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quarta-feira, 30 de abril de 2014

1969-04-30 - A ACADEMIA CONTINUA DE LUTO - AAC

A ACADENIA CONTINUA DE LUTO
1 - Realizou-se ontem, dia 29 de Abril, mais uma Assembleia Magna da Academia, em que participaram cerca de 4.O0O estudantes, tendo assistido muitos professores. Aguardada com um interesse invulgar, devida aos problemas que iria tratar, a Assembleia Magna teve a seguinte ORDEM DO DIA:
     1 - Informações,
     2 - Diligência junto do Presidente da Republica,
     3 - Luto Académico,
Ultrapassado o primeiro ponto, fase de informações acerca do Luto Académico nas várias Faculdades, entrou-se no problema que estava na base de tão importante Assembleia Magna: a diligencia junto do Presidente da Republica.
Os estudantes consideraram com justeza que, para o fortalecimento da sua luta reivindicativa, se tornava necessária uma atitude de esclarecimento junto do Presidente da República acerca dos acontecimentos do 17 de Abril. A acusação infundada de "ofensas ao Chefe de Estado", feita aos dirigentes suspensos, atinge também a Academia no seu conjunto e destina-se a desviar as atenções do principal problema em causa: a sistemática recusa das autoridades em satisfazer as legítimas reivindicações dos estudantes! Reivindicações estas que teriam sido apresentadas na Sessão oficial de Inauguração do Edifício das Matemáticas se tivesse sido concedida a palavra ao presidente da A.A.C., e acabaram por sê-lo na memorável sessão que os estudantes souberam realizar no 17 de Abril. Correspondendo a uma rica tradição de luta é às necessidades mais prementes estudantes e Mestres do Ensino em Portugal, tais reivindicações são de momento os laços que unem os estudantes: a revogação da legislação circum-cscolar, a amnistia de estudantes e professores, na participação no governo da Universidade, a autonomia, a democratização do ensino são questões a que os órgãos responsáveis pelo Ensino e pela Universidade terão de dar respostas claras. No decorrer dos acontecimentos porque tem passado a Universidade e a Academia de Coimbra, os estudantes estão a revelar uma grande maturidade, sabendo desde o inicio separar o essencial do acessório.

1969-04-30 - O LUTO ACADÉMICO DE 29 DE ABRIL - SIPE


INFORMAÇÃO SIPE  - O LUTO 

ACADÉMICO DE 29 DE ABRIL

Mais um dia de Luto foi cumprido em toda a Universidade.
Em todas as Faculdades se realizaram as habituais Assembleias Permanentes, onde foram debatidos os problemas mais prementes do movimento estudantil, assembleias essas que tiveram a participação de vários professores.
De salientar ainda a discussão em todas as Assembleias do texto de abaixo assinado dos professores que se destina a ser entregue ao Presidente da República.

INFORMAÇÕES DAS JUNTAS DE DELEGADOS
DIREITO - O Luto Académico foi integralmente cumprido.

1969-04-30 - A ACADEMIA CONTINUA DE LUTO - AAC

A ACADEMIA CONTINUA DE LUTO

 1 - Realizou-se ontem, dia 29 de Abril, mais uma Assembleia Magna da Academia, em que participaram cerca de 4.000 estudantes, tendo assistido muitos professores. Aguardada com um interesse invulgar, devida aos problemas que iria tratar, a Assembleia Magna teve a seguinte ORDEM DO DIA:
1 - Informações,
2 - Diligência junto do Presidente da Republica,
3 - Luto Académico,
Ultrapassado o primeiro ponto, fase de informações acerca do Luto Académico nas várias Faculdades, entrou-se no problema que estava na base de tão importante Assembleia Magna: a diligência junto do Presidente da Republica.

1974-04-30 - ESCÂNDALO - Oposição Democrática

ESCÂNDALO

O comandante da extinta «Legião Portuguesa» está a comandar ainda o Regimento de Infantaria 8, cujos Oficiais confiaram à Junta de Salvação Nacional o desmantelamento do aparelho fascista no nosso Portugal.
O fascista Rui Mendonça pôde, assim, impedir que o «Correio do Minho» fosse posto ao serviço do Povo, e que a sede da extinta A.N.P. fosse utilizada pelas Comissões Democráticas de Braga.
Denunciamos ao Povo e aos Militares patriotas estes golpes contra-revolucionários e exigimos a IMEDIATA deposição do comandante fascista Rui Mendonça, assim como dos comandantes policiais e de todos os presidentes das câmaras do distrito de Braga.
O Povo quer marchar ordeiramente e de mãos dadas com as Forças Armadas Patrióticas (anti fascistas), mas não está disposto a esperar que os fascistas (em liberdade e armados) organizem a contra-revolução.

O POVO UNIDO JAMAIS SERÁ VENCIDO

 Braga, 30 de Abril de 1974

 O Movimento Democrático

1974-04-30 - DECLARATION PUBLIQUE DU CONSEIL MONDIAL DE LA PAIX SUR LES ÉVENEMEMTS AU PORTUGAL

DECLARATION PUBLIQUE DU CONSEIL MONDIAL DE LA PAIX SUR LES ÉVENEMEMTS AU PORTUGAL

O fascismo que dominou em Portugal durante 48 anos foi vencido.
O conselho Mundial da Paz saúda o movimento que em Portugal declarou libertos os prisioneiros políticos e estabeleceu as liberdades democráticas. A queda de Caetano constitui uma derrota para o fascismo e a reacção na Europa e no Mundo.
O conselho Mundial da Paz que tem todos os dias firmemente apoiado a luta das forças democráticas contra o fascismo se rejubila desta troca.
O conselho Mundial da Paz espera que as trocas garantirão a democracia, a justiça, a liberdade e a independência para o povo português.

1974-04-30 - MANIFESTO

MANIFESTO

Os democratas naturais ou radicados em Angola, que assinam o original do presente manifesto e delegam a sua representação na comissão abaixo designada, com o objectivo de coordenar a actividade política de todos os seus correlegionários, manifestam o seu agradecimento às Forças Armadas Portuguesas, que destituíram a ditadura e restauraram, no País, a Democracia. E afirmam a sua disposição de colaborar, dentro dos princípios gerais anunciados pela proclamação da Junta de Salvação Nacional, com as reivindicações seguintes:

a) No campo político:
Urgente e imediata presença dum representante credenciado da Junta de Salvação Nacional, com poderes, executivos para assegurar o cumprimento do programa proclamado.

1974.04-30 - Tarjeta regresso de ÁLVARO CUNHAL - PCP

ÁLVARO CUNHAL

 Secretário-Geral do Comité Central do PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS chega ao aeroporto hoje, dia 30, às 13.30 hora.

TODOS AO AEROPORTO!
VIVA A UNIDADE DEMOCRÁTICA!

O POVO UNIDO JAMAIS SERÁ VENCIDO!

1969-04-30 - O LUTO ACADÉMICO DE 29 DE ABRIL - SIPE

INFORMAÇÃO SIPE

 O LUTO ACADÉMICO DE 29 DE ABRIL

Mais um dia de Luto foi cumprido em toda a Universidade.
Em todas as Faculdades se realizaram as habituais Assembleias Permanentes, onde foram debatidos os problemas mais prementes do movimento estudantil, assembleias essas que tiveram a participação de vários professores.
De salientar ainda a discussão em todas as Assembleias do texto de abaixo assinado dos professores que se destina a ser entregue ao Presidente da República.

INFORMAÇÕES DAS JUNTAS DE DELEGADOS
 DIREITO - O Luto Académico foi integralmente cumprido.

terça-feira, 29 de abril de 2014

1969-04-29 - A ACADEMIA DE COIMBRA CONTINUA DE LUTO - AAC



A ACADEMIA DE COIMBRA CONTINUA DE LUTO
    A necessidade dos estudantes se fazerem interventores na vida da Universidade, veio a ter surto repentino com os acontecimentos subsequentes a 17 de Abril. A negação da palavra, a repressão policial, as medidas de suspensão ou criminais vieram na sua injustiça, a movimentar a solidariedade da massa estudantil, expressa em formas definidas de luta: aulas efectuadas de forma diferente, transformadas em debates, em sessões de estudo, ou impedidas de se realizarem foram processos a manifestar iniludível e decidido protesto.
Nesta nova atitude do LUTO ACADÉMICO, um novo sentido de actuar, em que o incidental, na sua apoteose, vem agudizar uma situação e permitir por em causa toda uma estrutura universitária.
 É o início da autópsia da Universidade, fase construtiva pela qual se dilacera aquela instituição de salas frias, vazias, de respeitável silêncio, aqui e ali entrecortado pela voz magistral.
    Pela primeira vez nos últimos anos os estudantes obtém pela sua luta o estatuto do diálogo, da discordância, do saudável desrespeito pelas regras escolásticas, ou o que será talvez forma de dizer, finalmente o estudante ganhou, por si, o estatuto da EMANCIPAÇÃO UNIVERSITÁRIA.

1974.04.29 - SINDICATO DOS BANCÁRIOS DE LISBOA


SINDICATO DOS BANCÁRIOS DE LISBOA

 COMPANHEIROS
 Aos bancários, ao povo português, aos trabalhadores colocam-se hoje tarefas importantes com vista à construção dum Portugal livre e democrático.
Actualmente vivemos um período eufórico, no entanto há toda a necessidade de com serenidade e firmeza, assentar os pés na terra e criar a cada momento as melhores condições para a consolidação do heróico movimento das Forças Armadas e a consequente conquista da democracia.
Os bancários, que através da sua participação sindical, desde 1969 têm vindo a dar um contributo inequívoco à formação de uma opinião anti-fascista e anti-monopolista têm na presente hora histórica um papel importante e de características particulares no conjunto das medidas tomadas pelo Movimento das Forças Armadas.

1974-04-29 - Caiu o Governo Fascista de Marcelo Caetano


Caiu o Governo Fascista de Marcelo Caetano

Façamos do lº de Maio uma grandiosa jornada de festa.

Com a queda do governo fascista de Salazar/Marcelo, caiu o pano sobre uma das formas mais cruéis de exploração dos trabalhadores portugueses.
Foram 48 anos de opressão e de miséria!
Mas foram também 48 anos de luta!
Nas fábricas, nos Sindicatos, na rua, nas cadeias da PIDE/DGS, os trabalhadores portugueses defenderam, palmo a palmo, os direitos de informação, associação e manifestação, lutaram contra a tortura e a prisão discricionária, lutaram contra a vida cara e por aumentos de salários, lutaram por melhores condições de vida!
Nos últimos anos, acentuou-se o isolamento do governo fascista. Cada vez mais largas camadas da população estavam contra o governo fascista de Salazar/Marcelo e contra a sua política de submissão aos monopólios de que resultou o agravamento da subida do custo de vida, o compromisso numa guerra colonial sem solução militar e uma cada vez mais feroz repressão!

1974-04-29 - OS SOLDADOS, OS MARINHEIROS E A JUNTA - RPAC

VIVA O 1º DE MAIO! OPERÁRIOS E CAMPONESES, SOLDADOS E MARINHEIROS  O MESMO COMBATE PELO PÃO E PELA PAZ!

OS SOLDADOS, OS MARINHEIROS E A JUNTA

 CAMARADAS SOLDADOS E MARINHEIROS!
Uma nova facção da burguesia exploradora ocupou o poder! De há uns tempos para cá que a classe dominante vinha reflectindo uma grave crise. A camarilha marcelista mostrara-se incapaz de governar e garantir a estabilidade da exploração monopolista, tentando no entanto equilibrar-se na corda bamba da luta dos diversos imperialismos que saqueia a nossa pátria. Em Dezembro do ano passado foi o nazi do Arriaga que esboçou um golpe para levar a que a facção ultra-colonialista a apoderar-se do aparelho do Estado, perante a instabilidade que lhe ia criando a movimentação de um suposto sector do exército colonial. A 16 de Março último, o chamado Movimento das forças armadas colonialistas ensaia a tentativa abortada das Caldas da Rainha.

1974-04-29- Comunicado - PCP

COMUNICADO

A Direcção da Organização Regional de Lisboa do Partido Comunista Português, que na sua Declaração de 25 de Abril propôs às outras correntes democráticas a realização de uma grande manifestação no dia 1º de Maio, anuncia agora associar-se à convocação feita pelos Sindicatos e chama os comunistas, a classe operaria e todos os trabalhadores a tomarem parte activa na manifestação e no comício que se lhe segue.
Afirmemos o nosso apoio as Forças Amadas patrióticas!
Manifestemos o nosso apoio as transformações democráticas em curso!
MANIFESTEMO-NOS:
- Pela total destruição do aparento de Estado fascista e corporativo!
- Pela prisão e julgamento público de todos os agentes da repressão fascista, incluindo os membros do governo deposto!

1974-04-29 - TRABALHADORES DO DISTRITO DE BRAGA


TRABALHADORES DO DISTRITO DE BRAGA

Caiu o regime fascista que há 48 anos oprimia brutalmente o povo português.
Caiu o regime que tinha contra si a quase totalidade da nação, a opinião pública mundial, a grande maioria dos governos.
O regime que se apoiava apenas no uso arbitrário da força, na repressão mais brutal e criminosa, na convivência e ajuda dos meios mais reaccionários e agressivos do imperialismo internacional.
O FASCISMO MORREU!
Morreu pelas mãos do MOVIMENTO DAS FORÇAS ARMADAS e do POVO PORTUGUÊS.
Do povo que prontamente saiu para a rua exigindo:

1969-04-29 - O Tempo e o Modo Nº 69-70 - ANTÓNIO SÉRGIO, HISTORIADOR (DESPRETENSIOSOS INFORMES)

ANTÓNIO SÉRGIO, HISTORIADOR (DESPRETENSIOSOS INFORMES)

 A obra histórica de António Sérgio não é imensa. Compilada de ponta a ponta, encheria pouco mais de mil páginas em formato pequeno, como o dos seus volumes de Ensaios. E ainda seria o próprio Sérgio, a hesitar chamar-lhe história. De feito, nunca se quis considerar mais que «simples crítico, sem as menores pretensões a historiador» (Ensaios, IV, l.a ed., p. 231), embora tivesse feito boa história, crítica e problemática, em algumas luminosas páginas de fecundidade extreme. O seu papel, como tão lucidamente o definiu, era «o de excitar espíritos •— o de propor problemas — e não propriamente o de fornecer verdades», e ainda «o de arrancar a nossa história às simples miudezas do eruditismo, ou à pura imaginação romântica, trazendo-a para o campo da consciência crítica. » (Ensaios, IV, l.a ed., pp. 232-233).
Menos interessado pela história em si do que pela «mentalidade com que nós a abordamos», não admira que se tivesse ocupado de quase todos os séculos do devir português, sem curar de especializações que nem o seu propósito nem o seu espírito justificavam. Tratou dos períodos pré-romano e romano («Despretensiosos informes sobre Lusitanos e Romanos»), da Idade Média («Em torno da designação de Monarquia Agrária»; «Prefácio» à Crónica de D. João I, de Fernão Lopes) e da época dos Descobrimentos com suas consequências («Introdução» à Antologia dos Economistas Portugueses; «A Conquista de Ceuta»; «As duas Políticas Nacionais»; «Em torno da História Trágico-Marítima»). Glosou o século XVI («Interpretação não-romântica do Sebastianismo»; O Desejado), os séculos XVII e XVIII (O Seiscentismo; «O Reino Cadaveroso»), mesmo o século XIX em análises de figuras que o preencheram («Prefácio» aos Dispersos de Oliveira Martins; Alexandre Herculano). E, vivendo no século XX, procurou sempre compreendê-lo e analisá-lo em profundidade. Escreveu duas sínteses brilhantes de toda a história pátria («Introdução Histórica» ao Guia de Portugal dirigida por Raul Proença, e História de Portugal, da colecção Labor), algumas obras de carácter geral onde transparecia a evolução histórica do País (O Problema da Cultura e o Isolamento dos povos peninsulares; Considerações Histórico-Pedagógicas) e finalmente — last but not least — uma admirável Introdução Geográfica à sua malograda História de Portugal em muitos volumes.

1969-04-29 - O Tempo e o Modo Nº 69-70 - FERNANDO LOPES GRAÇA


Que posso eu dizer acerca de António Sérgio, nada me autorizando, nada me habilitando a pronunciar-me criticamente sobre a sua personalidade e a sua obra — uma personalidade e uma obra cuja magnitude e complexidade não sofrem de toda a evidência que, para convenientemente a apreciarmos, nos armemos do simples lugar comum e ainda que tal lugar comum possa traduzir um sentimento de real admiração?
Não há recusar o que tantos, tantíssimos, da minha geração (e só da minha geração?) lhe ficámos devendo sob o ponto de vista da afinação do intelecto, de uma disciplina do pensar que raros dos nossos Mestres nos dispensaram com tal liberalidade. Ainda quando nem sempre concordávamos com ele. E mesmo hoje, com todas as possíveis discordâncias, quem há aí, no decurso destes últimos cinquenta anos, que possa ministrar-nos ensinamentos e estímulos assim fecundos para a compreensão de tantíssimos problemas da nossa história, da nossa cultura e da nossa grei? Por mim, volto com frequência à leitura daqueles dos seus escritos — e muitos são—que se me antolham balissas insubstituíveis em toda a história das ideias em Portugal. E ainda recentemente, retido na cama por doença aliás de pouca monta, quereis que vos diga que companhia se me encontrava à cabeceira? Pois a desse lucidíssimo e corajosíssimo livro que é a Introdução Geográfico -Sociológico à História de Portugal.

1969-04-29 - O Tempo e o Modo Nº 69-70 - ANTÓNIO SÉRGIO E NÓS

ANTÓNIO SÉRGIO E NÓS

 Com a morte de António Sérgio, desaparece a Maior figura portuguesa deste século e um dos nomes cimeiros de toda a nossa história intelectual»
In Seara Nova — Aditamento ao número 1480 de Fevereiro de 1969

Sem dúvida. E creio ainda de superior utilidade apontar algumas das razões pelas quais a maior figura portuguesa deste século, morreu sem jamais haver transformado o seu magistério intelectual e moral, em força poderosa. Ao que vou, na dupla limitação deste meu depoimento.
Começo por apontar dois fenómenos que me parecem evidentes: o primeiro deles é a extraordinária e quási solitária influência que António Sérgio exerceu sobre várias gerações, o segundo fenómeno, tão forte como o primeiro, é-o em sentido contrário. Quero dizer, que António Sérgio deixou de ter a influência anterior, e que o seu longo magistério passou despercebido entre nós, há já alguns anos.

1969-04-29 - O Tempo e o Modo Nº 69-70 - ANTÓNIO SÉRGIO - DEPOIMENTO DE JORGE DE SENA


ANTÓNIO SÉRGIO - DEPOIMENTO DE JORGE DE SENA

 Antes de mais, quero congratular-me com O TEMPO E O MODO por procurar dedicar à figura de António Sérgio um número especial de alto nível: poucos portugueses deste século o merecerão tanto como ele, pela categoria intelectual e moral que é a sua. Quero, porém, lamentar que o crítico literário que ele, em tantas circunstâncias, admiravelmente foi (para lá de enquadrar excessivamente a literatura nos seus esquemas de salvação da pátria pela pedagogia) não tenha sido ainda estudado como convém e como importa, com o relevo a que tem direito. Porque também nesse campo ele foi um precursor de atenção aos textos, ao pensamento dos autores, à interpretação deles em função do que ideologicamente signifiquem. E foi-o não só no panorama português em que Sérgio tanto se situou, que os críticos acabaram por vê-lo apenas como um mestre de pensar dos portugueses: na verdade, ele foi um homem do seu tempo, e muitas vezes em avanço sobre ele, mesmo se colocado num contexto europeu.

1969-04-29 - O Tempo e o Modo Nº 69-70 - António Sérgio de Sousa: Uma revolução interior

António Sérgio de Sousa:
Uma revolução interior

NOTA—O presente artigo, primeiro de uma serie de dois, é em sentido próprio um estudo preparatório para um trabalho, a que não pertence, sobre o ensino público português entre 1920 e 1926, feito por sugestão e com o apoio do Sr. Dr. Adérito Sedas Nunes.
O autor aproveita, assim, esta ocasião para publicamente lhe agradecer.
VASCO POLIDO VALENTE

1 — INTRODUÇÃO
Como nota Rui Grácio, «considerada no seu conjunto e no seu objectivo derradeiro, é de pedagogo a obra de António Sérgio» (i). No entanto, a vocação pedagógica não constituiu para Sérgio uma vocação original. Como ele próprio declara os seus primeiros interesses foram «pela filosofia, pela ciência, pelos temas da psicologia e) pelas questões da ética» (í). Mais exactamente, Sérgio recebeu uma formação cientifica e, segundo V. de Magalhães Vilhena, «todo o seu desenvolvimento em matéria de filosofia partiu do abalo intelectual causado, quando estudante da Politécnica, pela revelação da geometria analítica e da teoria das equações (...) e do significado que achou nelas» (3). O interesse pela educação e pelo ensino é, assim, relativamente tardio e surge nele apenas «a partir do ano de 1910» 0, quando começa a preocupar-se com os problemas nacionais, que, na sua opinião, a República «atirara» ao pais e para cuja resolução«se não tinham munido de preparação adequada os tribunos republicanos da propaganda» (í).

1969-04-29 - A ACADEMIA DE COIMBRA CONTINUA DE LUTO - AAC

A ACADEMIA DE COIMBRA CONTINUA DE LUTO

 A necessidade dos estudantes se fazerem interventores na vida da Universidade, veio a ter surto repentino com os acontecimentos subsequentes a 17 de Abril. A negação da palavra, a repressão policial, as medidas de suspensão ou criminais vieram na sua injustiça, a movimentar a solidariedade da massa estudantil, expressa em formas definidas de luta: aulas efectuadas de forma diferente, transformadas em debates, em sessões de estudo, ou impedidas de se realizarem foram processos a manifestar iniludível e decidido protesto.
Nesta nova atitude do LUTO ACADÉMICO, um novo sentido de actuar, em que o incidental, na sua apoteose, vem agudizar uma situação e permitir por em causa toda uma estrutura universitária, do início da autópsia da Universidade, fase construtiva pela qual se dilacera aquela instituição de salas frias, vazias, de respeitável silêncio, aqui e ali entrecortado pela voz magistral.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

1974-04-28 - YENAN Nº 05


YENAN
BOLETIM DO CÍRCULO DEMOCRACIA POPULAR — 12 DE OUTUBRO
NÚMERO 5 - 28 DE ABRIL - PREÇO 2.50

ABANDONEMOS AS ILUSÕES E PREPAREMO-NOS PARA A LUTA!
VIVA O 1° DE MAIO VERMELHO!

Camaradas!
A burguesia dividiu-se decisivamente!
Na madrugada do passado dia 25, o povo português acordou alertado com a brusca evolução dum golpe de estado da burguesia, que se iria concretizar nos fins da tarde desse mesmo dia: «Sua excelência» o lacaio Caetano cedeu lugar a «sua excelência» o lacaio Spínola.

1974-04-28 - DECLARAÇÃO DA UNIÃO DOS ESTUDANTES COMUNISTAS

DECLARAÇÃO DA UNIÃO DOS ESTUDANTES COMUNISTAS

A Comissão Central da UEC saúda calorosamente os soldados, marinheiros e todos os oficiais patriotas que, com a sublevação de 25 de Abril, derrubaram a ditadura fascista. Saúda a classe operária, todos os trabalhadores, a juventude, os intelectuais progressistas que, com o poderoso movimento popular de massas que varreu o país, contribuíram decisivamente para isolar o regime fascista e para criar as condições para o êxito do Movimento das Forças Armadas.
A Comissão Central da UEC saúda os estudantes que, com as suas poderosas lutas de massas, foram ontem e são agora um importante destacamento da luta popular.
Um vigoroso movimento popular desenvolve-se em todo o país. O povo português, em grandiosas manifestações de rua e através das mais variadas e múltiplas acções, exprime o seu regozijo pelo fim da ditadura fascista e exprime a sua firme determinação de lutar pelas liberdades democráticas, pelo fim da guerra colonial, por melhores condições de vida por um Portugal socialista.

1974-04-28 - CHEGOU A HORA DA VINGANÇA! - MRPP

EM FRENTE PELA MOBILIZAÇÃO DE TODAS AS FORÇAS PARA A FUNDAÇÃO DO PARTIDO!

CHEGOU A HORA DA VINGANÇA!

EM FRENTE PELA REPÚBLICA DEMOCRÁTICA POPULAR

A TODO O POVO,
Camarada; A clique fascista de Marcelo Caetano caiu através de um golpe militar do exército. Ela tinha de cair ao cabo de tantos crimes que cometeu contra os povos das colónias e contra o nosso próprio povo. Todos os governos criminosos e anti-populares cairão, é uma lei da história. O povo anda satisfeito, está a ver o que se segue e não desarmou. Pelo contrário, o povo combate nas fábricas e nas ruas.

1969-04-28 - SOLIDARIEDADE! ACÇÂO UNIDA! - CNEP

CNEP  - 3
COMISSÃO NACIONAL DOS ESTUDANTES PORTUGUESES

SOLIDARIEDADE! ACÇÃO UNIDA!

 1 - Balanço do luto em Coimbra dos três últimos dias
A Academia de Coimbra continua de luto! Um rio cada vez maior de estudantes e professores adere firmemente às medidas de protesto., A percentagem de abstenção às aulas aproxime-se das l00% em quase todas as Faculdades. Diariamente se tem realizado Assembleias Magnas, Concentrares, Assembleias Permanentes de Faculdade, reuniões de trabalho, iniciativas culturais e de convívio.
As reivindicações gerais - levantamento das suspenso e dos processos, normalização, participação no governo da Universidade, autonomia, revogação da legislação circum-escolar, amnistia, democratização do ensino acrescentem-se os Cadernos Reivindicativos particulares que os estudantes têm definido e adiada firmemente nas reuniões de alunos em cada Faculdade.

1974-04-28 - MANIFESTO AOS ESTUDANTES PORTUGUESES

MANIFESTO AOS ESTUDANTES PORTUGUESES

COMPANHEIROS!
O momento actual é de alegria para todos os estudantes, para o Povo Português e os povos do mundo inteiro! O regime fascista que há 48 anos oprimia o nosso povo foi derrubado pelo Movimento das Forças Armadas. Foi aberto o caminho para a conquista das liberdades democráticas. A PIDE que há dezenas de anos semeava o terror e a morte no nosso país foi dissolvida e os responsáveis pelos crimes cometidos terão de ser punidos.
Os estudantes que durante todo este tempo foram um dos destacamentos mais combativos das massas populares, um dos seus bastiões mais firmes na luta democrática contra o poder dos monopólios e o seu Governo fascista, têm agora a possibilidade de retomar a iniciativa em condições extremamente mais favoráveis para a conquista das suas reivindicações, para uma transformação verdadeiramente democrática nas estruturas do ensino, para a sua colocação ao serviço do povo Português.

domingo, 27 de abril de 2014

A Opinião - Nº 38

PREÇOS E SALÁRIOS EM 1973
Carlos Carvalhas

Segundo as médias e variações anuais calculadas pelos serviços do Banco de Portugal, a partir dos apesar das reservas que se têm de pôr, quer quanto ao método de cálculo de tais médias, quer quanto às bases e envelhecimento dos índices, que traduzem a subida de preços por defeito, verifica-se para 1973, um agravamento sensível do custo de vida, relativamente a 1972.
O índice geral de preços por grosso, em Lisboa, passou de 5,9 por cento em 72, para 11,1 por cento em 73 registando assim «uma forte aceleração do seu ritmo de crescimento» e praticamente em todas as rubricas da sua composição.
Por sua vez, os índices de preços no consumidor elaborados pelo I.N.E., traduzem para todas as cidades, excepto para o Porto, um agravamento crescente em relação ao ano anterior.

1974-04-27 - A Voz da Guiné - Edição Especial



Voz da Guné
JORNAL VESPERTINO DA GUINÉ PORTUGUESA
ANO III EDIÇÃO ESPECIAL - SÁBADO 27 de Abril 1974 Preço 2$50
Director: CRUZ AMARAL
3726/28 — Oficina: 3713 A PROPRIEDADE DA SOCIEDADE EDITORA DA GUINÉ, S.A.R.L.

JUNTA DE SALVAÇÃO NACIONAL ASSUME GOVERNO DO PAÍS
Na sua qualidade de Presidente da Junta de Salvação Nacional o General António de Spínola leu ao país a seguinte proclamação.
Em obediência ao mandato que acaba de me ser confiado pelas Forças Armadas, após o triunfo do movimento em boa hora levado a cabo, pela sobrevivência nacional e pelo bem estar do povo português, a Junta de Salvação Nacional a que presido, constituída por imperativo de assegurar a ordem e dirigir o país para a definição e consecução dos verdadeiros objectivos nacionais, assume perante o mesmo o compromisso de:

1974-04-27 - AO POVO DO DISTRITO DE COIMBRA - CDE

AO POVO DO DISTRITO DE COIMBRA

1. É do conhecimento geral que o Movimento das Forças Armadas desencadeou um conjunto de acções que derrubou o Governo de Marcello Caetano.
Há muito que a determinação de luta e libertação do Povo Português se vem manifestando.
Nos últimos tempos, contudo, cresceram por todo o país as lutas populares, as greves e paralisações operárias, as iniciativas democráticas e estudantis. No último comunicado conjunto dos Movimentos Democráticos Distritais podia ler-se em título: «Aumenta a luta popular — Aprofunda-se a crise do regime».
Coimbra evidenciou ontem de maneira histórica a ânsia de liberdade do Povo Português. O regozijo que a população local experimentou logo no dia 25, ao tomar conhecimento da queda do governo de Marcello Caetano, atingiu ontem o apogeu quando mais de 20.000 pessoas, respondendo a convocatória do Movimento Democrático, se manifestaram durante duas horas pelas ruas da cidade gritando «O Povo Unido Jamais Será Vencido!», «Fim do Fascismo!», «Morte à Pide!»; «Fim à Guerra Colonial!», «Viva o Socialismo!», «Viva a Classe Operária!» e entoando repetidas vezes o Hino Nacional.

1974-04-27 - CONSOLIDEMOS A LIBERDADE! - CDE

CONSOLIDEMOS A LIBERDADE!

Derrotemos os últimos redutos da provocação fascista!
A conquista da Liberdade é a derrota das forças reaccionárias que se opõem à derrocada do fascismo, à instauração da Democracia em Portugal.
Batidos na frente militar e popular os fascistas, os reaccionários, os «PIDE/DGS», ainda não detidos, os legionários, os diversos agentes da repressão antidemocrática do passado procuram, agora, aqui e ali, lançar manobras de diversão e provocação que dificultem a afirmação e desenvolvimento da vida e unidade democrática no País.
A CDE, CONSCIENTE DA IMPORTÂNCIA HISTÓRICA DA UNIDADE ACTUANTE DE TODOS OS ANTIFASCISTAS, NO PERÍODO QUE VIVEMOS, CHAMA TODOS OS DEMOCRATAS, TODO O POVO PORTUGUÊS, A PARTICIPAR ACTIVAMENTE NA ANULAÇÃO DE TAIS TENTATIVAS DE SABOTAGEM DA VIA DEMOCRÁTICA E NACIONAL.

sábado, 26 de abril de 2014

1969-04-26 - ELEIÇÕES

ELEIÇÕES

 Aos Cidadãos do Distrito de Aveiro
 Estão à vista as eleições dos Deputados à Assembleia Nacional, que se espera possam ser este ano livres e correctas, para bem do País.
A todos aqueles que têm direito de voto — em geral, os cidadãos de qualquer dos sexos, maiores ou emancipados, que saibam ler e escrever português — assistirá pois a obrigação cívica de participar oportunamente na escolha dos representantes do Distrito!
Todavia, só poderá efectivamente votar quem tiver sido recenseado pelas autoridades administrativas.
Importa portanto que cada um tenha o cuidado de verificar se o seu nome consta nos recenseamentos, obrigatoriamente patentes nas secretarias das Câmaras Municipais, durante dez dias, normalmente de 1 a 10 de Maio.
A quem estiver correctamente inscrito, convirá então requerer uma certidão da sua qualidade de eleitor.
No caso de omissão ou erro no recenseamento, as reclamações deverão ser apresentadas pelos interessados até 15 de Maio.

1974-04-26 - Manifestação das 19 horas em Guimarães

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1974-04-26 - Manifestação Estudantil de manhã em Guimarães









1974-04-26 - CONVITE - Oposição Democrática


CONVITE

A Comissão Concelhia de Guimarães do Movimento Democrático do Distrito de Braga convida a população do Concelho a comparecer hoje, dia 26 de Abril, pelas 19 horas, no Largo do Toural, a fim de manifestar o seu júbilo pela vitória do grupo de patriotas militares sobre o regime fascista que há meio século oprimia o Povo  português.

Viva a Democracia!

Viva Portugal!

1974-04-26 - CDE - AO POVO DO DISTRITO DE BRAGA

AO POVO DO DISTRITO DE BRAGA

Militares patriotas das Forças Armadas derrubaram o governo fascista que há perto de 50 anos dominava o nosso Povo. O impulso desse movimento levou o resto das Forças Armadas a secundá-lo.
O fascismo caiu. Que ficou atrás dele?
Um país destroçado, guerra, mais de um milhão de emigrados, cinquenta mil jovens mutilados.
Temos de construir um Portugal Novo. Uma Pátria de todos, que nos mobilize a todos para a paz, o progresso e o bem estar dos Portugueses.
Só um governo que tenha a Confiança do Povo constituído por homens sérios, pode arcar com tais responsabilidades. Um governo do Povo, pelo Povo.

1974-04-26 - NEM MAIS UM SÓ SOLDADO PARA AS COLÓNIAS - PCP(ml)

NEM MAIS UM SÓ SOLDADO PARA AS COLÓNIAS 
REGRESSO IMEDIATO DOS SOLDADOS

INDEPENGÊNCIA IMEDIATA, TOTAL E INCONDICIONAL PARA OS POVOS IRMADS DAS COLÓNIAS
MORTE AO COLONIALISMO E AO CAPITALISMO
EM FRENTE NA LUTA PELA LIBERDADE, PELA PAZ, PELA TERRA E PELA INDEPENDÊNCIA

Liberdade! Paz! Pão! Terra! Independência! São as cinco reivindicações fundamentais inscritas na bandeira vermelha da Revolução Popular. Erguendo desde já a sua luta por estes objectivos, o povo português só os alcançará planeamento quando de armas na não, derrotar o poder dos monopólios.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

1969-04-25 - À ACADEMIA - Junta Delegados Medicina


À ACADEMIA

A Junta de Delegados de Medicina avistou-se ontem, dia 24 de Abril, com os membros do Conselho da Faculdade de Medicina, num intervalo do mesmo, dando cumprimento ao conteúdo do uma proposta apresentada e aprovada em Reunião aberta de Junta de Delegados, ratificada em Assembleia Geral de Faculdades proposta essa em que se reconhecia a premente necessidade de informação dos Professores acerca dos recentes acontecimentos académicos que culminaram na suspensão dos nossos colegas e das posições estudantis relativas ao inquérito do Governo, Reforma do Ensino e à participação dos Estudantes na gestão universitária.
Para uma cabal informação sobro o problema das suspensões injustas que atingiram alguns Estudantes, acompanharam a Junta de Delegados os colegas Fernanda da Bernarda da D.G. da A.A.C. o Carlos Batista da Junta de Delegados de Ciências e Conselho Fiscal da A.A.C..

1969-04-25 - LUTO ACADÉMICO - A ACADEMIA CONTINUA DE LUTO

LUTO ACADÉMICO
A ACADEMIA CONTINUA DE LUTO

 I - Em nota oficiosa divulgada ontem pelo Ministro da Educação Nacional diz-se: "Durante a Inauguração do Novo Edifício da Secção da Matemática da Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra, um grupo de alunos daquela Universidade comportou-se sem a consideração devida ao venerando chefe do Estado", Mais se diz que "As autoridades Académicas ordenaram já a suspensão dos alunos directamente responsáveis por tais factos e, pelas entidades competentes foi instaurado o processo criminal pela infracção prevista e punida pelo artºs 166 do Código Penal.
Ficaram, deste modo, a Direcção Geral e os Estudantes suspensos a saber quis haviam sido directamente responsáveis por ofensas ao Chefe do Estado, Simples forma a pretender iludir diferente problema.

1974-04-25 - Comércio do Funchal Nº 2247


CHAMPALIMAUD EM ANGOLA E MOÇAMBIQUE

O grupo Champalimaud pretende estabelecer e formar em Angola e Moçambique uma frota de navegação de longo curso que seria em princípio constituída por 10 navios com a capacidade total de 300.000 toneladas, sendo os mais pequenos de 12.500.
Segundo o industrial e financeiro António Champalimaud, que requereu em seu nome a necessária autorização ao Ministro da Marinha, o objectivo da frota seria servir o comércio e indústria daqueles dois territórios.
Entretanto, o Banco Pinto & Sotto-Mayor integrado do mesmo grupo pretende instalar em Angafa e Moçambique dois bancos de investimentos, um em cada território, tendo já pedido, também, as correspondentes autorizações.

1974-04-26 - GUERRA DO POVO À GUERRA COLONIAL IMPERIALISTA - MPAC


GUERRA DO POVO À GUERRA COLONIAL IMPERIALISTA

Toda a imprensa, televisão e rádio burguesas, falam do golpe de Estado em Portugal. Fazer da Junta militar e de Spínola os "LIBERTADORES DE PORTUGAL", passando em silencio, as verdadeiras razões do golpe de Estado.
Se o regime fascista português começou a rebentar e se um certo número de medidas libereis foram tomadas, isto não foi de maneira alguma o desejo de Spínola (CUF, Champalimaud, Borges e Irmão e etc.), e da Junta de defender os interesses legítimos do Povo Português e dos Povos das Colónias. Só a luta destes Povos é que pode explicar esta mudança de situação; e de maneira nenhuma a vontade da burguesia.
Apanhada entre dois fogos; por um lado as esmagadoras derrotas militares sofridas nas colónias que o Spínola é obrigado a reconhecer: “a vitória militar nas colónias é impossível”, e por outro lado o aumento cada vez maior do movimento revolucionário em Portugal. A burguesia foi obrigada a recuar e a manobrar para continuar no poder.

1974-04-25 - A Todas os Comités do Movimento - MRPP

25 de Abril de 1974

A Todas os Comités do Movimento
A Todos os Camaradas:

1.- A presente circular deve ser discutida por todos os camaradas em todos os Comités do Movimento após estudo da declaração do Comité Lenine de 25/4/74 acerca da situação política actual.
2.- Na presente situação política os diversos sectores da burguesia lutam pela hegemonia do aparelho de Estado, burguês, procurando reforça-lo para reprimir, oprimir e explorar mais intensamente o proletariado, o povo português e os povos das colónias visando travar a Revolução Democrática e Popular e impedir a completa independência política, económica e cultural dos povos irmãos da Republica da Guiné-Cabo Verde, de Angola e de Moçambique.

1974-04-25 - AO POVO PORTUGUÊS - MRPP


AO POVO PORTUGUÊS
DECLARAÇÃO SOBRE A SITUAÇÃO POLÍTICA ACTUAL

Há escassa meia dúzia de horas, um golpe de estado conduzido por um sector da oficialagem do exército colonial-fascista foi desencadeada contra o governo da camarilha marcelista. No momento em que escrevemos, a luta entre as duas cliques da classe dominante prossegue em todo o país, tendo por objectivo imediato o controlo exclusivo dos centros vitais do aparelho de estado burguês e o domínio dos pontos nervosos principais das forças armadas que o sustentam. Está longe de ter chegado ao seu termo, como existo garantido de uma ou outra das facções, a violenta disputa que estalou no seio do poder reaccionário e despótico que nos oprime, que nos explora e que nos humilha. Qualquer que seja, porém, o resultado concreto dessa luta reaccionária intestina, relativamente a cada um dos contentores, não podem nem o Povo em geral, nem a classe operária em particular alimentar, tanto a respeito desta luta quanto ao seu resultado, qualquer espécie de ilusões.

1974-04-25 - AO POVO DA REGIÃO DE LISBOA - PCP


AO POVO DA REGIÃO DE LISBOA
DECLARAÇÃO DA D.O.R.L. E DA O.R.O.R. DO PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS

A D.O.R.L. e a O.R.O.R. saúda os soldados e marinheiros, sargentos e oficiais do Movimento das Forças Armadas que através da sublevação de 25 de Abril derrubaram o governo da ditadura fascista. Ao fazê-lo, interpreta seguramente o regozijo dos comunistas, da classe operária, de todo o Povo da região de Lisboa.
O triunfo do Movimento das Forças Armadas não poderá ser dissociado da luta do Povo Português e da luta dos povos de Moçambique, Guiné e Angola, activamente apoiado pela Opinião democrática internacional. O fascismo chegara a um estado extremo de isolamento. O ascenso do movimento popular acentuara-se desde a grande campanha política de massas Levada a cabo, em Outubro, pelo P.C.P. e outras correntes democráticas. Na vanguarda da luta colocou-se decidida e impetuosamente a classe operária com um poderoso movimento reivindicativo que abarca centenas de milhar de trabalhadores.

1974-04-25 - PORTUGUESES E PORTUGUESAS! O GOVERNO DE M. CAETANO FOI DERRUBADO! - PCP

PORTUGUESES E PORTUGUESAS!
O GOVERNO DE M. CAETANO FOI DERRUBADO!

Que todo o povo se una e lute para que o fascismo seja liquidado para sempre e sejam instauradas as liberdades democráticas!
Para que cesse imediatamente a guerra colonial e acabe o colonialismo!

Para que Portugal se liberte do domínio dos monopólios e do Imperialismo estrangeiro!
Os acontecimentos dos últimos meses tinham posto a nu não só a extrema gravidade da situação económica, social e política a que o governo-fascista conduzira o país, como a vontade cada vez mais firme e consciente de amplos sectores populares no sentido de lutar contra a exploração e a miséria, a repressão, a guerra, o colonialismo, o domínio dos monopólios e a subjugação ao imperialismo.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

1974-04-25 - POVO DO PORTO - CDE


1969-04-24 - Junta de Delegados de Medicina



Colegas:

Foi fornecida ao porta voz da Junta de Delegados de Medicina durante a Assembleia Magna de hoje, 24 de Abril às 12 horas uma informação segundo a qual o Professor da Química Fisiológica não permitiria a presença na próxima frequência aos alunos que não fossem à aula de sexta-feira dia 25 de Abril. Mais se informou que o Professor invalidaria para esses alunos faltosos as frequências já feitas ao longo do ano.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

1969-04-23 - A Academia está de luto

A Academia está de luto

A repressão que se vem abatendo sobre os estudantes de Coimbra está progressivamente a alastrar.
A acrescentar aos 7 colegas que receberam comunicação de suspensão ontem de manhã, foi pela mesma via suspenso o colega Carlos Baptista, presidente do Conselho Fiscal da A.A.C. e membro de Junta de Delegadas de Ciências que foi notificado já depois da Assembleia Magna.
Até este momento encontram-se preventivamente privados de todas as prerrogativas universitárias e proibidos de quaisquer actividades relacionadas com a Universidade, incluindo a frequência às aulas, até à conclusão do inquérito aos seguintes estudantes:
Alberto de Sousa Martins - Presidente (3º ano Dir.)
Osvaldo Sarmento e Castro - Vice-Presidente(3º ano Dir.)

1969-04-23 - Queima das Fitas

No actual momento Académico, a Comissão Central da Queima das Fitas da Universidade de Coimbra considera inoportuna a realização do Festival de Jazz nos dias 25 e 26 de Abril, cancelando essa realização.
Entretanto, o trabalhe do todas as Comissões continuar a processar-se com vista a realização da Queima das Fitas de 9 a 14 de Maio.

Coimbra, 23 de Abril de 1969

A COMISSÃO CENTRAL DA QUEIMA DAS FITAS

segunda-feira, 21 de abril de 2014

1969-04-21 - INFORMAÇÃO - DIRECÇÃO GERAL AAC

INFORMAÇÃO
DIRECÇÃO-GERAL DA AAC

I - A INAUGURAÇÃO DO EDIFÍCIO DAS MATEMÁTICAS
 A 16 de Abril a Direcção-Geral da Associação Académica de Coimbra tornava público à Academia, através de um comunicado, o seu desejo expresso de usar da palavra em nome dos estudantes de Coimbra, no acto inaugural das novas instalações da Faculdade de Ciências. Dizia-se nessa comunicação:
"Queremos tão só o diálogo aberto e livre que o mesmo é dizer, reivindicamos o legítimo direito de a voz dos estudantes se fazer ouvir em toda a parte em que se decida da vida da Universidade".
Nesse mesmo dia, a Junta de Delegados de Ciências, em comunicado próprio, exprimiu idêntica aspiração, reivindicando a presença, nessa mesma cerimónia, dum representante dos alunos daquela Faculdade e convidando simultaneamente todos os estudantes a comparecerem na sessão inaugural.