoje detém o poder na URSS, tem nela o seu modelo de "sociedade nova” para apresentar às massas, precisa do apoio político e militar dela para ter esperanças de algum dia subir ao poder. O revisionismo de Cunhal depende do social-imperialismo e por isso lhe presta todos os serviços: nos negócios de compra e venda, na intriga diplomática, na espionagem pura e simples. Ele é um agente do social-imperialismo.

Mas o revisionismo é a política de uma camada da burguesia portuguesa, não e a actuação duma camarilha de espiões pagos pelo estrangeiro. Se os revisas fossem apenas um bando de espiões infiltrados em Portugal pela URSS, a burguesia no poder trataria de aniquilá-los, sem estar à espera dos conselhos de Vilar. Ora, o revisionismo de Cunhal é fruto do capitalismo português e a burguesia hoje
não pode viver sem ele.


Aqueles que vêem no partido de Cunhal apenas ou fundamentalmente um agente da URSS e que negam ou subestimam a sua base social interna, convencem-se de que ele vai lutar de forma consequente pela sua "democracia nacional” e pela sua "passagem pacífica” a satélite da Rússia e portanto esperam que ele derrube o poder dos monopólios e do imperialismo. E o que o renegado Vilar, por exemplo, diz com todas as letras: Cunhal "utiliza a
pequena e média burguesia na luta contra os monopólios ligados ao imperialismo norte-americano e europeu” (10)- Daqui até chegarmos à ideia de "ir apoiando Cunhal enquanto ele ajuda a deitar abaixo o poder actual” vai só um passo. É assim que a posição de Vilar, sendo a mais violenta em palavras contra Cunhal, tem este efeito prático: convencer muitos operários de que vale a pena apoiar o partido revisionista, visto que ele, "embora não seja revolucionário, para já, vai arrancar-nos ao domínio dos monopólios e dos imperialistas americanos e europeus, que é o que nos aflige”. Reforça-se assim a ideia, tão espalhada na nossa classe operária, de que os revisas, para a revolução não servem, mas vão ajudar-nos a dar um primeiro passo”. Agrava-se assim a sujeição da classe operária aos traidores revisas. A posição de Vilar é um bom exemplo de como se pode fazer o frete à direita com palavras de "ultra-esquerda”.

Os revisionistas não podem dar nenhum "primeiro passo” porque se debatem numa contradição insolúvel: para passar do actual regime monopolista privado ao regime monopolista de Estado, eles teriam que atacar o grande capital e o imperialismo e, a fim de não ser esmagados, teriam que se apoiar na energia revolucionária do proletariado e do campesinato. A ditadura de Salazar-Caetano pode derrubar-se por meio dum 25 de Abril, mas não o regime monopolista que vigora em Portugal; esse só cairá quando for posta em
marcha uma ampla revolução popular conduzida pela classe operária em armas. Ora, esse é precisamente o pesadelo que
não deixa dormir Cunhal e a sua classe. Como poderia ele desencadear uma tal revolução? Pelo contrário, faz tudo o que pode para a impedir e desta forma ajuda a sustentar no poder a burguesia monopolista.

A semi-burguesia revisionista tem assim um carácter duplo e é isso que explica a sua política: por um lado aspira a tomar o poder e a instaurar um novo capitalismo de Estado de fachada socialista; mas por outro lado tem que impedir a revolução proletária e não pode deixar de continuar a ser lacaia da classe que está no poder, a burguesia monopolista. Por um lado, serve a penetração dos interesses do social-imperialismo em Portugal; mas por outro lado, não pode deixar de servir os interesses dos monopólios americanos e europeus que já cá estão instalados, é este carácter duplo do revisionismo de Cunhai que devemos expor à classe operária, para que ele reforce decisivamente a sua luta contra ele.

Apresentar os revisas como uma quinta coluna russa em luta contra os monopólios e os americanos, como faz o grupo
Vilar, favorece a burguesia de duas maneiras: favorece os fascistas pró-americanos, dando alento à sua luta anti-popular em nome do combate ao comunismo internacional, favorece os revisas, arrastando para a sua influência sectores da classe operária, convencidos de que eles estão de facto a lutar contra os monopólios e os americanos A teoria do grupo de Vilar é uma provocação.

Nós dizemos: o partido de Cunhal não poderá deitar abaixo nada do que existe mas apenas lutar contra a ameaça da revolução proletária que o aterroriza; não poderá deixar de ser dúplice, traidor e cobarde, como a camada social que o gerou. A luta proletária e popular para derrubar o actual poder dos monopólios e do imperialismo passa desde agora pela luta para aniquilar toda a influencia do partido de Cunhal sobre as massas.


O revisionismo está historicamente condenado e será varrido pela revolução proletária, como todos os outros baluartes a que se agarra o capitalismo no desespero da agonia.

Mas nenhum inimigo cai sem ser atacado e nós temos atacado pouco e mal o revisionismo. É esta uma das causas
maiores da crise que tem enfraquecido a corrente marxista-leninista e atrasado a reconstrução do Partido.

Pode admitir-se que a imprensa ML durante anos quase ignore a luta prática e teórica contra o revisionismo, dando-o como assunto resolvido, não estude a sua base social, não desmascare as suas tácticas, não lute a fundo para arrancar a classe operária à sua influência, e chegue mesmo ao ponto de dar o partido de Cunhal como "uni cadáver fétido”(17), "decadente (18), “em desagregação, "sem influência nas massas (19)? (Como é evidente, não nos referimos aqui aos provocadores do MRPP que, com a sua
propaganda dando o revisionismo como defunto, mais não têm feito do que ajuda-lo a consolidar-se). Pode admitir-se que
a luta contra o revisionismo tenha sido substituída em grande medida por campanhas furiosas contra "neo-revisionistas e "radicais pequeno-burgueses, desviando as organizações ML da luta real de classes para o refúgio das guerras de seitas?

A verdade é que o partido de Cunhal está de boa saúde. Quem observou as suas manobras tácticas nos últimos dez
anos, ajudando à queda do regime fascista quando se viu que ele estava condenado por ser incapaz de sair da aventura
colonial; quem observa a sua política desde o 25 de Abril, as suas guinadas à frente e atrás, ora armando-se em campeão da democracia, ora sabotando descaradamente o movimento operário; quem observa a forma como ele tem sabido ganhar a confiança da grande burguesia e tornar-se-lhe indispensável mas sem perder o crédito junto das grandes massas — tem que concluir que Cunhal revela a arte consumada dum traidor revisa que sabe como lutar contra a revolução e que ainda está longe da agonia.

Mais: no período que se avizinha, o partido de Cunhal pode até aumentar a sua capacidade de manobra. Amanhã, quando a situação política estiver consolidada, Cunhal pode abandonar o governo e passar-se para a oposição; aos partidos revisionistas, pela sua alta especialização como polícias ideológicos do proletariado e das massas populares, não convém em regra a tarefa de governar em condições normais; a burguesia prefere-os na oposição, com inteira liberdade de movimentos para iludir as massas, lá onde são insubstituíveis. O lugar dos contra-mestres é a vigiar a massa dos operários e não sentados nos conselhos de administração, a não ser em momentos de crise, quando a "populaça” ameaça amotinar-se. E se amanhã, quando o caracter repressivo do regime se tornar patente aos olhos das massas, Cunhal passar para a oposição, o seu prestígio como partido "popular” aumentará de novo.

O revisionismo não está a cair de podre. Para que a nossa luta pelo Partido avance, temos que exigir a todos os camaradas luta real anti-revisionista; temos que ser intransigentes para com os camaradas que tendem constantemente a esquecer-se do revisionismo, temos que
lhes dizer: "Não queremos declarações anti-revisas, queremos luta de massas anti-revisa.”

9 — Luta de massas contra o revisionismo!

O revisionismo não tem nenhum poder face às massas revolucionárias. O seu poder actual vem-lhe apenas da falta de uma ampla luta operária e popular conduzida por um verdadeiro Partido Comunista. Temos que varrer das nossas fileiras toda a ideia de impotência perante o colosso revisa e intensificar a luta para o desmoronar pedaço a pedaço. A cada vitória parcial acumularemos energia e confiança para novas vitórias até o aniquilarmos.

Que ideias principais devemos ter em mente aa luta anti-revisionista? Já acentuámos bastante ao longo deste artigo o aspecto principal da questão: o revisionismo é um inimigo contra-revolucionário mascarado, com quem não pode haver contemplações. Agora queremos chamar a atenção para este outro aspecto: o partido revisa é o único partido burguês em Portugal com uma vasta base de apoio operário e popular. Isto determina a necessidade de a nossa luta ser conduzida de modo a desferir golpes implacáveis nos traidores revisas e na sua linha mas sem atingir os trabalhadores simples por eles enganados. Temos que golpear os traidores mas sem ferir as suas vítimas. Aqui está a dificuldade da luta anti-revisionista: às vezes, por receio de atacar a massa, poupamos os chefes e a linha e caímos na conciliação direitista; outras vezes, damos golpes sem discernimento, envolvendo inimigos e massa, e caímos no isolamento esquerdista. Temos que aprender a emendar isto.

Temos que agir de modo a desmascarar a canalha revisa aos olhos da massa, isolá-la da massa e unir a nós essa massa.

A base do combate anti-revisa é: lutar pelas massas. Não podemos contemporizar com os camaradas que só são anti-revisas nos seus círculos de amigos, nem com aqueles que arvoram um anti-revisionismo” à MRPP, um falso "anti-revisionismo fascista que os isola das massas. E preciso ser anti-revisa na fábrica, no sindicato, no clube, no comício, e saber sê-lo de modo a pôr as massas do nosso lado. Tudo se resume a isto.

No fim de contas, o que isto quer dizer é o seguinte: os revisas são fortes apenas porque nós ainda não conseguimos
fazer um bom trabalho diário comunista no seio das massas; aperfeiçoemos o nosso trabalho político e sindical, vençamos o espírito de seita, unamo-nos às largas massas e passaremos a bater os revisas por todo o lado.

E preciso ser anti-revisionista todos os dias. A luta contra os revisas não é uma tarefa que se realiza e está pronta, mas uma tarefa que tem que recomeçar constantemente para lhes ir arrancando as máscaras com que se cobrem, para os ir expulsando das massas passo a passo, porque eles são profissionais na arte de enganar, agarram-se como carraças, arranjam desculpas para todas as traições.

É preciso intensificar no CARP a luta contra o revisionismo, fundindo-a num todo com a luta pelo Partido e com a luta pelas massas. Em próximos números do Luta Comunista” publicaremos balanços à luta travada em cada local contra os revisas, pondo em destaque os exemplos positivos e negativos, para generalizar Lutando contra os revisas aprenderem essa experiência a toda a organização mos a ser comunistas e reconstruiremos e ao conjunto da corrente marxista leni- o nosso Partido.


(1)  “Revolução Proletária 3 e “Folha Comunista n° 24

(2) Novo Militante nº 11

(3) Revolução Proletária n° 1

(4) “Folha comunista n° 23

(5)  “Folha comunista nº 22

(6)  Declaração política de 15 de Julho de 1974

(7)  “Grito do Povo n° 7; note -se contudo que no n° 13 deste jornal e reproduzida a posição de Lenine acerca da base social do revisionismo.

(8)  "Estrela Vermelha nº 16

(y)  id.

(10) id.

(11) Unidade Popular (Vilar) nº 33

(12) “Voz do Trabalhador nº 13

(13) "Bandeira Vermelha n° 1

(14) “Luta Popular nº 32

(15) referimo-nos ao jornal fascista “Tempo Novo” que em Agosto reproduziu um artigo de Vilar elogiando a lucidez” com que ataca o partido de Cunhal e o social-imperialismo russo.

(16) Unidade Popular” (Vilar) n° 33

(17) "Causa Operaria” n° 2

(18) Folha comunista” nº 25

(19) circular do chamado “PCPML” de 20 de Setembro de 1973

1974-10-30 - COMUNICADO aos trabalhadores, à opinião pública - Sindicatos

COMUNICADO aos trabalhadores, à opinião pública
aos trabalhadores, à opinião pública

Nos últimos dias, certos jornais tem lançado uma campanha de calúnias e deturpações de factos tendente a responsabi1izar a direcção dos Químicos de Lisboa e os próprios trabalhadores químicos pelos lamentáveis incidentes ocorridos na última Assembleia Geral Extraordinária dos Plásticos. Torna-se evidente que o objectivo desta campanha é ocultar os verdadeiros responsáveis e, eventualmente, criar o ambiente propicio para qualquer acto repressivo contra a direcção dos Químicos.
Cumpre-nos, pois, repor a verdade dos factos e alertar os trabalhadores e a opinião pública para as manobras oportunistas de certos indivíduos que utilizam todos os meios para controlar os sindicatos e impor a sua linha de traição aos trabalhadores. Já lhes conhecíamos a táctica do boato e da calúnia, agora vamos encontrar amigos seus nas redacções dos jornais e na burocracia dos Ministérios a colaborar abertamente em graves manobras provocatórias.
A VERDADE DOS FACTOS
As cenas de pancadaria que, durante cinco ou dez minutos, lançaram o pânico na Assembleia dos Plásticos de Domingo passado são o produto de uma vasta manobra tendente a boicotar essa Assembleia e a travar o processo de integração do sector dos Plásticos no Sindicato dos Químicos, há muito desejada pelos traba1hadores plásticos e expressa por centenas de votos em três assembleias pelo menos. Apresentemos os factos que nos levaram a esta conclusão.

1969-10-00 - Liberdade Nº 16 - FPLN

EDITORIAL
A LUTA CONTINUA...

A organização do movimento democrático atingiu um desenvolvimento que é devido, por um lado, à persistente resistência dos democratas ao longo dos anos da noite fascista, mas que exprime, por outro lado, a chegada às primeiras linhas do combate anti-salazarista de muitos novos elementos. A par dos conhecidos democratas, dos anti-fascistas experimentados, surgem dezenas, centenas, milhares de portugueses que se iniciam na actividade política, que trazem à nossa luta o seu entusiasmo e a sua juventude, as suas ideias próprias, uma nova visão da realidade nacional, a sua vontade de combater e de vencer. São sangue novo que vem rejuvenescer a oposição tradicional.

1972-06-28 - PELA REABERTURA INCONDICIONAL DAS AAEE DO TÉCNICO E DE ECONÓMICAS - Movimento Estudantil

PELA REABERTURA INCONDICIONAL DAS AAEE DO TÉCNICO E DE ECONÓMICAS 1. O SIGNIFICADO DE UMA LUTA A hera que atravessamos é grave e  ...

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